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	<title>FILOSOFONET</title>
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	<description>TEXTOS DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA</description>
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		<title>A luta simbólica por reconhecimento social</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 18:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza       Nas últimas horas após a morte de Steve Jobs 4,5 milhões de menções foram feitas no Twitter, saíram 65 mil publicações na internet, 290 mil  curtidas no facebook, milhares de camisetas foram vendidas por 8 dólares. A morte dele foi anunciada em todos os jornais e programas de televisão do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=2206&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p align="left"><span style="color:#000000;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FZ%25C3%25A9%2520Ramalho%2520-%2520Garoto%2520de%2520Aluguel%2520%2528Taxi%2520Boy%2529.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></span></p>
<div class="mceTemp" style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/11/times-square.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2233" title="times square" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/11/times-square.jpg?w=600" alt=""   /></a></div>
<p style="text-align:justify;">   <span style="color:#000000;">  <span style="color:#ffffff;"> Nas últimas horas após a morte de Steve Jobs 4,5 milhões de menções foram feitas no Twitter, saíram 65 mil publicações na internet, 290 mil  curtidas no facebook, milhares de camisetas foram vendidas por 8 dólares. A morte dele foi anunciada em todos os jornais e programas de televisão do mundo. Ele foi apresentado como modelo de homem ousado, perfeccionista, criativo, inovador. Enquanto as televisões do mundo anunciavam a morte de Jobs, quase 12 milhões de pessoas estavam morrendo de fome e sede no Quênia, Djibuti, Sudão e Uganda, devido a seca e a falta de comida. É natural indagarmos, por que a humanidade daria mais importância a morte de um homem do que a morte de 12 milhões de seres humanos. Essa resposta tem uma explicação sociológica. Esse fato reflete uma falta, uma carência, um desejo, a necessidade de sermos competentes, inovadores, criativos, amados e desejados como Jobs. Jobs é aquilo que não somos, somos seres medíocres vivendo em apartamentos apertados, numa vida monótona e sem sentido. Jobs é aquilo que sonhamos ser e que acreditamos poder ser, mas que na verdade nunca seremos. A nossa interioridade é vazia e nossa existência é regular e monótona, mas sempre achamos que ela vai mudar como num passe de mágica. Um dia seremos admirados, invejados e viveremos em coquetéis que serão feitos em nossa homenagem. Acreditamos que pelo esforço pessoal alcançaremos o poder, a fama e o dinheiro, pois nos incutiram tais ideias. Somos eternos sonhadores e devemos continuar sendo, pois assim nos ensinaram. Vivemos em uma época onde os valores se relativizaram e onde o vazio interior e a falta de sentido tornaram-se parte da experiência humana. Por estas razões somos tão facilmente manipulados.</span></span></p>
<p align="justify"><span style="color:#ffffff;">      Kingsley Davis e Wilbert Moore atribuíram um papel positivo a luta pela ocupação social. Ao estudarem a divisão social do trabalho esses dois autores mostraram que as diferenças entre os indivíduos surgem em função da posição que ocupam no mercado de trabalho. Segundo eles, algumas posições ou funções conferem prestígio, benesses, fama, dinheiro e poder. Isso significa que os indivíduos devem adquirir competências, recursos, obrigações, comportamentos e trabalhos pesados que são essenciais à manutenção da sociedade. Em outras palavras, a competição entre os indivíduos é benéfica para a sociedade como um todo, uma vez que os mais competentes ocupam os melhores lugares. Para alcançar as melhores funções, os indivíduos se esforçam para se tornarem competentes, e uma vez atingido seus objetivos, eles serão cuidadosos e zelosos para manter a função.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#ffffff;">      A tese de Davis e Moore é conservadora, pois a estratificação social é apenas positiva para a reprodução do capital e não para os indivíduos, pois fomenta uma luta simbólica por reconhecimento social. As posições na hierarquia social são limitadas enquanto o número de indivíduos é ilimitado. O resultado disso é a frustração, a impotência e o desajustamento social. Zygmunt Bauman em seu livro “ Vida para o Consumo” (Consuming Life) mostra-nos que “na sociedade do consumo, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável” (BAUMAN, 2008, p. 20). Buscar qualidades esperadas pelo mercado, agregar valor à profissão, fazer plástica, malhar na academia, falar inglês e alemão, fazer várias faculdades,são o apanágio de um mundo que se mercantilizou. Tudo se tornou mercadoria. “A tarefa dos consumidores, e o principal motivo que os estimula a se engajar numa incessante atividade de consumo, é sair dessa invisibilidade e imaterialidade cinza e monótona, destacando-se da massa de objetos indistinguíveis” (BAUMAN, 2008, p. 21) Consumir para Bauman significa, portanto, que o indivíduo deve investir em si mesmo obtendo qualidades que o tornem desejável para o mercado. Nesta sociedade os indivíduos devem obter no mercado os serviços para que se tornem cada vez melhores como mercadorias. Eles devem se equipar com um ou outro produto fornecidos pelo mercado se quiserem ter a capacidade de alcançar e manter a posição social. O ser humano rejeita sua própria incompletude e procura superar essa solidão de ser invisível num mar de mercadorias. “Os membros da sociedade de consumidores são eles próprios mercadorias de consumo, e é a qualidade de ser uma mercadoria de consumo que os torna membros autênticos dessa sociedade” (BAUMAN, 2008, p.76).</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#ffffff;">      Herbert Marcuse no seu livro Eros e Civilização de 1955 já havia percebido o princípio norteador que rege a sociedade do consumo, ele o denominou de “princípio de desempenho”, pois “insiste no fato que, sob sua lei, a sociedade é estratificada de acordo com o desempenho competitivo de seus membros” (MARCUSE, 1955, p.50). Dessa forma, somente é reconhecido aqueles cujo desempenho superam as expectativas do sistema. O indivíduo deve se sacrificar para alcançar um lugar ao sol. Em consequência disso, cria-se uma sociedade unidimensional; unidimensional porque o aparato produtivo e as mercadorias se impõem ao sistema social como um todo. Os produtos da sociedade capitalista invadiram a dimensão interior do homem submetendo-a as formas de domínio social prevalecentes. O próprio indivíduo reproduz e perpetua os controles externos em sua consciência. Essa introjeção ocorre a partir de processos relativamente espontâneo, onde o “Eu” transfere o exterior para seu interior. O pensamento torna-se assim unidimensional tal como a sociedade.</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#ffffff;">        São pelas razões citadas acima que a tese de Davis e Moore é conservadora. A estratificação social é perniciosa aos indivíduos. As instituições na atualidade estariam socializando comportamentos, papéis e funções não para promover a estabilidade social, mas para reproduzir as estruturas de domínio social vigentes, e para manter alienados os indivíduos no interior das práticas sociais. A busca escarnecida por um lugar ao sol somente alimenta a sociedade do consumo e ajuda a manter a estratificação social. É por este motivo que Jobs ganha visibilidade enquanto milhares de seres humanos morrem de sede e fome na África. Como afirmou Bordieu, “talvez não exista pior privação, pior carência, que a dos perdedores na luta simbólica por reconhecimento, por acesso a uma existência socialmente reconhecida, em suma, por humanidade” (BORDIEU, P. apud BAUMAN, Z., 2008,  p. 7).</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia </strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">BAUMAN, Zigmunt. Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed, 2008.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">DAVIS, Kingsley e MOORE, Wilbert E. Alguns princípios de estratificação. Org. Gilberto Velho, <em>Estrutura de classes e Estratificação social</em>. Rio de Janeiro, Zahar , 1974.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">MARCUSE, Herbert. Eros et Civilisation. Paris: Les Editions Minuit,1955.</span></p>
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		<title>O que é estrutura social?</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 16:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza Não é possível pensar o conceito de sociedade sem o conceito de estrutura social. A sociedade é uma totalidade composta de partes interdependentes.  A estrutura  é a forma como a sociedade se organiza, essa forma é objeto de estudo da sociologia.  Quando os indivíduos que compõem a sociedade se relacionam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=2189&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Michel Aires de Souza</p>
<span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FZeca_Baleiro_-_01_-_V_Imbol.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/10/contruc3a7c3a3o.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft  wp-image-2190" title="contrução" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/10/contruc3a7c3a3o.jpg?w=247&#038;h=311" alt="" width="247" height="311" /></span></a>Não é possível pensar o conceito de sociedade sem o conceito de estrutura social. A sociedade é uma totalidade composta de partes interdependentes.  A estrutura  é a forma como a sociedade se organiza, essa forma é objeto de estudo da sociologia.  Quando os indivíduos que compõem a sociedade se relacionam entre si,  eles engendram  as estruturas da sociedade. Essas, por sua vez, também determinam as  ações dos indivíduos. A partir disso, há duas formas de teoria social:  uma procura analisar as ações dos indivíduos, buscando entender como elas determinam  as  estruturas da sociedade.  Por essa perspectiva, o indivíduo é imanente à sociedade, pois a partir de suas ações ele produz a sociedade. O principal teórico representante desta teoria social é Max Weber. Por outro lado,  há aqueles que analisam a sociedade como algo constituído e procuram entender como suas estruturas determinam as ações dos indivíduos. Neste caso, a sociedade transcende o indivíduo, pois é independente dele.  Seu principal teórico é Émile Durkhein.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Refletir sobre as estruturas sociais é procurar entender o significado e funcionamento da sociedade.   Não existe sociedade sem uma estrutura social. Esse fato é importante, pois explica as diferenças entre os sistemas sociais e os padrões de experiência e comportamentos humanos que constituem a vida social. Através da reflexão sobre as estruturas sociais é possível compreender como os homens se comportam socialmente. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             A estrutura social revela o comportamento dos indivíduos. Em toda sociedade o conjunto de seus membros exercem papéis sociais. As ações sociais são mediadas por expectativas de comportamento. A expectativa em relação ao comportamento de um pai difere da expectativa em relação a um policial. O papel social de um padre é diferente do papel social de um político. Todos os membros de uma sociedade se e relacionam a partir de uma estrutura normativa. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Existem várias características que  fazem parte da estrutura social. Uma das mais importantes são as relações de parentesco. Elas são partes intrínsecas de qualquer sociedade,  são partes das relações sociais. Toda sociedade tem um modelo de estrutura familiar. Cada sociedade possui um padrão de funcionamento da família, sendo importante instituição  social exercendo  grande função na estrutura social.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         É importante frisar que as estruturas sociais podem se modificar. Essa mudança pode ser impulsionada a partir de uma mudanças nas normas, nas regras, no comportamento ou na base econômica e política de uma sociedade.  As transformações políticas e econômicas que surgiram na idade média foram responsáveis  por modificar as estruturas rurais,  criando novas estruturas, a sociedade industrial. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         No livro de Ítalo Calvino, “As cidades invisíveis”, o personagem Marco Polo relata ao imperador Khan a descrição da cidade de Ercília. O que é inusitado em sua descrição é o relato das estruturas da sociedade de Ercilia,  que são materializadas através de fios coloridos colocados sobre as casas.  É possível compreender essas estruturas a partir da observação direta, elas não aparecem apenas como  formas transcendentes, que surgem apenas da análise das relações sociais, políticas e econômicas dessa sociedade. O simples olhar dos fios nos desvela todas essas estruturas. Vejamos  essa descrição.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        &#8220;Em Ercília, para estabelecer as ligações que orientam a vida da cidade, os habitantes estendem fios entre as arestas das casas, brancos ou pretos ou cinza ou pretos-e-brancos, de acordo com as relações de parentesco, troca, autoridade, representação. Quando os fios são tantos que não se pode mais atravessar, os habitantes vão embora: as casas são desmontadas; restam apenas os fios e os sustentáculos dos fios.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">&#8220;Do costado de um morro, acampados com os móveis de casa, os prófugos de Ercília olham para o enredo de fios estendidos e os postes que se elevam na planície. Aquela continua a ser a cidade de Ercília, e eles não são nada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">&#8220;Reconstroem Ercília em outro lugar. Tecem com os fios uma figura semelhante, mas gostariam que fosse mais complicada e ao mesmo tempo mais regular do que a outra. Depois a abandonam e transferem-se juntamente com as casas para ainda mais longe.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">&#8220;Deste modo, viajando-se no território de Ercília, depara-se com as ruínas de cidades abandonadas, sem as muralhas que não duram, sem os ossos dos mortos que rolam com o vento: teias de aranha de relações intricadas à procura de uma forma.&#8221;</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Como podemos notar, toda a estrutura social de Ercilia pode ser compreendida apenas pelos fios.  Ali de forma simbólica está representado as relações sociais, as estrutura de poder, as relações de parentesco e  representação.   Os fios multicoloridos devem ter surgido como um modo simbólico para  organizar  a sociedade de Ercilia,  que cada vez mais tornava-se  complexa. Para se  reproduzir  a forma da cidade em outro local, foi necessários a seus habitantes criar essas estruturas com fios. Toda mudança quantitativa no aumento de seus habitantes ou na criação de novas relações exigia novas estruturas de fios. A estrutura social representada pelos fios refere-se  ao nível de racionalidade da sociedade de Ercilia. A racionalidade é  a relação calculada entre meios e fins.  A ação racional  com relação a fins baseia-se no fato de que o indivíduo orienta sua ação levando em conta os fins, os meios e as consequências implicadas nela. A racionalidade sendo ação calculada  está presente nas estrutura sociais demonstrando o nível de organização social daquela cidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
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		<title>O que é o Amor?</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Oct 2011 03:33:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza Escrever sobre o amor é uma tarefa quase impossível, pois a linguagem é demasiadamente pobre para descrever os sentimentos. Quando digo que amo alguém profundamente, estou descrevendo superficialmente tudo o que sinto. A linguagem é infinita em possibilidades, mas é limitada para descrever o amor. O amor surgiu para ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=2143&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FChico%2520C%25C3%25A9sar%2520-%2520Pensar%2520em%2520voc%25C3%25AA.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/10/eros1.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-2144" title="eros" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/10/eros1.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>Escrever sobre o amor é uma tarefa quase impossível, pois a linguagem é demasiadamente pobre para descrever os sentimentos. Quando digo que amo alguém profundamente, estou descrevendo superficialmente tudo o que sinto. A linguagem é infinita em possibilidades, mas é limitada para descrever o amor. O amor surgiu para ser sentido e não para ser compreendido.  Não podemos expressar sentimentos através da linguagem, assim como não podemos ouvir e sentir a música através de uma partitura. Os códigos que descrevem o amor perdem o sentido, na medida em que se tornam impotentes para dar significados aos sentimentos. Há um grande abismo entre os sentimentos  do coração, que são inomináveis e os códigos linguísticos que tentam descrevê-los.<strong>  </strong>Se o amor é inexprimível e não pode ser compreendido, como falar sobre o amor?  Só podemos descrever o amor através de uma mitologia, a partir de imagens oníricas, de metonímias, metáforas, antropomorfismos. O discurso do amor deve ser poético e não lógico.      </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        O amor é harmonia e união dos contrários, é atração ordenada dos opostos, é desejo de unidade e indivisão. No amor buscamos o ser complementar. Amamos o que nos completa, na busca do pleno preenchimento e da perfeição.  A vida sem amor é uma vida sem sentido.  Para Platão  o amor (Eros), é uma força cósmica, universal, que busca o bem e nos traz a felicidade, o conhecimento e a virtude.   Em seu livro “O Banquete”, escrito há mais de trezentos e cinqüenta anos antes de cristo, Platão mostra-nos que o ser amado é a nossa outra metade há muito tempo perdido, cujo corpo estava originalmente ligado. Ele nos conta que no princípio de tudo  havia três tipos de humanos: o homem duplo, a mulher dupla e o  hermafrodita. Eram redondos, com quatro braços e quatro pernas e dois rostos numa só cabeça. Eram fortes, vaidosos e sentiam-se plenos de força. Por isso, decidiram ir aos céus. Mas foram punidos por Zeus, que os cortou ao meio. Desde este instante, cada metade vive uma carência eterna pela outra metade, sempre procurando a união, morrendo de desejo pelo outro. Eros busca a restauração da unidade primitiva e nos faz buscar a metade perdida. O homem é apenas parte, mas busca inconscientemente recompor uma totalidade. Por isso, é um ser insatisfeito por natureza. Sua vida consiste numa busca incessante pela felicidade. É nessa busca pelo amor que ele pretende superar sua carência, angústia e insatisfação diante da existência.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O amor por ser uma busca constante para aplacar a carência,  usa de todos os artifícios para conquistar a beleza. A beleza é fonte de satisfação e bem-estar, ela encanta gerando o desejo e o prazer.  O amor  busca sempre  a satisfação. Dessa forma,  usa do cálculo e da astúcia para conquistar a beleza. O amor é calculista, engenhoso, não se detém diante de nada, nem mesmo diante do perigo. O mito de Eros demonstra essa ideia.    Quando Afrodite (a Bela) nasceu todos os deuses foram convidados para festa, exceto Pênia (a Penúria) que foi esquecida. Escondida do lado de fora, ao término da festa, Pênia entra nos jardins e começa a comer os restos da festa. Todos estavam embriagados. Ao ver Poros (Engenho), filho de Metis (Prudência)  adormecido por causa do vinho, faz amor com ele. Ela  sempre  desejou ter um filho. Daí surge Eros (Amor).  Por ter nascido no aniversário de Afrodite, a Bela, Eros ama o belo. Mas é trágico o destino de Eros, pois  como sua mãe,  vive na penúria, sem casa, como um mendigo, dormindo pelas ruas, sempre carente e morto de fome. Por outro lado, como seu pai, Eros é engenhoso, astuto, calculista,  maquinador. Ele deseja tudo o que é belo. O amor é, portanto, carência e astúcia ao mesmo tempo. O amor floresce e vive, morre e renasce, sempre astuto, sempre carente, pobre e infeliz.  O amor é uma busca constante para aplacar a dor da falta.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      Há um outro conceito de amor concebido pela cultura grega: Filia. O conceito de filia nos remete ao amor entre amigos. É um amor pleno, desprovido de interesse, incondicional. A amizade se caracteriza pela afeição, afinidade e conhecimento mútuo. A lealdade, a cumplicidade, o altruísmo, a benevolência e a complacência são característica  da amizade. A palavra filosofia vem do termo Filia e Sophia, literalmente  amor a sabedoria.  O amor do filósofo pelo saber é filia, amizade  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Os dois conceitos da cultura grega são importantes para entendermos o amor conjugal.   O amor conjugal é a união entre  Eros (amor sexual) e  Filia (Amizade). Podemos desejar o corpo  ou  desejar o espírito.  Luiza era bonita, gostosa, tinha seios fartos, fazia um homem chorar de prazer e dizer que a ama na cama. Mas Luiza só oferecia isso. Acabava o sexo surgia o desejo de dispensá-la.  Era superficial, falava como um papagaio e era insuportável. Já Ana não era o tipo de mulher bonita. Era comum, sem seios fartos, sem bunda. Mas poderia se passar horas conversando com ela. Era agradável, singela, amável e profunda.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         O amor de Eros é fisiológico, sexual, diz respeito ao desejo e à atração. Já o amor de  Filia é sereno, equilibrado, constante, incondicional, altruísta. O sentimento amoroso está ligado ao impulso sexual.  Eros (amor sexual) se desvela como impulso de reprodução da espécie. Ele tem uma influência em todos os assuntos humanos, uma vez que interrompe tarefas, desorienta o indivíduo mais conservador, destrói relações de amizade e casamentos. Por isso é necessário o amor de filia, para gerar a cumplicidade, o respeito, a fidelidade e a doação de si. O amor de filia valoriza a confiança, o entrosamento, os projetos compartilhados. Sem Eros e Filia não há relação amorosa. Desejo e amizade são produtos e ingredientes do amor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Quando o homem passou a viver de forma conjugal,  dois ingredientes tornaram-se necessário para se viver a dois: sexo (Eros) e amizade (Filia).  Se faltar um desses dois não há amor. O amor é uma grande afeição entre duas pessoas, ausente de interesses, cuja finalidade é a doação de si mesmo, a gratidão, o afeto, a tolerância, o zelo,  a amizade, o desejo e a paixão.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/2143/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/2143/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=2143&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sócrates: a filosofia como conhecimento de si mesmo.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 19:56:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza                                                                                                                                                            Sócrates viveu em Atenas no século V a.C. É considerado o pai do racionalismo ocidental. Nada escreveu em vida. Tudo que sabemos dele foi graças a seu discípulo Platão. Ao contrário dos primeiros filósofos gregos, que se preocupavam com os problemas da natureza, Sócrates rendeu homenagem aos problemas morais. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1941&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Findiemuse.com%2Fwp-content%2Fuploads%2F2009%2F02%2F18%20Summer%2078%20%28Instrumental%29.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>                                                                                                                                                          </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/07/socrates.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1942" title="Sócrates" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/07/socrates.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">Sócrates viveu em Atenas no século V a.C. É considerado o pai do racionalismo ocidental. Nada escreveu em vida. Tudo que sabemos dele foi graças a seu discípulo Platão. Ao contrário dos primeiros filósofos gregos, que se preocupavam com os problemas da natureza, Sócrates rendeu homenagem aos problemas morais. Apesar disso, suas idéias foram assimiladas pelas ciências do mundo ocidental. Foi com ele que a civilização ocidental aprendeu que a ciência (epistême) só tem sentido se é fundamentada em verdades universais. A verdade deve ter validade em qualquer lugar, em qualquer tempo e para qualquer indivíduo. Graças a ele que a civilização ocidental começou a valorizar a razão, a verdade e o conceito.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Sócrates era filho de uma parteira e ensinava filosofia em praça pública. Ele usava uma túnica, costumava caminhar descalço e não tinha o hábito de tomar banho. Ficava as vezes horas parado, imóvel, filosofando sobre algum problema. Dizia que filosofava a serviço de Deus e do cuidado da alma. A filosofia era para ele uma forma de espiritualismo. Ao questionar valores, modos de ser e pensar Sócrates encontrou muitos inimigos. Por isso foi condenado à morte. Foi acusado de corromper os jovens de Atenas e de questionar os deuses da cidade. A história de sua condenação foi contada por seu discípulo Platão no famoso livro “A apologia de Sócrates”. Este livro descreve a defesa de Sócrates diante do tribunal de Atenas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Por meio de perguntas Sócrates interpelava os trausentes em praça pública e ali discutia os mais diversos assuntos: O que é o bem? O que é a justiça? O que é a virtude? Toda sua filosofia estava a serviço do conhecimento do homem e de sua vida moral. Seu espiritualismo afirmava-se no “conheça-te a ti mesmo”. Essa mensagem estava escrita no templo de Apolo. O conhecimento de si mesmo implicava o conhecimento de nossas ações, de nossos desejos e de nossa vida moral. Para ele, a sabedoria consistia em vencer a si mesmo e a ignorância em ser vencido por si mesmo. Sua indagação principal era sobre “a justa vida” e o “viver bem”. Uma vez lhe perguntaram qual lhe parecia a melhor tarefa para o homem. Ele sem rodeios respondeu: viver bem. Mas viver bem para Sócrates não era viver dos prazeres e da ociosidade, mas viver da contemplação do conhecimento e do cuidado de si. Por toda parte Sócrates ia persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo, a beleza e a riqueza. Dizia que devemos nos preocupar mais com a alma para que ela seja quanto possível melhor. Ele identificava a virtude com o conhecimento. Afirma que ninguém faz o mal porque quer, mas por ignorância. Ninguém erra voluntariamente. Somente o ignorante não é virtuoso. Todo homem que conhece o bem é virtuoso. Ser virtuoso para Sócrates é conhecer as causas e o fim das ações permitindo uma vida moral e virtuosa em direção a idéia de bem. Por isso, ele defendia a idéia de que a melhor forma de se viver era cultivando o próprio desenvolvimento ao invés de buscar os prazeres e os bens materiais. É necessário se conhecer melhor para ser feliz. “Conheça-te a ti mesmo”, essa frase emblemática é o fundamento de toda felicidade aqui na terra. Sócrates aconselhava seus discípulos a se autoconhecerem, pois somente assim as pessoas sairiam da caverna, das trevas de seus espíritos para alcançarem a luz, a verdade e a felicidade. Quando nos conhecemos dificilmente agimos por impulso, dificilmente somos dominados por nossas paixões, mais resolvidos e determinados somos em nossos objetivos. Conhecer a si mesmo significava que devemos nos ocupar menos com as coisas desse mundo, como riquezas, fama e poder, e nos preocuparmos mais com o cultivo de si, cultivando o conhecimento para contemplar o bem, o belo e a verdade. Somente assim seremos felizes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/1941/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/1941/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1941&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Aristóteles: a felicidade como sabedoria prática</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jul 2011 14:21:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[      Aristóteles (384-322 a.C) nasceu em Estagira (Macedônia). Seu pai era médico do rei Felipe da Macedônia. É considerado juntamente com Sócrates e Platão um dos mais influentes filósofos gregos do mundo ocidental.  Foi aluno de Platão e educou Alexandre, o Grande. Criou o pensamento lógico e a biologia como ciência.  “Em suas obras [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1921&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">   <span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2Fcarpetofthesun.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/07/aris2.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-1922" title="Aristóteles" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/07/aris2.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>Aristóteles (384-322 a.C) nasceu em Estagira (Macedônia). Seu pai era médico do rei Felipe da Macedônia. É considerado juntamente com Sócrates e Platão um dos mais influentes filósofos gregos do mundo ocidental.  Foi aluno de Platão e educou Alexandre, o Grande. Criou o pensamento lógico e a biologia como ciência.  “Em suas obras sobre a natureza, Aristóteles tentou descobrir uma hierarquia de classes e espécies (…). Ele estava convencido de que a natureza tinha uma finalidade e que cada traço específico de um animal existia para cumprir uma determinada função”. (Strathern, 1997, p.24).  Dessa forma, Aristóteles foi o primeiro filósofo a valorizar a observação e a experiência em seus estudos e por isso pode ser considerado o pai do  método científico. Aos 17 anos foi para Atenas, o maior centro filosófico e artístico de toda antiguidade, matriculou-se na escola de Platão e lá permaneceu por vinte anos, até 347 a.C. Após a morte de seu mestre fundou sua própria escola, o Liceu. Ao contrário da Academia, que valorizava o pensamento teórico, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Dirigiu o liceu até 324 a.C. Com a morte de Alexandre surgiram sentimentos xenófobos antimacedônios em Atenas, sentindo-se ameaçado Aristóteles fugiu afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia, assim como cometerá com Sócrates. Apesar de sua escola ter privilegiados as ciências naturais Aristóteles também pensou os problemas políticos e sociais de sua época, assim como se debruçou sobre os problemas éticos e morais.  Em seu livro “Ética e Nicomaco” Aristóteles pensou profundamente sobre a felicidade humana. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Para Aristóteles a felicidade não está ligada aos prazeres ou as riquezas, mas a atividade prática da razão. Em sua opinião,  a capacidade de pensar é o que há de melhor no ser humano, uma vez que a razão é nosso melhor guia e dirigente natural.   Se o que caracteriza o homem é o pensar, então esta e sua maior virtude e, portanto, reside nela à felicidade humana.  “Aristóteles, fiel aos princípios de sua filosofia especulativa, e após ter feito uma análise e um estudo da psicologia humana, verifica que em todos os seus atos o homem se orienta necessariamente pela idéia de bem e de felicidade e que nenhum dos bens comumente procurados (a honra, a riqueza, o prazer) preenche esse ideal de felicidade. Daí a sua conclusão: primeiro, a felicidade humana deverá consistir numa atividade, pois o ato é superior a potência; segundo, deverá ser uma atividade relacionada com a faculdade humana mais perfeita que é a inteligência (…)”. (Costa,1993, p.67) </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Em seu livro “Ética e Nicômaco”  Aristóteles mostra-nos que os homens se tornam o que são pelo hábito. Os homens se tornam bons engenheiros construindo, e se tornam músicos tocando, da mesma forma um homem torna-se justo praticando atos justos e mal praticando atos maus. Um homem torna-se um bom ou mau músico por tocar bem ou mal. Um escritor torna-se um bom ou mau escritor por escrever bem ou mal. Assim como um mau músico não tem o hábito de tocar, também o mau escritor não tem o hábito de pensar e escrever.   Dessa forma para se tocar música ou escrever bem é necessária a excelência, é necessário o engajamento, é necessário o hábito. A pratica continua de uma atividade ou de um comportamento nos possibilita internalizar aquele hábito. Somente a prática leva a excelência. Esse raciocínio serve para todas as atitudes e atividades humanas. Pelo hábito de sentir receio ou confiança tornamo-nos covardes ou corajosos. O mesmo se aplica aos desejos e a raiva, por se comportarem da mesma forma e do mesmo modo em todas as circunstâncias algumas pessoas tornam-se moderadas e amáveis, outras se tornam concupiscentes ou irascíveis. É por isto que devemos fazer uso da razão em nossas escolhas e atividades. Devemos sempre desenvolver nossas atitudes e atividades de uma maneira racional.          </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       A felicidade para Aristóteles corresponde ao hábito continuado da prática da virtude e da prudência. Por sua própria natureza os homens buscam o bem e a felicidade, mas esta busca só pode ser alcançada pela virtude. A virtude é entendida como Aretê &#8211; excelência. É somente através do nosso caráter que atingimos a excelência. A boa conduta, a força do espírito, a força da vontade guiada pela razão nos leva à excelência. Dessa forma, a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de saber fazer escolhas racionais na vida. É feliz aquele que escolhe o que é mais adequado para si. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A razão é a faculdade que analisa, pondera, julga, discerne. Ela nos permite  distinguir o que é bom ou mau,  a distinguir os vícios das virtudes. Ela  nos permite fazer escolhas pertinentes para nossa felicidade. Por exemplo, a temeridade é um vício por excesso, a covardia é um vício por falta; o meio termo é a coragem, que é uma virtude. O orgulho é um vício por excesso,  a humildade um vício por falta; o meio termo é a veracidade, que também é uma virtude. A inveja é um vício por excesso, a malevolência é um vício por falta; o meio termo é a justa indignação. Para Aristóteles toda escolha exige uma mediania, um equilíbrio entre o excesso e a falta.  Na vida não podemos ser imprudentes e impulsivos se arriscando em situações perigosas. Por outro lado,  também não podemos ser covardes e ter medo de tudo deixando que o medo nos domine. É necessário o meio termo entre esses dois sentimentos, devemos enfrentar os medos e perigos sabendo agir com bom senso. O mesmo raciocínio serve para alimentação, não podemos comer muito para passar mal do estômago, assim como não podemos evitar comer, pois também vamos adoecer. Devemos comer com moderação. Por esta ótica, também podemos pensar os sentimentos.  Na vida não podemos ser vaidosos preocupando-nos apenas com nossas qualidades, satisfazendo sempre o nosso ego. Por outro lado, também não podemos ser muito modestos,  achando que somos inferiores. É necessário auto-estima, sabendo reconhecer através da razão nossos defeitos e nossas qualidades. Para Aristóteles, portanto,  devemos sempre escolher o meio termo, sendo moderados em tudo que fazemos na vida. Somente assim atingiremos o bem e a felicidade.    </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> B<strong>ibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Aristóteles. Ética a Nicômaco. Edipro, São Paulo, 2007</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Costa, José S. Tomás de Aquino: a razão a serviço da fé. São Paulo: Moderna, 1993</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Stratheer, Paul. Aristóteles em 90 minutos.  Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1997.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/1921/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/1921/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1921&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A teoria da alma em Platão</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jun 2011 14:37:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza Platão (428-348 a.C.) foi discípulo de Sócrates e escreveu trinta diálogos considerados autênticos. Hoje conhecemos a figura de Sócrates graças aos seus diálogos, que faziam dele seu personagem principal. Platão fundou a primeira escola conhecida no mundo ocidental na cidade de Atenas em 387 a.C, chamada Academia, em homenagem ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1902&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FAtlantida.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/06/alma1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1906" title="alma" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/06/alma1.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">Platão (428-348 a.C.) foi discípulo de Sócrates e escreveu trinta diálogos considerados autênticos. Hoje conhecemos a figura de Sócrates graças aos seus diálogos, que faziam dele seu personagem principal. Platão fundou a primeira escola conhecida no mundo ocidental na cidade de Atenas em 387 a.C, chamada Academia, em homenagem ao seu amigo Academus. Seu verdadeiro nome era Aristocles, mas foi apelidado de Platão devido aos seus ombros largos.   Era um homem rico e fazia parte da aristocracia que governava a Grécia.  Seu pai, Aristão, tinha o rei Codros como seu antepassado e sua mãe, Perictione, foi parente de Sólon.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        O pensamento de  Platão  foi muito influenciado pelas filosofias de Heráclito e Parmênides. Ele procurou  reconciliar ambas as posições. Foi da controvérsia dessas duas filosofias que surgiu a “teoria das idéias”, núcleo central de sua filosofia. O problema que Platão propõe a resolver é o conflito “irreconciliável” entre a teoria da mudança em Heráclito e Parmênides.  Para Heráclito no universo não há nada acabado, fixo e estável, tudo está em permanente mudança.  Já para Parmênides as mudanças e transformações que ocorrem na natureza são uma ilusão de nossa percepção, pois algo que é não pode deixar de ser, e algo que não é não pode vir-a-ser, portanto, não há mudança.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Para reconciliar ambas as teorias, Platão mostrou-nos que todos nós estamos sempre em contato com duas realidades: uma inteligível e outra sensível. A primeira é permanente, universal, nunca se modifica, é o mundo das idéias. A segunda é o mundo que percebemos por nossos sentidos, mutável e contingente, o mundo sensível.  Platão demonstra que o mundo tem uma forma apriori, uma estrutura inteligível.  “Através dos diálogos, Platão vai caracterizando essas causas inteligíveis dos objetos físicos que ele chama de idéias ou formas. Elas seriam incorpóreas e invisíveis – o que significa dizer justamente que não está na matéria a razão de sua inteligibilidade. Seriam reais, eternas e sempre idênticas a si mesmo, escapando a corrosão do tempo, que torna perecíveis os objetos físicos. Merecem por isso mesmo, o qualificativo de ‘divinas’ (&#8230;). Perfeitas e imutáveis, as idéias constituiriam os modelos ou paradigmas dos quais as coisas materiais seriam apenas cópias imperfeitas e transitórias. Seriam, pois, tipos ideais, a transcender o plano mutável dos objetos físicos.” (Pessanha, 1987, XVI-II).  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A teoria das idéias de Platão está diretamente ligada a sua teoria da alma.   Na parte IV do seu livro “República” Platão concebe o homem como corpo e alma. Enquanto o corpo modifica-se e envelhece, a alma é imutável, eterna e divina. A alma inteligente preso ao corpo um dia foi livre e contemplou o mundo das idéias, mas as esqueceu. É somente através da busca do conhecimento, através de um processo de recordação, de reminiscência o homem pode lembrar-se das idéias que um dia contemplou.   A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/06/imagem1.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-1908" title="imagem" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/06/imagem1.jpg?w=600" alt=""   /></span></a> Platão divide a alma em três partes. O lado racional está localizado na cabeça, seu objetivo é controlar os dois outros lados, com ele adquirimos a sabedoria e a prudência. O lado irascível está localizado no coração, seu objetivo é fazer prevalecer os sentimentos e a impetuosidade, com ele adquirimos a coragem. Por último, temos o lado concupiscente que está localizado no baixo-ventre, seu objetivo é satisfazer os desejos e apetites sexuais, com ele adquirimos a moderação ou a temperança.  No Mito do Cocheiro, no diálogo “Fedro”, Platão compara a alma a uma carruagem puxada por dois cavalos, um branco (irascível) e um negro (concupiscível). O corpo humano é a carruagem, e o cocheiro (Razão) conduz através das rédeas (pensamentos) os cavalos (sentimentos).  Cabe ao homem através de seus pensamentos saber conduzir seus sentimentos, pois somente assim ele poderá se guiar no caminho do bem e da verdade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Platão afirma que não podemos ser felizes quando somos dominados pela concupiscência e pela cólera, isso porque as paixões sempre nos conduz por caminhos perigosos e contraditórios e fazem com que os desejos e impulsos violentos de nosso corpo tirem nosso bom senso.  Já dizia Sócrates que todo vicio é ignorância. Não há nada mais deprimente do que uma pessoa que age por impulsos e é dominada pelas paixões. Ter autocontrole é essencial para sermos felizes. A felicidade só pode ser alcançada se formos capazes de dominar nossos sentimentos pela razão. A moderação é uma virtude e ela se realiza quando somos capazes de controlar a nossa concupiscência. O indivíduo moderado é aquele que não cede as suas paixões, impulsos e prazeres. Da mesma forma o indivíduo não se lançara a luta e a agressão indiscriminadamente, uma vez que a razão deve saber discernir o que é bom e mal para nossa vida, sabendo dominar a nossa alma irascível. Dessa forma, seremos felizes se através da razão soubermos controlar nossa vida, pois a virtude natural da razão é o conhecimento.   </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/1902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/1902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1902&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Indústria Cultural e Semiformação: a produção da subjetividade</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 15:08:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<category><![CDATA[indústria cultural]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza A indústria cultural é um termo crítico que procurou desmitificar  a idéia de que os meios de comunicação de massa produzem uma cultura genuinamente popular.  A cultura deixou de ser algo espontâneo e popular e passou a ser produzida por empresas e instituições que criam produtos e entretenimentos padronizados para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1802&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FEngenheiros_do_Hawai_-_Infinit.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/de-la-servitude-moderne1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1804" title="de la servitude moderne" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/de-la-servitude-moderne1.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">A indústria cultural é um termo crítico que procurou desmitificar  a idéia de que os meios de comunicação de massa produzem uma cultura genuinamente popular.  A cultura deixou de ser algo espontâneo e popular e passou a ser produzida por empresas e instituições que criam produtos e entretenimentos padronizados para o  grande público.  “Tal denominação evoca a idéia, intencionalmente polêmica, de que a cultura deixou de ser uma decorrência espontânea da condição humana, na qual se expressaram tradicionalmente, em termos estéticos, seus anseios e projeções mais recônditos, para se tornar mais um campo de exploração econômica, administrado de cima para baixo e voltado apenas para os objetos supra mencionados de produzir lucros e de garantir adesão ao sistema capitalista por parte do público.” (DUARTE, 2003, p.9). </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          A indústria cultural poderia ter sido um instrumento de formação cultural, assumindo fins pedagógicos, mas  ela se tornou em sua história um instrumento de   deformação da cultura e da consciência.  Ela significou para a sociedade capitalista não somente  uma indústria que cria produtos e entretenimentos padronizados, mas também um poderoso instrumento de coesão social, que incuti valores, preceitos, crenças, modos de ser, pensar, agir e valorizar,  servindo de referencial para todos viverem de forma pacifica. Foi ela que ajudou a construir e universalizar os valores da sociedade do consumo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Em sua história,  a função da indústria cultural foi o de  introjetar os valores, preceitos,   a visão de mundo e os padrões de conduta capitalista na interioridade do indivíduo massificado. Para este fim,  ela produziu e reproduz a semiformação através da disseminação de seus produtos e entretenimentos padronizados  Com o ulterior desenvolvimento da indústria cultural,  a cultura formativa, típica das sociedades pré-capitalistas,  extinguiu-se e a semiformação tornou-se a condição existencial do homem contemporâneo. Foi através da semiformação que surgiu a subjetividade reificada e alienada  no interior das práticas sociais.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Octávio Ianni em seu livro “<strong>A sociedade Global</strong>” detectou o desenvolvimento de uma nova cultura globalizada no mundo contemporâneo. Segundo ele, antigamente invadiam-se os mercados estrangeiros com mercadorias, mas hoje se invade culturas inteiras com informações, entretenimentos e idéias. Formam-se linguagens globais. “A cultura eletrônica da idéia global coloca-nos ante uma situação na qual sociedades inteiras comunicam-se mediante uma espécie de gesticulação macroscópica, que não é em absoluto linguagem no sentido usual” (Mcluhan apud Ianni, 1992, p.42). O que é local, regional, nacional, entra no jogo das relações internacionais ou propriamente globais. A cultura internacional popular nasce, circula e é consumida como mercadoria lançada simultaneamente em diferentes mercados nacionais. O padrão técnico e cultural dos países dominantes é até mesmo aperfeiçoado nos países dependentes. Como exemplo,  temos os programas da tv americana, européia e japonesa que são adotados pelos programas brasileiros, como “BigBrother”; “O aprendiz”;  “Domingão do Faustão”; “Silvio Santos”, onde são aperfeiçoados e até mudados. Há ainda anúncios de transnacionais como Coca-cola, Nike, Phillips, McDonalts e muitos outros que circulam como as mesmas propagandas em todos os continentes. Por sobre e além da cultura nacional popular, toma lugar e generaliza-se a cultura internacional popular que povoa o imaginário da audiência, público e massa. Diverte, distrai, irrita, ilude, carrega padrões e idéias. Nesse sentido, nos diz Ianni, é que a cultura internacional popular entra na construção e reconstrução da hegemonia dos grupos ou classes sociais que se articulam em escala global.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          No mundo contemporâneo  com o advento da indústria cultural  houve um holocausto cultural. Não conhecemos mais a cultura popular como ela se manifestava nos períodos pré-capitalistas.  Segundo Alfredo Bosi, o patrimônio sócio-cultural perdeu-se ou encontra-se depositado em bibliotecas e museus como relíquias; o que acontece é a destruição de formas sociais de vida e de trabalho, modos de ser das coletividades, povos e culturas. Bosi critica ainda uma certa vertente culta, ocidentalizante, de fundo colonizador, que procura estigmatizar a cultura popular como fóssil correspondente aos estados de primitivismo, atraso e subdesenvolvimento. Para Bosi, a cultura são os modos de existir de uma nação, é o cotidiano “físico e simbólico e imaginário dos homens” (BOSI, 1992, p.324).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            A cultura é a expressão de autenticidade de um povo, de seus valores e modos de ser, ver e compreender o mundo. Por esta razão, um povo que não preserva sua cultura é um povo sem história e sem identidade. Um indivíduo sem cultura é permeável a manipulação. Segundo Milton Santos, &#8220;o conceito de cultura está intimamente ligado às expressões da autenticidade, da integridade e da liberdade. Ela é uma manifestação coletiva que reúne heranças do passado, modos de ser do presente e aspirações, isto é, o delineamento do futuro desejado. Por isso mesmo, tem de ser genuína, isto é, resultar das relações profundas dos homens com o seu meio, sendo por isso o grande cimento que defende  as sociedade locais, regionais nacionais contra as ameaças de deformação ou de dissolução de que podem ser vítimas. Deformar uma cultura é uma maneira de abrir a porta para o enraizamento de novas necessidades  e a criação de novos gostos e hábitos&#8221; (Santos, 2000, p.18)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              O filósofo alemão Herbert Marcuse no seu célebre texto “<strong>Sobre o caráter afirmativo da cultura</strong>”,  de 1937,  entendeu a cultura como o entrelaçamento entre o mundo espiritual e simbólico com o processo histórico da sociedade, ou seja, o entrelaçamento entre o plano da reprodução ideal (cultura) e o plano da reprodução material (civilização).  Contudo, ele percebeu uma grande mudança no mundo moderno,   percebeu   que a cultura burguesa separou essas duas esferas. O mundo espiritual foi banido do plano material. A partir disso,  a arte e a cultura tornaram-se ideológicas.  &#8221;A separação da sociedade burguesa em dois mundos – o da reprodução material da vida (civilização) e o mundo espiritual das idéias, da arte, dos sentimentos, etc (cultura) – permitiu a essa sociedade justificar a exploração e alienação que a grande maioria sofria nas linhas de montagem e de produção, na administração burocratizada, e no cotidiano miserável&#8221;  (FREITAG, 1994, p. 69).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Marcuse  desvelou  que os ideais do iluminista, de liberdade, felicidade, fruição do prazer, igualdade e verdade ficaram apenas no plano da arte e da cultura espiritual burguesa, não se manifestando no plano da realidade. Estes valores tornaram-se ideológicos. Foi o que ele denominou de cultura afirmativa, ou seja, &#8220;aquela cultura pertencente à época burguesa que no curso de seu próprio desenvolvimento levaria a distinguir e elevar o mundo espiritual anímico, nos termos de uma esfera de valores autônomos, em relação à civilização. Seu traço decisivo é a afirmação de um mundo mais valioso, eternamente melhor, que é essencialmente diferente do mundo do fato da luta diária pela existência, mas que qualquer indivíduo pode realizar para si ‘a partir do interior’, sem transformar aquela realidade de fato&#8221; (MARCUSE, 1997, 95-6).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Mas,  o que Marcuse não havia notado ainda, é que, a partir do século XX,   a cultura e a arte estavam sendo industrializadas. Esse fenômeno aconteceu  primeiro nos Estados Unidos e somente depois  chegou na Europa. Tal fato foi percebido somente por  Benjamim em seu texto “<strong>A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica</strong>” de 1936. A partir deste texto a indústria cultural passou a ser problematizado.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Enquanto Marcuse e Benjamim publicavam seus textos,  Adorno chegava aos Estados Unidos para trabalhar com Horkheimer. A primeira coisa que o impressionou foi a cultura americana, que era organizada em bases industriais. Ele ficou espantado com o planejamento racional e a padronização dos meios de comunicação de massa. O Estados Unidos já naquela época tinha um aparato produtivo imenso desde 1910,  quando a indústria cinematográfica foi criada. Contudo, seu interesse pelos meios de comunicação de massa começou na Alemanha, em 1934, quando  ele testemunhou a criação do ministério da propaganda nazista. Naquela  época ele teve a percepção do poder de manipulação da propaganda, em particular do rádio e cinema como meios de disseminação da idéias de Hitler. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Dez anos depois de chegar aos Estados Unidos, Adorno juntamente com Horkheimer escreveram o texto que os tornariam famosos:  “<strong>Indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas</strong>”.  Neste texto eles investigaram o poder de manipulação dos meios de comunicação de massa sobre a consciência dos indivíduos. Eles foram os primeiros a perceber uma crise nos mecanismos de formação (Bildung),  sendo este o indício de uma crise mais ampla da cultura. Quando  cunharam o termo indústria cultural no  livro “<strong>Dialética do Esclarecimento</strong>” de 1947, eles já haviam percebido que a cultura estava sendo deformada. Com isso,  usaram esse termo para substituir a expressão “cultura de massas” cunhada pelos apologistas da comunicação, que afirmavam ser porta-vozes de uma cultura que brotava espontaneamente das próprias massas, da forma que assumiria, atualmente, a arte popular.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Para Adorno e Horkheimer a maior conseqüência do advento da indústria cultural foi a degradação da formação cultura e, em conseqüência disso,  a perda da autonomia dos indivíduos. O indivíduo soberano, autônomo do iluminismo deixou de existir. O aparato produtivo e as mercadorias se impôs ao sistema social como um todo.  Os consumidores  dos produtos e das formas de bem estar social tornaram-se prisioneiros do capital. A consciência foi tomada pelos produtos e confortos narcotizantes. &#8220;A autonomia do homem enquanto indivíduo, a sua capacidade de opor resistência ao crescente mecanismo de manipulação da massa, o seu poder de imaginação e o seu juízo independente sofreram aparentemente uma redução. O avanço dos recursos técnicos de informação se acompanha de um processo de desumanização. Assim, o progresso ameaça anular o que se supõe ser o seu próprio objetivo: a idéia do homem&#8221; (Horkheimer, 1976, p.06).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Foi por causa dos produtos e entretenimentos padronizados da indústria cultural que a formação cultural converteu-se em semiformação. Adorno compreendeu a semiformação como uma espécie de semicultura ou pseudo-cultura, cuja característica é ser  unidimensional,  limitada, circunscrita, atomizada. A semiformação é uma formação “definida apriori” que tornou-se “forma dominante da consciência” convertendo-se em “semiformação socializada” sob a determinação da indústria cultural.  Todos os seus produtos e as suas criações estão voltados e adaptados ao consumo de massa. Os produtos são criados com o fim da rentabilidade econômica, de integração e adaptação dos indivíduos a sociedade do consumo. Se a formação cultural da burguesia exigiu um certo esforço intelectual, concentração espiritual e sensorial, a semiformação, ao contrário,  simplificou os elementos complexos, adaptando-os e tornando-os desprovidos de qualquer conteúdo espiritual. Os conteúdos críticos, negativos e emancipadores foram neutralizados, perdendo suas características transcendentes.  A cultura converteu-se assim num valor e tornou-se adaptação ao conformar os indivíduos a vida real.     </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      A semiformação planejada e produzida pela industria cultural renegou os valores transcendentes da literatura, da arte e da música,  de um mundo melhor, mais justo, com liberdade e igualdade.  Citando as palavras de Marcuse, “Foi somente na arte que a burguesia tolerou a realização efetiva de seus ideais, levando-os a sério como exigência universal” (Idem., 1997, p.113). Ao renegar esses valores a “cultura de massa” produziu outros valores em substituição aqueles, como  a beleza, o corpo, a família,  as qualidades da alma e a felicidade individual. Esses valores foram veiculados em seus filmes, romances, novelas, músicas e propagandas. A semiformação tornou-se falsa universalidade, tornou-se idealista e ideológica. Seu objetivo sempre foi  legitimar a sociedade capitalista. Os ideais de liberdade e felicidade para todos ela respondeu com ideais de felicidade individual, fama, dinheiro, beleza e glória. A semiformação tornou-se o apanágio da cultura afirmativa.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Uma das consequências da semiformação é a completa reificação do homem e do mundo. As relações humanas tornaram-se relações mediadas por mercadorias. Essas relações reificadas produzem inevitavelmente o egoísmo, a competição insaciável, o individualismo exacerbado, a ausência de sentido e de objetivos.  Neste processo o homem se aliena de sua própria vida. A busca desenfreada pelo dinheiro, a competição, o consumo compulsivo, a busca de reconhecimento simbólico, a labuta do dia-a-dia não permitem ao homem determinar sua própria vida como projeto, como determinação consciente. Ele deixa de ser livre,  impedindo de  realizar suas potencialidades, sua autonomia e sua autodeterminação. Sua vida deixa de lhe pertence, assim como seu tempo, sua interioridade e seus projetos. Nas palavras esclarecedoras de Teixeira Coelho,  &#8221;para essa sociedade, o padrão maior de avaliação tende a ser a coisa, o bem, o produto; tudo é julgado como coisa, portanto tudo se transforma em coisa – inclusive o homem. E esse homem reificado só pode ser um homem alienado:   alienado de seu trabalho, que é trocado por um valor em moeda inferior às forças por eles gastas; alienada do produto de seu trabalho, que ele mesmo não pode comprar, pois seu trabalho não é renumerado à altura do que ele mesmo produz; alienado, enfim, em relação a tudo, alienado de seus projetos, da vida do país, de sua própria vida, uma vez que não dispõe de tempo livre, nem de instrumentos teóricos capazes de permitir-lhe a crítica de si mesmo e da sociedade&#8221; (COELHO, 1980, p.11).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         A indústria cultural através de  seus produtos e entretenimentos padronizados, produz no indivíduo semiformado uma espécie de pseudo-realidade, cujo objetivo é criar um estado de delírio, de catarse.   Quando Adorno pensou a idéia de esquematismo kantiano no seu ensaio &#8220;Indústria Cultural&#8221;, ele seguramente estava entendendo que os meios de comunicação de massa produzem uma falsa consciência da  realidade.  A indústria cultural é uma espécie de engenharia do real. Ela constrói a realidade como representação com o ampara do técnica e do capital, impedindo os indivíduos de atingirem a verdadeira consciência da realidade.    &#8221;A função que o esquematismo kantiano ainda atribuía ao sujeito, a saber, referir de antemão a multiplicidade sensível aos conceitos fundamentais, é tomada ao sujeito pela indústria cultural. O esquematismo é o primeiro serviço prestado por ela ao cliente.  (&#8230;) Muito embora o planejamento do mecanismo pelos organizadores dos dados, isto é, pela indústria cultura, seja imposto a essa pelo peso da sociedade que permanece irracional apesar de toda racionalização, essa tendência fatal é transformada em sua passagem pelas agências do capital do modo a aparecer como o sábio desígnio dessas agências. Para o consumidor, não há nada mais a classificar que não tenha sido antecipado no esquematismo da produção. (&#8230;) O mundo inteiro é forçado a passar pelo filtro da indústria cultural. A velha experiência do espectador de cinema, que percebe a rua como um prolongamento do filme que acabou de ver, porque este pretende ele próprio reproduzir  rigorosamente o mundo da percepção quotidiana, tornou-se a norma da produção.  Quanto maior a perfeição com que suas técnicas duplicam os objetos empíricos, mais fácil se torna hoje  obter a ilusão de que o mundo exterior é o prolongamento  sem ruptura do mundo que se descobre no filme&#8221; (ADORNO, 1985, p.103-4).    </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O mundo irracional da sociedade do consumo é racionalizado pela indústria cultural e se apresenta como representação realista para os indivíduos. O mundo surge como realidade simulada. A realidade dos filmes, novelas e entretenimentos aparecem como extensão do mundo real, mas como deformação desta. A realidade  deixa de ser fragmentada, as diferenças sociais são apagadas, os problemas parecem ser solúveis,  surge o modelo ideal de família, de beleza, de corpo, de felicidade, tudo é representado como se fosse  a verdadeira realidade. O mundo pela perspectiva da indústria cultural torna-se coeso, ganhando sentido e significado.   &#8220;O mundo, que permanece irracional, seria reconstruído como racionalização, num esquematismo planejado que substitui o que seria a experiência do consumidor, antecipando-a sob os desígnios do capital, resultando na ilusão de que o mundo exterior seria o prolongamento da produção nos termos da indústria cultural. No mundo reconstruído o sujeito semiformado toma-se como sujeito do mundo que meramente reproduz. Para ele a construção parece “natural”, mas é uma “segunda” natureza&#8221;  (MAAR, 2003, p. 463).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Esta característica da Indústria Cultural é mais visível na televisão, pois ela produz imagens da existência como condição social da semiformação. Desde suas origens a televisão tem modelado a vida. Ela sempre produziu a ilusão no lugar da realidade. Em toda sua história ela definiu máximas de comportamento, desenvolveu valores e padrões de conduta.  Adorno em um  debate com seu amigo Helmut Becker sobre a educação, em 1963,  afirmou que a televisão dá “aos homens uma imagem falsa do que seja a vida de verdade. (&#8230;) Justamente porque o mundo desta televisão é uma espécie de pseudorealismo&#8230;” (ADORNO, 1995, p. 85).  A televisão mediada por imagens cria uma pseudo-realidade. O mundo torna-se um mundo-cópia. O indivíduo não consegue distinguir mais o que vem da realidade e o que é representação simulada. Nesse processo ele perde a compreensão do real e passa a se relacionar com este mundo pseudo-real. A pseudo-realidade torna-se o governo invisível dos homens</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            A televisão é o principal veículo da semiformação, isso porque, ela é, em sua própria essência,  “deformativa da consciência”,  contribuindo  &#8220;para divulgar ideologias e dirigir de maneira equivocada a consciência dos espectadores” (Ibidem., p.77).  Ela usurpou dos indivíduos suas capacidades críticas  Nas novelas, filmes, programas e telejornais ela sempre buscou ludibriar o telespectador  criando falsos problemas. Estes foram  tratados e discutidos como se fossem “atuais” e “substantivos”. Mas muitos desses problemas têm o objetivo de ocultar a verdade sobre a realidade. A impressão do telespectador é que todos os problemas e  contradições sociais podem ser resolvido no âmbito da relações humanas. Tudo depende da boa vontade, da iniciativa e perseverança dos indivíduos. &#8220;Exatamente em que, por toda a parte onde a televisão aparentemente se aproxima das condições  da vida moderna, porém ocultando os problemas mediante rearranjos e mudanças de acento, gera-se   efetivamente uma falsa consciência&#8221; (Ibidem., p.83).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Adorno em seu ensaio “Teoria da semicultura”, ao analisar a cultura americana, percebeu nela,  uma “carência de imagens”. No mundo pré-capitalista as imagens religiosas, os cultos, o folclore  que revestiam a existência de cores, assim como as imagens irracionais da idade média se extinguiram deixando o homem carente delas. A partir disso,  a vida perdeu encantamento e sentido.  Com o desenvolvimento da sociedade capitalista a vida foi modelada pela equivalência e pelas relações de troca. A vida se viu “desconsolada”. O homem teve necessidade de uma nova mitologia, ele precisou substituir as imagens e formas  através da semiformação: &#8220;(&#8230;) os meios de massa  adotaram uma mitologia substitutiva que em nada se compara aos fatos de um passado bem próximo ainda. As estrelas de cinema, as canções de sucesso com suas letras e seus títulos irradiam um brilho igualmente calculado. (&#8230;) Por vezes semblantes femininos – muito cuidados e quase sempre de uma beleza estonteante – se explicam por si mesmos como pictografia da semiformação. (&#8230;) A semiformação não se confina meramente ao espírito, adultera também a vida sensorial&#8221; (ADORNO, 1996, p.467).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Foi através das imagens criadas pela indústria cultural que o mundo foi ideologizado. A ideologização da vida tem sua origem nos movimentos totalitários. O regime nazista,  a fim de reforçar seu ideário político na mentalidade da população, fez uso da propaganda através do cinema e do radio. A partir daí  a “indústria cultural”  encontrou nas imagens sua expressão mais influente. Através destes meios houve a propagação de ideias como o embelezamento da vida,  rituais de limpeza,  culto ao corpo belo, forte e saudável e a apologia da eugenia. Foi através dessa ideologização da vida que seis milhões de vida foram ceifadas pelo sistema totalitário na Alemanha. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Um bom exemplo da ideologização da vida são as novelas brasileiras, onde   não há fealdade, tudo é limpo, belo, decente. O rico se apaixonar pela moça pobre, a empregada torna-se  parte da família, o pobre através do trabalho enriquece.  Todos os conflitos são resolvidos, todos os sonhos são realizados, todo sofrimento é apaziguado.   As imagens  do galã bonito, do adolescente rebelde, das mulheres esbeltas, dos conflitos fúteis,   do carro conversível, dos apartamentos aconchegantes, dos edifícios espelhado, das ruas de cidadezinhas com pessoas alegres, da feira de domingo, constituem a ideologia desta sociedade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Neste processo de ideologização da vida,  os próprios produtos tornaram-se ideológicos. O aparato produtivo e as mercadorias se impõem ao sistema social como um todo. O carro, o eletrodoméstico, a casa, os brinquedos, o alimento já trazem consigo atitudes, hábitos, emoções e formas de ser e pensar. A boneca Bárbie já trás a idéia de que  a mulher deve ser magra, alta, bonita, esbelta e superficial. Uma Ferrari já demonstra o poder, o dinheiro, o status quo de quem a possui. Fumar um cigarro é sinal de ser livre e despojado. Os produtos carregam representações, normas e preceitos dizendo as pessoas como devem pensar, como devem agir, como devem sentir e como devem valorizar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Para Adorno e Horkeimer  a mentalidade da indústria cultural é imutável. Ela sempre duplica, reforça e consolida essa mentalidade. Tudo o que poderia transformá-la é por ela excluída. Ela dá aos homens  um critério de orientação num mundo fragmentado e caótico, inculcando conceitos de dever e ordem.  Ela apaga as diferenças de classe e cria a falsa impressão que existe uma coesão social e uma harmonia entre os homens. A indústria cultural,   como domínio técnico da natureza, torna-se a engenharia do real produzindo o engano das massas. Dessa forma, ela impede a formação de indivíduos autônomos, independestes, capazes de julgar e se decidir conscientemente.      </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Através da indústria cultural a  semiformação tornou-se o modo de consciência dos indivíduos.  As pessoas ouvem, lêem, sentem e até deixam se orientar por anúncios e discursos dos meios de comunicação. A partir disso, a plausibilidade dos ideais, dos  valores éticos universais, das normas de nossas ações e crenças perdeu seu significado. Adorno e Horkheimer detectaram uma realidade repressiva de luta e contradição, desintegração, mudança e um sujeito genérico que se dissolveu como mero consumidor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            <strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de janeiro: Jorge Zarhar, 1985</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">_______. Educação e emancipação.  São Paulo: Paz e Terra, 1995.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">_______. Teoria da Semicultura. In: Revista &#8220;Educação e Sociedade&#8221;. Campinas: n. 56, ano XVII, dezembro de 1996, pág. 388-411.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">BOSI, Alfredo. Cultura Brasileira e Culturas Brasileiras. In: Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">DUARTE, R. Teoria crítica da indústria cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2003.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">FREITAG, Bárbara. A teoria crítica: ontem e hoje, São Paulo: Brasiliense, 1994.</span></p>
<div>
<p><span style="color:#ffffff;">HORKHEIMER, Max. Eclipse da Razão. Rio de janeiro: Labor  do Brasil, 1974.</span></p>
</div>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. Rio de janeiro:Guanabara, 1969.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">_______. Sobre o caráter afirmativo da cultura. In: Cultura e sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997,  p.89-136.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">COELHO, Teixeira. O que é indústria cultural. São Paulo: Brasiliense, 2007</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">IANNI, O. A sociedade global. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1992.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">MAAR, W.L. Adorno, Semiformação e Educação. In: Educação e  Sociedade., Campinas, vol. 24, n. 83, p. 459-476, agosto 2003</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">SANTOS, Milton. Da cultura à indústria cultural<strong>.</strong>  Folha . de São Paulo –  Caderno Mais, São Paulo,  p. 18, mar. 2000.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
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		<title>A sociedade do consumo e a vida do espírito</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 13:24:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza A sociedade do consumo  é a personificação da ilha de Ogigia, mencionada na Odisséia de Homero,  onde Ulisses ficou sete anos preso pela ninfa Calipso (aquela que encobre). Ela  vivia em uma gruta, na encosta de uma montanha. A ninfa  prometia a Ulisses eterna juventude e prazeres eternos  se ele ficasse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1755&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2F13_-_Perfeio.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/ninfa.jpg"><span style="color:#000000;"><img class="alignleft size-full wp-image-1764" title="ninfas" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/ninfa.jpg?w=600" alt=""   /></span></a></span><span style="color:#ffffff;">A sociedade do consumo  é a personificação da ilha de Ogigia, mencionada na Odisséia de Homero,  onde Ulisses ficou sete anos preso pela ninfa Calipso (aquela que encobre). Ela  vivia em uma gruta, na encosta de uma montanha. A ninfa  prometia a Ulisses eterna juventude e prazeres eternos  se ele ficasse com ela.  A ilha é conhecida na cultura grega como “Campos Elíseos”. É o destino dos heróis após à morte,   concebido como um paraíso, onde os homens virtuosos descansam. É um lugar florido, arborizante, de lindas paisagens,  onde os homens se divertem e vivem de prazeres eternos.  Ali seria encontrado o  rio Lethe, cujo significado grego é “esquecimento”, “ocultação”. Todo aquele que bebesse desse rio esqueceria sua vida passada.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A sociedade do consumo é o modo de produção e  reprodução material e espiritual  que expande e transforma o consumo de mercadorias  no principal fator das relações e das práticas sociais.  Tal como a Ilha de Ogigia, a sociedade de consumo  propicia uma fauna e uma flora de objetos e prazeres inimagináveis, mas  também  produz  o esquecimento e a alienação sobre nossas próprias vidas.  Nesta Ogigia dos tempos modernos,  as pessoas vivem   vidas que não escolheram, se aferram a valores, crenças e modos de ser e pensar  sem nunca refletirem sobre eles ou sobre suas escolhas. Os indivíduos não sabem o que querem  e também não sabem o que sentem.  Eles se comportam de forma irrefletida, apenas vivem para consumir, sem pensar no que consideram ser seu objetivo de vida ou o que acreditam ser os meios corretos de alcançá-lo. Eles ignoram o que realmente buscam, o que são, o que desejam, o que é relevante ou irrelevante para suas vidas.     Viver na sociedade do consumo é viver num mundo atemporal e do esquecimento.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              Em “<strong>Educação e Emancipação</strong>”  o filósofo alemão Theodor Adorno  argumentou que a sociedade burguesa está subordinado de um modo universal a  lei da troca. Esta por sua própria natureza é atemporal, assim como o cálculo, as mercadorias e a produção industrial. Não existe tempo na relações de troca, tal como não existe tempo na racionalidade técnica. Elas são determinadas por ciclos contínuos e pulsantes.  Com isso,   “a memória, o tempo e a lembrança são liquidados pela própria sociedade burguesa em seu desenvolvimento, como se fossem uma espécie de resto irracional (&#8230;)” (ADORNO, 1995, p.33).  Para Adorno,  a perda da memória e da  lembrança é bastante útil na reprodução da sociedade,  uma vez que tem a função de adaptar os indivíduos as formas de domínio social prevalecentes. “Quando a humanidade se aliena da memória, esgotando-se sem fôlego na adaptação do existente, nisto reflete-se uma lei objetiva do desenvolvimento. (Ibidem., p.33)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O que se evidencia hoje em nossa sociedade, é  que os homens não se encontram mais  rodeados por outros homens, mas por objetos. Baudrillard   em seu livro “<strong>Sociedade do Consumo</strong>”   mostrou-nos que o conjunto das relações sociais já não é tanto com seus semelhantes, mas com as coisas. Segundo ele,  “vivemos o tempo dos objetos (&#8230;) existimos segundo o seu ritmo e em conformidade com a sua sucessão permanente” (BAUDRLLARD, 1970, p.18). Como conseqüência disso, vivemos o não tempo.  Por sua própria natureza  os objetos são  atemporais. O computador, o MP3, o celular, o Ipod, a televisão, o eletrodoméstico só reforçam cada vez mais o  individualismo e a solidão dos indivíduos.    É a superioridade das coisas em detrimento dos homens.  As relações humanas se reificaram, banindo as relações afetivas. Os objetos invadiram, conquistaram e colonizaram nossa vida espiritual. Se o tempo é uma  forma apriori da nossa sensibilidade, se o tempo é uma característica do pensar humano como afirmou Kant, então o mundo dos objetos é desprovido de tempo.  Por esta razão, vivemos na intemporalidade. A nossa vida é uma sucessão de  presentes, desprovido de passado e futuro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Na sociedade do consumo o indivíduo é determinado por uma rotina ininterrupta. Os mesmos gestos, as mesmas atividades,  as mesmas diversões.  Acordar sempre no mesmo horário, pegar o mesmo ônibus, realizar as mesma atividade no trabalho, ver os mesmos rostos,  seguir para casa seguindo o mesmo trajeto. O tempo parece não existir. Zigmunt Bauman no seu livro “<strong>Vida para o consumo” </strong><strong>(consuming life)</strong>   compreendeu a passagem do tempo na sociedade do consumo como um tempo pontilhista (pontuado), como uma sucessão de presentes.  Para ele,  o tempo não é mais linear e cíclico, como costumava ser para os membros de outras sociedades. O tempo se fragmentou  numa multiplicidade de “instantes eternos”. Citando as palavras de Mafessoli: “a vida, seja individual ou social, não passa de uma sucessão de presentes, uma coleção de instantes experimentados com intensidades variadas” (MAFESSOLI, apud BAUMAN, 2008, p. 46).  Bauman  citou ainda o termo cunhado por Stephen Bertman,  “cultura agorista” ou “cultura apressada”, para denotar a maneira  como vivemos na sociedade do consumo.   Nesta sociedade o consumo é instantâneo e a remoção é também instantânea de seus objetos. Novos objetos e  necessidades surgem a todo momento e são consumidos ininterruptamente. É uma profusão de instantes que se repetem através das mesmas ações e atividades que se equivalem. Com a perda da noção de tempo o indivíduo encontra-se alienado em relação a sua própria vida e a sua interioridade,  vive-se apenas para o trabalho e para o consumo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Esse vácuo interior, essa falta de sentido da vida tem uma conseqüência para a vida espiritual do indivíduo: a violência, as drogas, as compulsões  e as doenças psíquicas.  Não é  a toa que nossa época é conhecida como a era dos antidepressivos. A onda de depressão e de  ansiedade tornou-se um fato comum no mundo contemporâneo. Para  a Organização Mundial da Saúde até 2020 a depressão se tornará a segunda principal doença em escala mundial, atrás apenas de doenças cardíacas.  As empresas farmacêuticas chegam a gastar 25 bilhões de dólares com propagandas de antidepressivos.  Hoje a depressão já é a primeira causa de incapacidade de adultos acima dos trinta anos.          </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A sociedade burguesa tornou o consumo o fundamento  compulsivo da civilização. Vivemos na era das compulsões: compulsão por comida, compulsão sexual, compulsão por drogas, compulsão por compras. Numa sociedade onde as relações humanas tornaram-se reificadas, onde a vida dos homens é sem sentido e fragmentada, o resultado são as compulsões. Toda tensão, conflito, frustração gera uma grande carga emocional, que geralmente é descarregada num comportamento compulsivo.  Para os psicólogos e psicanalistas toda compulsão  serve como uma forma de compensação de nossas frustrações e ansiedades. Nos entregamos ao excesso para compensar.  Vivemos como na ilha de Ogigia, no reino do esquecimento, buscando prazeres contínuos e ininterruptos. Estamos sempre rodeados por infinitas possibilidades de satisfação, sempre a procura de novos prazeres e objetos que nos satisfaçam.       </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Comprar tornou-se uma necessidade orgânica. Fazer compras nos propicia um grande prazer e nos faz esquecer.  O consumo é um momento de  catarse. É a purificação da alma através da identificação com o objeto.  É o momento supremo de  descarga emocional. Quando consumimos nos sentimos aliviados de qualquer tensão emocional acumulada. Um dia estressante de trabalho,  uma discussão com o chefe, o engarrafamento do trânsito, o mal humor do conjugue, desaparecem da consciência como num passe de mágica. Esquecemo-nos de nossos problemas, de nossas frustrações e do nosso cotidiano regular e  monótono. O consumo é um momento lúdico e atemporal de grande descarga afetiva.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/consumismo1.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-medium wp-image-1756" title="consumismo" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2011/04/consumismo1.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></span></a>A catarse do consumo é equivalente a catarse religiosa. Nos ritos religiosos observamos uma grande quantidade de descarga emocional, o indivíduo chora, ri, se deslumbra, sente alegria, êxtase, contentamento.   Aristóteles foi o primeiro a perceber estes sentimentos no teatro grego, que surgiu como manifestação religiosa em homenagem aos deuses.  Ele usou o termo “catarse” para expressar o efeito peculiar exercido pelo história dramática  sobre os seus espectadores. Na passagem da alegria para a desgraça do herói,  o espectador experimentaria sentimentos de piedade, compaixão, terror, repugnância, raiva, alegria.  Para ele, a história teria o objetivo de purificar os espectadores ao excitar esses afetos que agem como uma espécie de alivio ou descarga de sua próprias emoções.  Dessa forma,  a catarse se manifesta num duplo sentido,   como  prazer e como alívio. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          A sociedade do consumo se caracteriza por ser uma sociedade do prazer e da satisfação. Se estivermos tristes, em depressão ou tediados basta ir ao shopping e comprar as marcas e os produtos que desejamos  para recuperarmos  o equilíbrio emocional. Para o homem contemporâneo, não há nada mais prazeroso do que fazer compras e não há nada mais feliz do que consumir. Consumir um produto significa sentir-se bem, alegre e feliz. Este argumento não é especulativo, mas científico. Estudos da neurociências mostraram que o consumo de um produto  estimula o núcleo accumbens, que pertence ao sistema límbico e funciona como o centro do prazer. Suas células nervosas são ativadas por um neurotransmissor, a dopamina, levando à liberação dos chamados opiáceos endógenos  produzidos pelo próprio organismo. Estas substâncias estão associadas à sensação de prazer e bem-estar. Dessa forma, o consumo além de suprir um desejo e uma necessidade causa prazer e torna o indivíduo alegre e feliz.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            O diagnóstico acima demonstra que a tese de Freud, a  de que os indivíduos não poderiam viver sobre o princípio de prazer, tornou-se uma falácia. Ao refletir sobre o propósito da vida,  Freud chegou à conclusão de que o objetivo da civilização não é o prazer, mas a renúncia a ele.  A vida do indivíduo é a busca constante pela realização da satisfação do prazer, mas esta  satisfação é impossível de realizar num mundo carente e escasso de recursos.  O mundo é hostil as necessidades humanas, para tudo que é bom e prazeroso exigem-se trabalhos penosos e sofrimentos. O individuo deve trabalhar para poder sobreviver. Ele deve abandonar o princípio de prazer e se submeter ao princípio de realidade. O processo civilizatório é marcado pela renúncia e pelo sentimento de insatisfação que os homens experimentam vivendo em sociedade.  Apesar desse diagnóstico,   Freud não esperava que a humanidade chegasse a um estágio de abundância e satisfação.  Ele não esperava que o desenvolvimento técnico e científico  possibilitasse aos seres humanos uma grande quantidade de bens materiais e intelectuais,  capaz de satisfazer prazeres inimagináveis. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              O principio de prazer e o princípio de realidades são os dois princípios que regem o funcionamento mental.  Na evolução da humanidade o ser humano teve que substituir o princípio de prazer pelo princípio de realidade, uma vez que a o mundo externo é hostil a satisfação das necessidades humanas. Os processos mentais descritos por Freud  são regulados  num primeiro momento pelo princípio de prazer. A busca do prazer é uma luta pelo escoamento livre das quantidades de excitação causado pelo impacto da realidade externa sob o organismo. O alívio de estímulos seria a completa gratificação da excitação. Contudo, através do conflito do homem com o mundo externo surge um outro princípio que deve proteger e reger o funcionamento mental: o princípio de realidade. Esse princípio aparece secundariamente como uma modificação do princípio de prazer, tornando-se a pedra angular dos processos mentais, em particular, dos processos conscientes (Ego). Foi através do princípio de realidade, no seu confronto com o princípio de prazer, que o organismo teve que construir defesas que o protegessem dos desprazeres causado pelo mundo externo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Para Freud a substituição do princípio de prazer pelo princípio de realidade foi necessário na história da civilização. Seu argumento afirma que o homem para viver em sociedade não pode viver sob o regime do princípio do prazer.  “Este programa nem se quer é realizável, pois toda a ordem do universo se opõe a ele e, além disso, estaríamos por afirmar que no plano da criação não inclui o propósito do homem ser feliz”  (FREUD, 1974, p.3025). No atual estágio da civilização, a teoria da cultura freudiana tornou-se problemática. O princípio de prazer tomou o lugar do princípio de realidade. A nossa época provou, ao contrário do que pensava Freud, que a sociedade pode ser regida pelo princípio de prazer. O diagnóstico de Freud  falhou, pois ele universalizou a cultura de sua época para toda a história da civilização. Ele vivia  na época vitoriana, num período de valores éticos como respeito, civilidade, polidez, considerados as mais elevadas virtudes sociais. Mas também era  uma época de preconceitos, repressão moral e hipocrisia. Apesar de viver num período de  desenvolvimento técnico e científico, de industrialização e de grandes empreendimentos, Freud nunca imaginou que pudesse existir uma sociedade do consumo, cujo princípio é  o prazer e a satisfação.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            A primeira característica do princípio de prazer é que ele busca  uma  satisfação constante.  Entre um prazer e outro nada melhor que um novo prazer. Este é o princípio compulsivo do aparelho mental. O objetivo do princípio de prazer é liberar as tensões acumuladas do aparelho neuronal.   Freud relaciona o prazer e o desprazer à quantidade de excitação existente neste aparelho.  Corresponde ao prazer a diminuição da quantidade de excitação e ao desprazer o aumento dessa quantidade. A busca do prazer é uma luta do organismo para diminuir as quantidades de excitação, causado pelo impacto da realidade externa sob o organismo. Freud chamou esse mecanismo de aliviar as tensões de “princípio de constância”, ou seja, é a tendência do aparelho neuronal em manter a quantidade de excitação  baixa  ou mais constante possível.  Ele compreende este princípio como um conceito econômico. Cada vez que a tensão aumenta no aparelho este princípio se encarrega de descarregá-la.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O princípio de prazer é o fundamento psicológico da sociedade do consumo. Este princípio não é afetado pelo tempo, ignora valores bem e mal, moralidade, esforça-se simplesmente pela satisfação de suas necessidades instintivas.  Ele é compulsivo em sua própria essência. Daí a explicação para as compulsões e a descarga emocional que os produtos da sociedade do consumo propiciam.  O consumo propicia uma grande prazer aliviando as tensões do dia-a-dia enfrentado por milhões de seres humanos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           A sociedade do consumo pode ser definida utilizando a terminologia de Herbert Marcuse, como “unidimensional”. É unidimensional na medida em o aparato produtivo e as mercadorias se impõem ao sistema social como um todo. As mercadorias, os produtos, os entretenimentos, os transportes, a alimentação trazem consigo atitudes, hábitos, emoções e formas de ser e pensar. Prendem, assim, os consumidores agradavelmente aos produtos e formas de bem-estar social. Os produtos desta sociedade invadiram a dimensão interior do homem submetendo-a as formas de domínio social prevalecentes O próprio indivíduo reproduz e perpetua os controles externos em sua consciência. Essa introjeção ocorre a partir de processos relativamente espontâneo, onde o “Eu” transfere o exterior para seu interior.  A produção, distribuição de mercadorias, o trabalho e os entretenimentos idiotizados tomaram a vida espiritual do indivíduo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> <strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> ADORNO, Theodor. Educação e emancipação.  São Paulo: Paz e Terra, 1995.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> BAUDRILLARD, Jean.  La société de consommation: ses mythes, ses structures. Paris: Edition Danoël, 1970.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> BAUMAN, Zigmunt. Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed, 2008.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S. El Malestar en la cultura. Madri, Ed. Standard, Obras completas, Tomo VIII, Madri,  1974. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">MARCUSE, H. A ideologia da sociedade indústrial. Rio de janeiro:Zahar, 1967.</span></p>
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		<title>Nietzsche e a filosofia como libertação</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 10:52:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza   Nietzsche pode ser considerado um dos filósofos mais importantes do mundo contemporâneo, sendo o grande responsável pela “crise da modernidade”. Nasceu em Roecken (1844), na Prússia, estudou filologia em Bonn e Leipzig, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade de Basiléia, na Suíça, em 1869. Foi influenciado pela filosofia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1472&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><span style="color:#000000;"> <span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2Fvalsadeamelie.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/12/nit.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2022" title="nit" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/12/nit.jpg?w=600" alt=""   /></a></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Nietzsche pode ser considerado um dos filósofos mais importantes do mundo contemporâneo, sendo o grande responsável pela “crise da modernidade”. Nasceu em Roecken (1844), na Prússia, estudou filologia em Bonn e Leipzig, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade de Basiléia, na Suíça, em 1869. Foi influenciado pela filosofia pessimista de Schopenhauer e tornou-se amigo do músico Richard Wagner, com quem depois rompeu relações</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Nietzsche foi um crítico mordaz dos valores do racionalismo iluminista e dos valores morais e religiosos de nossa época. Ele constatou que noções como verdade, justiça, razão, bem, mal, virtude, Deus foram relativizados no mundo moderno como conseqüência do progresso técnico e científico. Dessa forma, segundo o professor Oswaldo Giacóia, ele “dedicou sua vida a realizar três tarefas: compreender a lógica desse movimento contraditório ao longo do qual o progresso do conhecimento leva à perda de consistência dos valores absolutos; a partir daí, denunciar todas as formas de mistificação pelas quais o homem moderno oblitera sua visão dos perigos de sua condição; por fim, destruídos os falsos ídolos – e esses são os valores mais venerados pelo homem moderno -, assumir corajosamente o risco de pensar novos valores, abrir novos horizontes para a experiência humana na história.” (Giacóia, 2000, p.17).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Nietzsche é considerado o filósofo dos instintos e da vontade de potência, sendo inimigo do “amolecimento moderno dos sentimentos” e condenando o homem moral, fraco e religioso. Ele se propôs a si mesmo fazer uma crítica dos valores morais, colocando em questão o próprio valor desses valores. Com isso, identificou a razão e a racionalidade com a decadência e o ódio aos instintos. A racionalidade desde o nascimento da filosofia tornou a razão (logos) o paradigma para o mundo ocidental, fundamentado nas categorias éticas que têm orientado os homens ao longo da história, reprimindo os instintos de vida celebrados pela tragédia grega, em nome de uma vida ética e consciente. O “logos” subjugou os instintos criadores. O homem de rapina que age guiado pelos instintos foi substituído pelo homem racional. A vida foi subjugada pela razão.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              A filosofia de Nietzsche é uma filosofia dos afetos, das paixões e desejos, que contempla o individualismo, a força, a abundância e os instintos de vida. Para ele filosofar não era uma atitude teórica e contemplativa, mas uma atitude prática que se enraíza na vida, um ato de libertação de toda subjugação, de toda moral, de toda deformação e de tudo aquilo que nos prende a religiões, grupos e ideologias. Em “Crepúscolo dos Idolos” Nietzsche afirma que o homem livre é um guerreiro. “Pois o que é a liberdade? Ter a vontade de responsabilidade própria. Manter firme a distância que nos separa. Tornar-se indiferente a cansaço, dureza, privação, e mesmo à vida. Estar pronto a sacrificar à sua causa seres humanos, sem excluir a si próprio. Liberdade significa que os instintos viris, que se alegram com a guerra e a vitória, têm domínio sobre outros instintos, por exemplo, sobre o da ‘felicidade’. O homem que se tornou livre, e ainda mais o espírito que se tornou livre, calca sob os pés a desprezível espécie de bem-estar com que sonham merceeiros, cristãos, vacas, mulheres, ingleses e outros democratas. O homem livre é um guerreiro.” (Nietzsche, 1974, p.348-9)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             A filosofia como libertação se personifica em um dos seus personagens: Zarathustra. Zarathustra é aquele que nos ensina o caminho da liberdade, ensina-nos como devemos ser senhor de si mesmo. Publicado entre 1883 e 1885, “Assim falou Zarathustra”, é considerado um dos seus principais livros. Neste livro, de forma poética, está condensado toda sua filosofia. Através de Zarathustra Nietzsche criticou os valores morais de sua época, desconstruiu a metafísica, denunciou o atraso da educação e cultura alemã, criticou o estado e a política. Mas o que nos interessa em Zarathustra são seus ensinamentos. Ele nos ensina que a dor e o sofrimento é parte integral da vida e que viver é um processo contínuo de libertação. É sobre este personagem que trataremos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Afinal, o que Zarathustra nos ensina?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Zarathustra é o além do homem (Übermensch), pois ele viu muitas coisas, sofreu muito, amou, odiou, foi guerreiro, experimentou a morte, comemorou a vida. Em seu caminho cheio de pedras ele superou a si mesmo. Em sua Odisséia ele superou muitos monstros, muitos dragões até tornar-se ele próprio, até tornar-se Zarathustra. O que Zarathustra nos ensina é tornar-se “si mesmo”. Essa é sua principal sabedoria. É isso que devemos aprender com ele, devemos aprender a ser nós mesmos. Não devemos seguir ninguém, não devemos seguir ídolos, nem mesmo a Zarathustra . Ele nos exorta a comer muito sal, a aprender com a pedra, que ela é dura, a saber que na dor há esperança e que o destino somos nós que fazemos. Quem nunca sentiu dor não sabe o que é a vida. Todos nós temos Zarathustra dentro do coração, mas também temos um dragão que impera com suas regras e normas. Para fazer surgir uma estrela que dance devemos quebrar muitas tábuas de leis. Quem quiser nadar que entre na água. Quem quer, mas não age, apenas deseja e sofre.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Foi muito difícil a Zarathustra tornar-se si mesmo, foi preciso muita coragem, foi preciso engolir muito sal. Ele soube reconhecer seu destino. Ele soube viver sua vida. A maior parte dos homens não vive sua vida, não cumpre seu destino. Temos que aprender a coisa mais difícil desse mundo: aprender a viver. Viver é saber qual é o nosso destino. O destino não pode ser imposto de fora, ele deve ser puro como o mais fino brilhante, ele vem de dentro de nossos corações, devemos identificá-lo. Quem reconheceu seu destino quer cumpri-lo. Quem deseja amar, que ame. Quem deseja a liberdade, que se liberte.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             No destino há dor, mas também há esperança. É na dor que aprendemos qual é o nosso destino. A dor nos ensina a viver. Devemos respeitá-la e amá-la como algo necessário.   Muitos indivíduos não respeitam sua dor, não aprendem nada com ela. Estão sempre se lamentando e maldizendo a vida. Muitos nem ao menos sabem por que sofrem. Acham que a dor é causada pela falta de dinheiro, falta de amor, falta de emprego. Se  tentassem entender a dor,  tudo seria mais fácil. Perceberiam que ela não é causada pelo mundo, mas é uma dor pessoal causada pela insatisfação, causada pelo desejo de viver, causada pelo desejo de liberdade.  Não percebem que é seu destino que reclama dentro de seus corações. Os homens sufocam seu destino e é na dor que o destino grita por socorro.      É o destino em nossos corações que reclama à vida</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">                      Zarathustra nos ensina que falta obstinação ao homem. Falta personalidade. Temos que viver conforme o nosso coração. A verdade está em nós mesmos. Não devemos seguir o rebanho. Temos que deixar de ser gregários. Temos que adquirir perspectivas pessoais. Temos que ser frios e corajosos.  Tudo que existe possui um destino. O destino do pássaro é voar. O destino do peixe é nadar. O destino do homem é realizar seu sentido interno. Temos que descobrir o nosso sentido interno, a nossa natureza.  Só assim nos tornamos um espírito livre.  Temos que  voltar a sermos crianças, pois &#8220;a criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação&#8221; (Nietzsche, 2004, p.36)   A criança é um espírito livre. Ela segue seu sentido interno. Ela é pura espontaneidade, necessidade, liberdade, não sente culpa, não tem malicia, é inocência e sua vida consiste em brincar. Já o adulto é consciente de seus atos, sabe que para viver em sociedade deve abandonar uma grande parte de seus sonhos e desejos, pois deve se adaptar as exigência da vida social. O homem civilizado vive uma vida inautêntica. É um ser não-livre, moral, que sente culpa e remorso pelos seus atos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Para Zarathustra o destino do homem é crescer enquanto indivíduo. O sentido interno do homem está ligado a sua vontade de potência, a sua vontade de crescimento. O que importa é a nossa força interna, a força vital. O importante é cumprir o nosso destino individual. Enquanto seres gregários não temos individualidade. A individualidade é algo que temos que adquirir através do nosso destino pessoal. Temos que viver autenticamente a vida. Temos que ser nós mesmos. O indivíduo só se torna o que se é por suas próprias forças, ou seja, por sua vontade de potência. “E onde há sacrifício, serviço e olhar de amor há também vontade de ser senhor. Por caminhos secretos desliza o mais fraco até a fortaleza, e até mesmo ao coração do mais poderoso, para roubar o poder. E a própria vida me confiou este segredo. ‘Olha &#8211; disse – eu sou o que deve ser superior a si mesmo’”.(Nietzsche, 2004,p.96-7) O que Zarathustra nos ensina é ser senhor de si mesmo, pois aquele que é senhor de si mesmo é senhor do mundo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Bliografia</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Giacóia , O. Nietzsche. Publifolha, 2000 (Folha explica)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Nietzsche, F. Assim Falou Zarathustra. Martin Claret: São Paulo, 2004</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Nietzsche, F. Crepúsculo dos idolos. In: Os Pensadores.São paulo: Abril, 1974</span></p>
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		<title>A horda dos tempos modernos: violência e barbárie entre os jovens</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2010 15:15:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong></strong><span style="color:#ffffff;"><strong>Por Michel Aires de Souza</strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">&#8220;</span><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Findiemuse.com%2Fwp-content%2Fuploads%2F2009%2F02%2F18%20Summer%2078%20%28Instrumental%29.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>       </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/11/punks.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1382" title="punks" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/11/punks.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">Tornou-se comum nos últimos dias na imprensa noticiários de grupo de jovens que atacam   violentamente pessoas indefesas, seja por motivo de xenofobia, preconceito ou  sem motivo aparente. Na avenida Paulista,  cinco jovens de classe média atacaram um rapaz com uma lâmpada fluorescente  por motivos de homofobia. No Rio de janeiro,  cinco jovens, também de classe média,  roubaram e espancaram uma empregada doméstica no ponto de ônibus. Pensavam que ela era uma prostituta.  Em Brasília,  três jovens da elite atearam fogo  em um índio pataxó por motivo torpe. Alegaram que era apenas  por diversão. Esses três casos mais comentados na imprensa demonstram o espetáculo patético e perverso de nossa juventude.  O que se nota é que esses jovens agridem violentamente e justificam sua atitude através de motivos banais. O ódio a homossexuais, a nordestinos, a prostitutas, a pobres e a rivalidade de grupos são as justificativas mais comuns. Será que o preconceito e a xenofobia não escondem algo mais profundo, mais subjetivo e inconsciente?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              A psicanálise pode nos oferecer o instrumental para analisar essa violência que se tornou uma constante em nossa atualidade.  Do nosso ponto de vista, há dois motivos que levam os jovens a praticar a violência gratuitamente.  O primeiro motivo  é um problema de ordem grupal e intersubjetivo, o segundo motivo é de ordem individual e subjetivo. Trataremos primeiro daquele e depois deste.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Freud em seu livro “Psicologia de Grupo e Análise do Ego” de 1921,  mostra-nos a partir das idéias de Gustave Le Bon,  de forma  impressionante  e magistral, as transformações psicológicas por que passa o indivíduo ao fazer parte de um  grupo.  A partir de algumas idéias deste livro tentaremos analisar e entender melhor a regressão social, a violência e a barbárie  a que estão submetidos os jovens em nossa atualidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             É notório que o adolescente sempre andou em grupos. Este fato tem um enorme significado sobre as psicologia dos jovens. O indivíduo que vive em grupo reproduz sentimentos inconscientes primitivos da horda primordial. O jovem comporta-se como se pertencesse a um bando de primatas dos primeiros tempos da humanidade.    Quando o jovem passa a fazer parte de um grupo,  ele adquire um sentimento de enorme poder que o leva  a dar vazão aos seus instintos de forma inconseqüente.  Ele sente que seus desejos emocionais podem ser facilmente realizados sem grandes conseqüências. O Jovem sente que é parte de algo maior do que ele,   sente-se que é querido e amado e,  por estas razões,  é facilmente levado pelas ações e idéias do resto do grupo. Se ele estivesse isolado não seria facilmente convencido, mas como faz parte do grupo,   é facilmente sugestionado, agindo de forma quase inconsciente aos apelos dos outros membros do  grupo.  O jovem deixa de ser um ser consciente e passa a pensar e agir de forma inconsciente. A grande importância de Freud na análise de psicologia do grupo foi a de acentuar as motivações inconscientes e primitivas no comportamento do grupo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O jovem quando participa de um grupo perde a noção de controle e equilíbrio emocional. O autocontrole deixa de existir, o indivíduo torna-se mais impetuoso, mais agressivo e mais emocional.   Se tivesse isolado pensaria antes de agir, mas em grupo perde sua autonomia e vontade própria. É como se estivesse sobre o efeito de alguma droga.  Sua automotivação  fica sujeito as motivações do grupo.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Todo grupo  é em sua essência impetuoso, inconstante, agressivo e tem sentimentos de onipotência.  Eles são rebeldes, contrário as normas sociais e inclinados à violência. Apesar de serem contrários as normas sociais o grupo é conservador, ama as tradições e as ilusões que lhe dão força. Eles são dominados  por uma espécie de inconsciente coletivo. Suas atitudes são sempre conservadoras, daí a perseguição a  homossexuais, nordestinos, prostitutas e pobres .Eles adotam atitudes extremas em sua conduta ética. Muitos desses jovens são inteligentes e têm boa formação, contudo a capacidade intelectual do grupo é bem abaixo de seus membros isoladomente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Todo grupo de jovens tem entre seus membros uma forte relação emocional ligados por desejos comuns, por costumes ou hábitos. Para Freud o que liga  o grupo é a libido. É o instinto gregário da espécie humana.   O individuo abandona sua individualidade e deixa se levar pelas idéias do grupo, pois tem a necessidade de pertencer a algo maior do que ele e de viver em harmonia, ser amado e respeitado. Ele herdou o desejo de viver em “bandos” da “filogênia da libido humana”.  Para Freud a função de  Eros é criar complexidades cada vez maiores de vida. É o amor que une os indivíduos e cria os agrupamentos humanos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      Todo grupo de jovens tem um chefe, geralmente é o mais popular, o mais agressivo, o mais admirado.  Ao analisar a igreja e o exército, Freud chegou a conclusão que o chefe é o segundo fator depois de Eros na unificação  do grupo. Por meio  do chefe todos os membros ligam-se uns aos outros por relações de amor (Eros). O chefe  mantém o grupo unido por um estado de identificação mediante seu amor e através de um catarse sobre os membros, isto é,  agindo hipnoticamente sobre o grupo. O chefe personifica o “ideal do Ego”. Este liga-se as funções de autoconservação, consciência moral e repressão. Cabe ao chefe, portanto, o controle das consciências do grupo. Ele une todos do grupo pela  identificação  uns com os outros e pela mesma  percepção da realidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Nota-se  que o grupo age sempre de forma  primitiva, agressiva e infântil. O jovem é determinado por uma herança arcaica.  Traços de memória do passado  se reproduz nos membros grupo. A horda primordial continua determinando a formação de bandos ainda hoje. As experiências infantis dos indivíduos do grupo  estão ligadas às experiências da espécie.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/11/varios_skinhead_acto_berlin1.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-1383" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/11/varios_skinhead_acto_berlin1.jpg?w=600" alt=""   /></span></a> Outro fator que asseveramos para a extrema violência dos jovens hoje  é de caráter individual e subjetivo. Para sermos mais claro, é um problema de ordem sexual.  A insatisfação sexual libera forças destrutivas no indivíduo.  São dois impulsos básicos que governam o homem: os impulsos sexuais (Eros) e os impulsos agressivos (thanatos). Qualquer impedimento de ordem sexual e de insatisfação dos desejos liberam as forças destrutivas.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Freud diagnosticou em sua época que grande parte da violência contra a sociedade provém  do conflito irreconciliável entre as exigências pulsionais e as exigência repressivas da civilização. O indivíduo para viver em sociedade deve abandonar uma grande parte de seus desejos e satisfações,  canalizando sua energia sexual para o trabalho. Todos os bens materiais e intelectuais da sociedade têm sua origem na repressão sexual. Em conseqüência disso, as restrições à sexualidade exigida  pela civilização liberta as forças destrutivas no homem. Para Freud este é o motivo de toda violência no interior das práticas sociais.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">              Hoje não vivemos mais numa sociedade repressora como a de Freud. A sexualidade não é mais reprimida como antigamente, pelo contrário, nunca como antes ela foi tão incentivada. A todo momento é possível ver na televisão a exibição de corpos de homens e mulheres seminus. O culto ao corpo e principalmente a exposição de bundas no dia-a-dia da televisão tornou-se uma mania nacional. Apesar dessa liberalização, o jovem  tem muita dificuldade com sua sexualidade. Ainda hoje as dificuldades sexuais é resultado de uma educação sexual repressora e distorcida. O medo, a ansiedade, a culpa associada ao prazer do corpo são comuns em famílias conservadoras.   Além disso, o desenvolvimento sexual na adolescência não é uma fase fácil, mas é cheia de conflitos, complexos e ansiedade gerando uma grande frustração e, em conseqüência disso, produzindo uma  grande tensão capaz de liberar  enormes forças destrutivas. Muitos jovens têm dificuldades de realizar sua sexualidade plenamente por várias causas,  como ansiedade, dificuldade de ereção, complexos de inferioridade, rejeição,  timidez, etc.    </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Se o diagnóstico de Freud é correto, se a insatisfação da libido gera os impulsos destrutivos no homem, então  um dos motivos para a extrema violência da juventude é devido as dificuldades com sua sexualidade.  A não satisfação da sexualidade no jovem provavelmente é responsável  pela liberação de forças primordiais violentas.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O que buscamos aqui foi analisar a violência juvenil do ponto de vista do inconsciente. Contudo, devemos acrescentar que a perda dos valores e a crise familiar no mundo moderno contribuiu para o aumento da violência entre os jovens. A família como formadora da individualidade se fragmentou. Os laços familiares se tornaram frágeis por causa das exigências do mundo exterior. A família não constitui mais um núcleo fixo de produção do sujeito. O adolescente de hoje já não  tem  mais o convívio do pai. O pai deixou de ser um parâmetro ou modelo a ser seguido. Não há mais parâmetros ou padrões definidos A mídia e  os grupos de amigos ensinam os modelos, as formas de ser, de pensar, de agir e de valorizar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S<span style="text-decoration:underline;">. <strong>O mal estar na civilização</strong></span>. Rio de Janeiro, Imago,  Edições Standard, Tomo  XXI ,1969.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S. <strong><span style="text-decoration:underline;">O futuro de uma ilusão</span></strong>.  Rio de Janeiro, Imago, Edições Standarrd,  Tomo XXI,  1969.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S. <span style="text-decoration:underline;"><strong>Totem e tabu</strong></span>. In: Obras completas de Sigmund Freud; trad. Dr. J.P. Porto. Rio de Janeiro: Delta, 1980</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S.<strong> <span style="text-decoration:underline;">Psicologia de Grupo</span></strong><strong><span style="text-decoration:underline;"> e a Análise</span></strong><span style="text-decoration:underline;"> <strong>do Ego</strong></span> . Rio de Janeiro: Imago, 1996.</span></p>
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		<title>O nascimento e a morte do sujeito moderno.</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Nov 2010 02:14:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><strong><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FEdnardo%2520-%2520Pavao%2520misterioso.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span> </strong></p>
<p style="text-align:justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-1263" title="Quem sou eu" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/11/quemsoueu.png?w=600" alt=""   /><span style="color:#ffffff;">O problema da sujeito não é um velho problema do pensamento filosófico ocidental. Este problema tem sua origem no mundo moderno.   Os antigos Gregos  criaram uma extensa gama de conhecimentos científicos, como também os grandes fundamentos do pensamento filosófico e do pensamento político, contudo  nunca pensaram o problema do sujeito.   Os Gregos estavam mais interessados em especular sobre os problemas da natureza (physis)  O que eles  buscavam era uma explicação racional e sistemática do universo. É através do estudo da origem e movimento da vida natural que os primeiros filósofos criaram uma extensa gama de conhecimentos científicos, como a física, a matemática, a astronomia e a lógica,  dando origem ao pensamento ocidental.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      Se a preocupação dos antigos era desvendar a origem e as transformações da natureza, o grande problema da filosofia moderna ocidental era indagar sobre o conhecimento. O colapso da ordem social, econômica e cultural medieval possibilitaram ao homem moderno o  interesse pelo conhecimento.  O valores como racionalismo,  humanismo e  antropocentrismo tornaram-se  essenciais para libertá-lo das amarras da ordem feudal e da Igreja. A partir desses valores ele aprendeu inquirir, investigar e decifrar sua própria realidade.  O homem  colocou-se a si próprio como centro dos interesses e decisões de sua própria vida.  Com o avanço do pensamento e das ciências, ele  passa a se interessar pelo modo como conhecemos o mundo. Ele  se afasta de metas transcendentes, deixando de se preocupar com outro mundo e passa a se preocupar com esta vida, com este mundo. O indivíduo  ganha consciência de sua subjetividade essencial.  Entre a realidade  e o conhecimento está o sujeito. Este  passa a ser o motivo de suas preocupações.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Os gregos conceberam o conhecimento da realidade como desvelamento. A verdade é aquilo que se desvela. Conhecer é contemplar a vida como ela é, deixando-a  falar por si mesma.  Já para a filosofia moderna  o conhecimento da realidade dá-se como representação.  O conhecimento só é possível como relação entre o sujeito que conhece (ser cognoscente) e o objeto (ser cognoscível). O sujeito projeta seus modos ou estruturas perceptivas no objeto para captar suas características e propriedades. É dessa relação cognitiva  que surge o conhecimento. Por esta razão, a noção de sujeito torna-se fundamental na investigação do conhecimento da realidade. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          No século XVII, o filósofo francês René Descartes (1596-1650) vai ser o primeiro a colocar  a pergunta “O que sou?”. Sua resposta: “uma coisa que pensa”.  A certeza do cogito inaugura a noção de sujeito moderno. A subjetividade torna-se o fundamento do sujeito do conhecimento.  Em seu livro “Discurso do método”, ao duvidar de todo conhecimento  que o precedeu, Descartes procurou a verdade no grande livro do mundo. Seu ponto de partida era a busca de um axioma que pudesse servir de fundamento a todo conhecimento, uma  verdade primeira indubitável.  A partir da dúvida  Descartes chega a uma verdade certa e segura,o eu penso:  “<strong>cogito ergo sum”. </strong>Se duvido, eu penso; se penso, eu existo. O eu cartesiano é puro pensamento (res cogitans). O pensamento é o lugar da verdade, é o puro intelecto, pois é por meio dele que adquirimos as idéias claras e distintas. É esse puro intelecto que se torna o núcleo do sujeito  moderno.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         O filósofo Emannuel kant (1724-1804) também contribui para a construção da noção de sujeito no mundo moderno. Para indagar sobre a natureza de nossos conhecimento ele colocou a razão num tribunal para poder julgar o que podemos conhecer e o que não podemos conhecer, traçando os limites de nosso pensamento. Com isso descobriu que a consciência só lida com fenômenos.     O real não é algo externo ao indivíduo, mas este o produz no interior de si mesmo. Somos nós que através de certas faculdades apriori (estabelecidos independentes da experiência) organizamos e damos sentido e coerência ao real.  O conhecimento surge como representação.  A razão seria  essa capacidade que o ser humano tem, partindo de princípios apriori, representar e conhecer o mundo. Em consequência disso, na teoria kantiana a razão torna-se o núcleo do sujeito moderno.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Outro filósofo importante na construção do sujeito  moderno foi o filósofo das Luzes  Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A diferença em relação a Descartes e Kant  é que  ele  não coloca a razão como o núcleo do sujeito, uma vez que a reflexão surge tardiamente no homem. No seu texto  “<strong>Discurso sobre a desigualdade entre os homens</strong>” Rousseau afirma que o homem em estado de natureza é desprovido de razão e reflexão, sendo que estas faculdades são típicas do estado de sociedade. A reflexão e a razão surgem no ser humano a partir de uma característica distintiva no ser humano, que é sua perfectibilidade, isto é, sua faculdade de se aperfeiçoar. É essa capacidade distintiva e quase ilimitada de desenvolver suas potencialidade que tirou o homem do estado de natureza e o tornou um ser sociável. Se a reflexão surge tardiamente no homem,  então  existiria   uma única virtude natural no ser humano em seu estado de natureza: o sentimento moral de piedade, entendida como uma “repugnância inata de ver sofrer seu semelhante”. Decorre daí para Rousseau  a ideia de bom selvagem. Foi através da piedade que surgiram todos os sentimentos sociais  como a generosidade, a clemência, a benquerença e a comiseração. O sujeito é antes de tudo um ser do sentimento e não da razão. Dessa forma o sentimento moral relaciona-se com a noção de sujeito no pensamento de Rousseau.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          É a partir do mundo moderno que o sujeito ganha certas capacidades humanas fixas e um sentimento estável de seu próprio eu.  Ele ganha consciência que é  uma identidade racional, moral e psicológica. Ele torna-se um ser soberano, autônomo,  fixo, estável,  compreendendo que é um ser que pensa,  sente, reflete  e age e  interage com o mundo objetivo. É a partir da modernidade que ele ganha consciência de sua vida interior como transparente a si mesmo, como ator de suas idéias e de seus atos. Esse contato do homem consigo mesmo só foi possível graças aos movimentos modernos, como renascimento,  protestantismo e  iluminismo,  que libertaram a consciência individual das instituições religiosas medievais.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">    <em>    </em>Mas esta noção de um sujeito fixo, estável, soberano não durou muito. <em>Com o </em>avanço do progresso do pensamento e do desenvolvimento técnico e científico,  noções como verdade, justiça, razão, bem, mal, virtude, Deus, foram relativizados.  O progresso do conhecimento colocou em dúvida e levou à perda de consistência dos valores absolutos da modernidade.  Em conseqüência disso, o sujeito racional e autônomo  foi problematizado, uma vez que se colocava como uma entidade metafísica dada apriori, como algo absoluto.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O primeiro pensador que começou a descontruir a noção de  sujeito foi Karl Marx (1818-1883) no decorrer do século XIX.  Na concepção do materialismo-histórico, o sujeito é determinado  por aquilo que ele faz,  é determinado pelo seu ser social.  “A forma como os indivíduos manifestam a sua vida, reflete muito exatamente aquilo que são. O que são coincide, portanto, com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como a forma como produzem. Aquilo que os  indivíduos são depende, portanto, das condições materiais de sua produção” (Marx, 1976, p.19).  É o comportamento material do homem que fomenta suas representações e pensamento. Marx nos ensinou que, se examinarmos a maneira pelas quais os homens produzem os bens necessários à vida, é possível compreender as formas de seu pensamento, tais como sua moral, religião e filosofia. O pensamento, como núcleo da sujeito,  torna-se o reflexo do desenvolvimento material objetivo da história. .</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Tal como Marx,  Friedrich Nietzsche (1844-1900) desconstruiu a noção de sujeito moderno.<em>  Ele</em><em> </em> se opõe à ideia de  origem do sujeito e passa a compreender este através de uma genealogia, que o concebe emergindo através de relações de poder, através de um turbilhão de forças que o atinge. O sujeito se constitui no terreno dos acontecimentos históricos, das contradições, das relações de força e poder. O conceito de genealogia concebe o sujeito enquanto ser no mundo, onde o corpo se torna visível e um efeito dos embates de forças. Dessa forma,   o próprio conceito de “eu” fixo e estável perde sentido, pois o homem é uma espécie cujas qualidades não estão fixadas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Após Nietzsche,  Sigmund Freud (1856-1939) deu um duro golpe no narcisismo da humanidade. Ele procurou mostrar que o ser humano é dominado por impulsos cegos e irracionais inconcientes. Não somos seres autônomos e racionais donos de si mesmo. O Eu (Ego) “não é senhor em sua própria casa”, o sujeito não é um ser da consciência, mas sim da inconsciência,  não é um ser da razão, mas sim é governado por um querer cego e irracional, destituído de sentido e finalidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Outro filósofo importante que desconstruiu a noção de sujeito iluminista  foi Michel Foucault (1926-1984). Ele dedicou toda sua vida a criar uma história dos diferentes modos pelos quais, em nossa cultura, os seres humanos tornaram-se sujeitos. Ele retoma a genealogia nietzschiana dedicando-se a estudar a história das instituições disciplinares que surgiram na modernidade e pensa a constituição do sujeito a partir de formas de discursos e de relações de poder.  Foucault percebeu em suas pesquisas empíricas que  a partir do século XVII, através do inquérito, ou seja, de certas formas de análise de problemas jurídicos, judiciários e penais, surgem conhecimentos como a sociologia, a psicopatologia, a criminologia e a psicanálise.  Através dessas práticas regulares de controle, que se modificaram através da história, definiram-se tipos de subjetividade, individualidade e técnicas de esquadrinhamento disciplinar, que tornaram o corpo do indivíduo útil à produtividade. Isso significa que o sujeito moderno dócil, serviçal, trabalhador e responsável se constitui através de práticas disciplinares em instituições de controle  como o hospital, a prisão, a fábrica  e a escola</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Os membros da escola de frankfurt também detectaram à dissolução do indvíduo autônomo do iluminismo. A partir da segunda metade do século dezenove a humanidade passou a experenciar o advento da técnica  e da sociedade de massas.    Adorno e Horkheimer em seu clássico livro “<strong>Dialética do Esclarecimento</strong>” mostra-nos de forma  contundente as consequências do advento da técnica.  Neste livro  eles argumentam que  razão do iluminismo não se realizou enquanto força histórica, mas  tornou-se um mito, uma abstração. Ela transformou-se em um simples instrumento formal, técnico e operacional, que pode ser usado para todos os fins. Foi através da razão que a humanidade em vez de entrar em um estado verdadeiramente humano sucumbiu a um estado de barbárie e regressão social. A razão formal tornou racionalidade instrumental, ou seja,   tornou-se relação calculada entre meios e fins.   Com o advento dessa  racionalidade  os indivíduos se adaptaram à sociedade e ao domínio social de forma espontânea. A produção, distribuição de mercadorias, o trabalho e os entretenimentos da sociedade capitalista invadiram à subjetividade do indivíduo autônomo. A racionalidade instrumental atingiu todos os setores da vida social, tornando os controles tecnológicos a própria personificação da razão. Eliminou com isso qualquer tentativa de ruptura. O aparato produtivo e as mercadorias se impuseram  ao sistema social como um todo. Os consumidores, prisioneiros do capital, prenderam-se agradavelmente aos produtos e às formas de bem estar social. Dessa forma, o indivíduo autônomo desapareceu. A subjetividade foi tomada pelos controles tecnológicos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Nota-se que a ideía de um sujeito acabado, pronto, estável, como se fosse uma identidade metafísica deixa de existir.  Essa é a grande descoberta daqueles que desconstruiram a noção de sujeito no mundo moderno. O que se pode inferir, portanto,  é que, se o sujeito não é nada, então ele é,  como sugeriu Locke,  uma tabula rasa, é uma folha em branco, cujas impressões do mundo vão formando o núcleo da subjetividade.  Em consequencia disso, só podemos entender o sujeito  em sua relação com a história, através das circunstâncias que o constitui.  O sujeito torna-se o que se é historicamente,  no interior das praticas sociais. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. <strong><span style="text-decoration:underline;">Dialética do Esclarecimento</span></strong>. Rio de janeiro: Jorge Zarhar, 1985.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">DESCARTES, R. <em>Descartes</em>, <em>R</em>. <span style="text-decoration:underline;"><strong><em>Meditações</em> Metafísicas</strong></span>. São Paulo: Abril Cultural, 1973.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FREUD, S<span style="text-decoration:underline;">. <strong>O mal estar na civilização</strong></span>. Rio de Janeiro, Imago,Edições Standard, Tomo  XXI ,1969.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">FOUCAULT, Michel. <strong><span style="text-decoration:underline;">Microfísica do Poder</span></strong>. Trad. Roberto  Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1989</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">KANT, I. <strong><span style="text-decoration:underline;">Crítica da razão pura.</span></strong> São Paulo: Abril cultural, 1983 (Os Pensadores).</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">MARX, K. e ENGELS,F. <strong><span style="text-decoration:underline;">A ideologia Alemã</span></strong>. São Paulo, Hucitec,1984.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">NIETZSCHE, F.<strong> <span style="text-decoration:underline;">Genealogia da Moral</span><em>.</em></strong> Trad. Paulo César Souza. São Paulo,  Brasiliense, 1988.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;"><strong> </strong></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/1242/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/1242/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1242&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sartre e a Origem da Angústia</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Oct 2010 02:28:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza O grande problema do homem moderno é a falta de sentido  da vida e o vazio de sua  interioridade.  O indivíduo não sabe o que quer e também não sabe o que sente.  Constantemente vive reclamando da vida e em conflito consigo mesmo. Algumas vezes encontra-se  angustiado ou em depressão.  [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=1122&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FWalter%2520Franco%2520-%2520Coracao%2520Tranquilo.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/10/gaiovota1.jpg"><img class="alignleft  wp-image-1225" title="gaiovota" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/10/gaiovota1.jpg?w=275&#038;h=512" alt="" width="275" height="512" /></a><span style="color:#ffffff;">O grande problema do homem moderno é a falta de sentido  da vida e o vazio de sua  interioridade.  O indivíduo não sabe o que quer e também não sabe o que sente.  Constantemente vive reclamando da vida e em conflito consigo mesmo. Algumas vezes encontra-se  angustiado ou em depressão.  Sua vida é regular e monótona, realiza atos habituais e rotineiros. Levanta-se sempre a mesma hora,  segue sempre o  mesmo trajeto para o trabalho,  volta para casa sempre no mesmo horário. Ao chegar em casa faz sempre as mesmas  atividades, como assistir televisão, tomar uma cerveja ou ficar na internet.  A  grande maioria abandonou aquela ambição típica da juventude de ser feliz a qualquer custo, viajar o mundo e conhecer pessoas interessantes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           A falta de sentido da vida provêm da incapacidade do ser humano se auto-conhecer e de agir como ser pensante e autônomo. Ao não perscrutar e analisar sua existência e seu mundo  interior, o indivíduo torna-se incapaz de dirigir sua própria vida. Vivemos uma época em que os indivíduos perderam a exuberância, perderam a capacidade de viver à vida apaixonadamente. O homem moderno não tem mais a responsabilidade pelo que é. Ele perdeu a capacidade de fazer alguma coisa por si mesmo e se sentir bem com a vida.   A falta de sentido, de objetivos, de finalidade tornou-se  a condição existencial do homem contemporâneo. O desespero tornou-se parte da condição humana. Em uma entrevista Sartre  reconheceu que “via no desespero uma imagem lúcida do que era a condição humana” (SARTRE, 1980, p. 19).  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Em uma época onde os valores se relativizaram e onde vazio interior e falta de sentido tornaram-se parte da experiência humana, o existencialismo tem algo muito importante a nos oferecer.   É um instrumento que pode nos ajudar a superar nossas angústias e nos levar à liberdade, nos ajudando a agir de forma autônoma.  O existencialismo pode nos ajudar a repensar nossa própria vida e nossas ações no mundo. Mas antes devemos saber o que é isto,  o existêncialismo?  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Com a segunda guerra mundial  o homem experimentou a barbárie, a regressão social  e a falta de sentido da vida. Tornou-se comum no vocabulário das pessoas a famosa frase de Sartre: “A existência precede a essência”.  Sartre explicou essa frase em uma conferência, que o tornou famoso: “<strong>O existencialismo é um humanismo</strong>”. Nesta conferência ele procurou defender sua filosofia das críticas que lhe eram feitas e procurou  introduzir o público leigo nos conceitos de sua filosofia.    Sartre iniciou sua  palestra explicando o fundamento de sua filosofia. Para isso, ele usou um exemplo de como um objeto é feito, imaginou como um corta-papel seria projetado.  No nosso dia-a-dia nos deparamos com uma infinidade de objetos. Se pensarmos como eles são feitos, chegamos à conclusão de  que todos seguem uma receita, um plano.   Para criarmos um corta-papel,  temos que planejar, temos que ter uma idéia de sua forma, seu tamanho, suas características e sua finalidade.  Para que este objeto torne-se funcional, temos que ter um projeto em nossa mente.  Neste caso a essência do objeto precede sua existência.  Este exemplo bastante simples mostrar-no que,  se Deus existisse,  ele seria parecido com  um fabricante de corta-papel, pois  teria criado o mundo a partir de um projeto.    Contudo, para Sartre este raciocínio não se aplica a existência humana. O existencialismo de Sartre é ateu. Ele defende a tese de que “a existência precede a essência”. Não há um Deus criador, um demiurgo, que antes planejou o ser humano a  partir de uma idéia prévia, assim como o escultor produz sua obra a partir da matéria bruta. O ser humano simplesmente existe e só define sua essência a partir do que ele fizer de si mesmo. Não existe uma natureza humana pronta, acabada e pré-definida. O homem é livre para fazer o que quiser de sua vida. A essência do indivíduo se define por aquilo que  ele faz de si mesmo. Isso significa que o homem está condenado à liberdade. Não existe destino, o destino somos nós que fazemos. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O existencialismo de Sartre postula que o homem não é um “ser em-si”, não é um objeto inanimado como as coisas no mundo. Só as coisas são em-si.  O homem é um “ser para-si”, pois tem consciência de si mesmo. O homem é um ser da liberdade, da escolha. É aquele que deseja e escolhe o que deseja. Mas não se trata de obter o que se quer, mas desejar com a alma, com discernimento, com autonomia, determinar-se a querer por si mesmo. Dessa forma, o homem nada é, mas torna-se o que se é quando constrói sua própria liberdade e, portanto, sua própria essência. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         É notório que em nossa época o homem moderno não escolhe autenticamente a vida que quer levar. Ele assume compromissos sociais, morais e religiosos que geralmente não pode cumprir.  Por escolher mal ele paga um preço muito alto, pois não consegue se libertar de suas escolhas e fica angustiado.  Para Sartre a angustia surge da consciência de nossa liberdade, surge da responsabilidade por nossos atos.  “É na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade (&#8230;) na angústia que a liberdade está em seu ser colocando-se a si mesmo em questão”. (SARTRE, 2002, p.72).  Dessa forma,  a angústia   resulta da revelação da nossa própria liberdade sem peias, limitada apenas por si mesma, fonte absoluta de todo sentido.  Mas esta liberdade &#8220;só é descoberta reflexivamente, quando, engajado no mundo, em vez de realizar meus possíveis (se se quiser, meus fins ou meu futuro), eu os aprendo como meus” (MOUTINHO, 2003, p.77)  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Sartre diagnosticou em nossa época  que a maior parte  dos seres humanos preferem  não ser livres. O homem prefere a não-liberdade do que sentir a angústia de escolher sua própria liberdade.  Alguns homens  prendem-se a riquezas, outros a fama. Uns levam o peso de seu orgulho, outros o peso da solidão. Uns prende-se ao casamento, outros a religião. Um curva a cabeça ao seu chefe, outro a familia.  Só para exemplificar, hoje em dia nós vemos uma grande parte dos casais vivendo juntos sem amor, apenas se suportando. Isso por causa dos filhos, por causa dos bens ou mesmo por dependência psíquica em relação ao outro. A vida torna-se insuportável. O resultado são as brigas, as traições,  a ansiedade, as compulsões e as neuroses. Também há profissionais que fazem a mesma atividade e odeiam o que fazem, são incapazes de mudar de vida. Ficam na mesma profissão por anos a fio, mesmo odiando o que fazem. É um desperdício das capacidades físicas, intelectuais e da criatividade.   A explicação de Sartre para estes problemas está na angústia da escolha. O homem tem medo da liberdade. Para muitos seres humanos a liberdade gera a angústia. Muitos não suportam esta angústia e para não assumir a liberdade, fogem dela. São incapazes de escolher. São homens da má-fé.  A má-fé é a atitude característica do homem que não é capaz de escolher. Este tipo de homem aceita passivamente sua situação, pensa que sua vida é assim porque Deus quis e que  não pode mudar seu destino. Ele aceita os valores, normas e regras da tradição passivamente sem nunca refletir sobre elas. Ele engana a si mesmo e pensa que é dono de seus atos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O exemplo de má-fé no amor é bastante ilustrativo.  Para Sartre a união amorosa é um conflito irreconciliável, já que assimila a própria individualidade e a do outro em uma mesma transcendência. Em conseqüência disso, implica o desaparecimento do caráter de um dos dois. Quem ama limita a liberdade alheia, apesar de respeitá-la. Dessa forma, no amor a atitude da má-fé acontece quando o indivíduo está com alguém há anos sem sentir amor, mas por questões morais, religiosas ou por gratidão, fica assim mesmo com a pessoa. Ele não a ama, mas dissimula para si mesmo que a ama.  Ele não quer fazer uma escolha pela qual teria que se responsabilizar. O indivíduo recusa a dimensão do para-si e torna-se em-si. Ele é um objeto, uma coisa, o puro nada. É o homem responsável que recusa sua liberdade e se torna um ser conformado.   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Quando não  temos convicção sobre o que realmente  desejamos  e sentimos,  somos levados a desejar e a querer o que a sociedade ou grupos nos inculcam. A ambição e as metas que temos não são nossas, mas aprendemos e a adquirimos  de outros. Lutar pelo êxito financeiro, procurar ser um profissional bem sucedido, ter fama ou poder para sermos amados e admirados torna-se  uma ilusão. O resultado disso é a ansiedade, o vazio interior e a solidão.  Quando os verdadeiros sentimentos e desejos se perdem surge a apatia e a resignação. A vida torna-se fútil, sem emoções e os sonhos perdem sua importância.  Esse medo e  incapacidade de escolher nos leva ao vazio.   O vazio vem do sentimento do nada que experimentamos. A pior coisa que pode acontecer a um homem é o nada. O nada é o não-ser, o não se realizar, o não querer mais, é o cansaço e a impotência.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">MOUTINHO, Luiz D.S.  Sartre:Existencialismo e Liberdade. São Paulo: Moderna, 2003</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">SARTRE. J. L’Existentialisme est un humanisme. Paris: Gallimard. Col. Folio. 1996</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">SARTRE. J. O testamento de Sartre.  Paris: 1980. L&amp;PM, São Paulo, p. 17-64. Entrevista concedida a Benny Lévi para Nouvel Observateur</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">SARTRE, J. P. O Ser e o Nada: Ensaio de ontologia fenomenológica, trad. Paulo Perdigão Petrópolis: Vozes, 2002.</span></p>
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		<title>Felicidade: em busca da tranquilidade da alma.</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 15:34:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza   A filosofia foi em toda história o meio de se viver melhor, de sofrer menos, de enfrentar as adversidades da vida com maior serenidade. Ao contrário do que muitos pensam, a filosofia não é apenas uma disciplina teórica para se pensar bem,  mas é, antes de tudo, um ensinamento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=981&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2Fca%2520you%2520understend.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span> </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/250713256.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1101" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/250713256.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">A filosofia foi em toda história o meio de se viver melhor, de sofrer menos, de enfrentar as adversidades da vida com maior serenidade. Ao contrário do que muitos pensam, a filosofia não é apenas uma disciplina teórica para se pensar bem,  mas é, antes de tudo, um ensinamento prático de como se viver melhor. Os grandes pensadores podem nos ensinar a viver bem, pois eles pensaram profundamente o problema da felicidade, assim como os motivos ocultos das ações humanas e a relação do homem consigo mesmo. Os Gregos já diziam que é necessário pensar bem para se viver melhor. Eles entendiam que existia uma íntima relação entre filosofia e medicina. O grego Epicuro (341-270 a.C) considerava o discurso filosófico um Pharmacon, um remédio capaz de curar as dores da alma. Para ele,  a filosofia era antes de tudo uma atividade prática que ultrapassava a dimensão passiva e contemplativa do saber. Era uma atividade que, pelos discursos e raciocínios, nos leva à vida feliz.   Tal como Epicuro, Platão também considerava que a  saúde da alma se daria por meio do discurso  filosófico, entendido como um Pharmacon  – remédio, droga, veneno, cosmético. Quando o discurso filosófico fosse administrada a fim de levar ao conhecimento e ao equilíbrio seria um  remédio; quando mal administrado, seria um  veneno.  Segundo a professora da USP, Olgária Matos,  “o pharmakon filosófico é o discurso terapêutico que busca a autarquia da alma e do corpo, o domínio da dor do corpo e da alma pela filosofia”.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       A filosofia entendida como pharmacon pode nos ensinar a enfrentar os problemas da vida,  como superar o fim de uma relação amorosa, como agir diante de um problema emocional ou como superar a dor de uma perda. Nossa vida é regida por ações e atos que se somam. Cada dia é feito de mil e uma ações, cada gesto sustenta alvos mais longínquos e mais essenciais a nossa felicidade. Cabe a filosofia, portanto,  nos ajudar a fazer uso dos meios que convém para atingir nossos objetivos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/epicuro1.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-993" title="epicuro" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/epicuro1.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>Epicuro nasceu em 341 a.C na Ilha de Samos. Sua escola ficava em um jardim – Kespos &#8211; cheio de árvores frutíferas, onde seus discípulos mantinham longas conversas sobre os mais diversos assuntos. Foi ali que ele descobriu os quatro remédios da alma.  Seus quatro “Pharmakom” eram: não há o que temer dos deuses; não há nada à temer quanto à morte; pode-se suportar à dor; pode-se alcançar à felicidade. São duas palavras que definem felicidade para Epicuro: Ataraxia  e Hedoné  A felicidade consiste na ausência de preocupações (ataraxia) e no prazer (hedoné).  Não é a posse de riquezas ou a obtenção de cargos ou poder que pode nos tornar feliz, o que nos torna é a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito para se manter nos limites impostos pela natureza.  Quando sentimos uma grande dor, tomamos um remédio, a imediata desaparição da dor produz insuperável alegria. Para Epicuro a alegria é a essência do bem.   Se na maior parte de nossas vidas não tivermos dores ou doenças e nem desgostos pode-se dizer que fomos felizes.  Uma vida sem preocupações e sem perturbação é o desejo de todo homem, seja ele  rico ou pobre.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Para Epicuro a plena  felicidade só se pode alcançar pelo prazer. O prazer é o princípio e fim da vida feliz. Não há nada que não se resolva com um pouco de prazer. Com um pouco de prazer esquecemos até mesmo a dor. É por isso que para curar as dores do corpo nada melhor que os prazeres da alma, assim como, para curar as dores da alma nada melhor que os prazeres do corpo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Apesar do prazer ser o princípio e fim da vida feliz,  Epicuro  afirma nem todos os prazeres conduzem a felicidade. Há prazeres que causam dor, mas também há dores que geram um prazer maior.  Por exemplo, fumar um cigarro é prazeroso para quem fuma, mas pode causar grandes dores como problemas respiratórios ou um câncer. Ter que estudar ou trabalhar num final de semana é um desprazer, mas passar no vestibular ou ganhar um bom dinheiro dá um grande prazer. Os prazeres são relativos, por isso devemos saber diferenciar o bom prazer do mau prazer.  Sempre que escolhemos um prazer, devemos nos perguntar, que me sucederá se se cumpre o que quer o meu desejo? Que acontecerá se não se cumpre? Para saber escolher bem os prazeres é necessário ter a virtude da prudência. É graças à prudência que o “sóbrio raciocínio” aprende a selecionar os prazeres que não trazem dores ou aqueles que trazem dor, mas que, posteriormente, proporcionam um prazer maior.  Epicuro nos ensina que o conhecimento seguro dos desejos nos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Os estóicos, escola oposta ao epicurismo,  também foram grandes pensadores da felicidade humana. Segundo eles, o mundo é um todo ordenado e harmonioso, há uma razão ordenadora (Logos) em todo o universo.  Dessa forma, a felicidade consiste em aceitar a lei universal do cosmo, o logos universal.  O homem é feliz quando aceita o que o destino lhe impõe sem reclamar e sem se perturbar. A ética estóica afirma que o homem feliz é o homem virtuoso, pois sabe moderar seus desejos, controlar suas paixões e orientar sua vontade. Ele deve ser capaz de educar seu caráter dominando racionalmente seus apetites, orientando sua ação para o bem e para a felicidade.   Não são os bens materiais, o dinheiro ou a diversão que trazem a felicidade, mas ter moderação, serenidade, equilíbrio e calma na vida.  O maior exemplo de homem virtuoso é do próprio fundador do estoicismo Zenão de Cítio. Ao perder todo o seu patrimônio em um naufrágio ele disse ao saber do ocorrido, “O destino queria que eu filosofasse mais desembaraçadamente”.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/zenao.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-985" title="zenão" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/zenao.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>           O nome da escola de Zenão deriva da palavra grega stoa, pórtico.  Ele ensinava filosofia em um pórtico construído pelos atenienses para celebrar a vitória na guerra contra os Persas. Três palavras descrevem o estoicismo: materialismo, monismo e mutação. No universo tudo é material, mesmo o tempo e o pensamento (materialismo). Tudo que existe possui um princípio unificador (monismo). Tudo está em permanente mudança podendo se transformar em algo diferente do que se é (mutação) Através desses três princípios Zenão construiu sua doutrina.   Seu principal ensinamento era afirmar que o ser humano só pode alcançar a plena felicidade se abandonar todos os bens materiais e paixões terrenas, pois eles são os culpados de todo aborrecimento e desassossegos aqui na terra. O homem deve viver em ataraxia, ou seja, sem perturbação da alma que resulta de uma sabedoria atingida pela moderação.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Outro grande filósofo estóico foi Sêneca (4-65 d.C).  Foi conselheiro do Imperador Nero e tentou orientá-lo para uma política humanista e moral. Contudo, em 65 d.C foi acusado de ter participado de uma conspiração para matá-lo. Sem qualquer julgamento foi obrigado a cometer suicídio.  Aceitou com serenidade a morte com o mesmo ânimo calmo com que filosofava. Dizem que sua morte foi lenta e cruel. Abriu as veias do braço, mas o sangue correu muito lentamente. Com isso, cortou as veias das pernas. Nada adiantou. Tomou então uma dose de veneno.  Enquanto esperava o veneno fazer efeito ditou um texto a um de seus discípulos.   Como o veneno não surtiu efeito, tomou banho para aumentar o sangramento. Assim morreu lentamente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> <a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/seneca.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-988" title="seneca" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/seneca.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>           Para Sêneca, o destino é inexorável. O homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o aceitar de livre vontade pode ser feliz. Contudo muitos homens desperdiçam seu tempo com bebidas, mulheres, diversões fugazes e quando se dão conta a vida já passou.  A vida, se bem empregada, é suficientemente longa. Por isso, Sêneca pregava a superação das paixões e dos desejos. Ele lamentava que muitos homens desperdiçassem seu tempo com coisas inúteis. “A insaciável ganância domina um, outro, desperdiça sua energia em trabalhos supérfluos, um encharca-se de vinho, outro fica entorpecido pela inércia, um está sempre preocupado com a opinião alheia, outro, por um irreprimido desejo de comerciar, é levado a explorar terras e mares na esperança de obter lucro. (&#8230;) há aqueles que, voluntariamente, se sujeitam à ingrata adulação dos superiores. Também há os que se ocupam invejando o destino alheio e desprezando o seu próprio”. (Sêneca, 2007, p.27). Todos esses comportamentos, segundo Sêneca, geram apenas desgostos e sofrimento.  É comum no dia-a-dia depararmo-nos com pessoas que todo mês gastam seu dinheiro no shopping, ou gastam com jogos, bebidas ou mulheres numa eterna compulsão. São pessoas infelizes que procuram aliviar suas tensões e sofrimentos em algum vício. Os vícios sufocam os homens deixando-os embriagados e obscurecem a verdade. Eles tornam-se incapazes de voltar-se para si mesmo.  Seus espíritos estão de tal modo presos as paixões que são incapazes de achar a tranqüilidade e tudo que conquistam torna-se pesado. As paixões pelo dinheiro, pela fama e por mulheres apenas demonstram o espetáculo patético do sofrimento humano “As riquezas são pesadas para muitos! A preocupação com a eloqüência e a necessidade de mostrar talento tirou o sangue de muitos! Outros enfraqueceram devido a uma vida de libertinagem!” (Sêneca, 2007, p.28).  Dessa forma, Sêneca nos incita a superar os afetos como a cobiça, a ira, à vontade, os desejos e conquistar a paz e a tranqüilidade.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Em seu livro “<strong><em>Da tranqüilidade da alma</em></strong>” Sêneca também ensina-nos como devemos agir na infelicidade.    Para ele todos nós estamos ligados a sorte. Para uns a escravidão é suave e leve, já para outros é pesada e sofrível.  Mas nada disso importa. O que importa é que todos nós somos eternos prisioneiros. Aqueles que exploram o próximo, também serão explorados. Aqueles que causam dor, também sentirão dor. Uns estão presos ao dinheiro, outros a pobreza, uns aos bajuladores, outros a fama e outros ao poder. Toda vida é uma escravidão. Ninguém está salvo e não adianta reclamar. É preciso não deixar as oportunidades que a vida oferece escapar.  Mesmo que o sofrimento seja descomunal, sempre a vida oferece algum consolo. Sêneca nos ensina que devemos superar as dificuldades apelando à razão. Através da razão podemos abrandar o que era pesado, alargar o que era apertado, e os fardos tornar-se-ão mais leves sobre os ombros que saberão suportá-los.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/marco-aurelio.jpg"><span style="color:#ffffff;"><img class="alignleft size-full wp-image-989" title="marco aurelio" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/08/marco-aurelio.jpg?w=600" alt=""   /></span></a>Marco Aurélio (121-180 d.C.), imperador de Roma, também foi considerado um dos maiores filósofos estóicos da antiguidade.  Apesar de ser o homem mais poderoso do mundo em sua época, ele era simples, humilde e absolutamente sincero consigo mesmo.  Era bondoso e amável. O problema central de sua  filosofia não  era descobrir a verdade sobre os fatos ou sobre os princípios últimos e primeiros da existência, mas descobrir o melhor caminho para se conduzir a vida e viver bem. Em seu diário pessoal, denominado “Para si mesmo” e que foi parafraseada pela tradição com o nome “Meditações”, Marco Aurélio escrevia suas secretas conversas íntimas consigo mesmo. Cortesia, serenidade, piedade, generosidade, simplicidade na vida, bondade, humanidade são princípios estóicos citado em suas “Meditações” que mais tarde tornaram-se a base da ética cristã.  Ser comedido nos desejos, saber cuidar das próprias necessidades, cuidar da própria vida e não dar ouvidos à fofocas  eram partes de seus ensinamentos.  Ser feliz para ele é viver conforme a natureza e viver conforme a natureza é viver conforme a razão e a virtude. A razão e a virtude são os caminhos para a felicidade, pois são  os  “mais elevados bens”.  A vida natural é a vida controlada pela razão.  Pela razão devemos aprender que algumas coisas estão sobre o nosso poder e outras não, ou seja, devemos nos ocupar apenas daquilo que efetivamente está sobre o nosso controle. Se estivermos na praia e estiver chovendo, não adianta reclamar. Revoltar-se contra os fatos não altera os fatos. Se estiver  chuvoso assista um filme, faça um churrasco ou tome uma cerveja com os amigos. Aceitar a vida tal como ela é, com seus percalços e dificuldades, é fundamental para sermos felizes. Não podemos pedir que a vida seja como nós queremos, mas devemos aceitá-la como é.  Dessa forma, Marco Aurélio via na Prudência, piedade, temperança, generosidade e na força moral os produtos e ingredientes da felicidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Matos, Olgária. Filosofia: A polifonia da Razão. In: Filosofia e Educação. Ed. Scipione, 2003</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Marco Aurélio.  <em>Meditações</em>. Tradução de Alex Marins. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Sêneca. Da tranquilidade da alma. São paulo:  L&amp;PM Pocket. 2009.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Sêneca. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: L&amp;PM Pocket. 2007.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/981/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/981/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=981&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O conceito de &#8220;Eu&#8221; em Freud</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 02:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[   A noção de “Eu” em Freud só pode ser entendida a partir de sua teoria do funcionamento mental.  Mas antes de explicarmos esse  funcionamento  temos que entender os  três postulados que o determinam. Primeiramente,  há certas quantidades de energia não muito bem especificadas que alimentam os processos psíquicos; segundo, o aparelho mental é dividido em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=908&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FEngenheiros_do_Hawai_-_Infinit.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>  </p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/07/sig.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-966" title="Freud" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/07/sig.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">A noção de “Eu” em Freud só pode ser entendida a partir de sua teoria do funcionamento mental.  Mas antes de explicarmos esse  funcionamento  temos que entender os  três postulados que o determinam. Primeiramente,  há certas quantidades de energia não muito bem especificadas que alimentam os processos psíquicos; segundo, o aparelho mental é dividido em sistemas e subsistemas diferenciados quanto a sua função e modos de funcionamento; terceiro, esse funcionamento é dinâmico, pois existem forças que circulam e estão em conflito permanente. Esses três princípios serão melhor compreendidos no decorrer de nossa exposição.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Segundo Heimann “Freud comparou o funcionamento da mente, o mais complicado órgão, com o funcionamento do mais simples organismo, a ameba. A vida é mantida através da admissão num organismo da matéria estranha, mas útil, e da descarga da sua própria, mas perniciosa matéria. Admissão e descarga são os mais fundamentais processos de qualquer organismo vivo. A mente, que também faz parte de um organismo vivo, não constitui exceção a essa regra: realiza a adaptação e o progresso mediante o emprego, ao longo de toda sua existência, dos processos fundamentais de projeção e introjeção. As experiências de introduzir alguma coisa no Eu e de expelir alguma coisa do Eu são eventos psíquicos de primeira grandeza”. (HEIMANN, 1969, p. 143)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Do ponto de vista da teoria freudiana, os processos mentais são regulados pelo princípio de prazer.  O objetivo do aparelho neuronial é liberar as tensões acumuladas por estimulos internos (endógenos) e externos (exógenos). Freud relaciona o prazer e o desprazer à quantidade de excitação existente neste  aparelho. Corresponde ao prazer a diminuição da quantidade de excitação e ao desprazer o aumento dessa quantidade.<em>  “</em>O que decide o propósito da vida é simplesmente o programa do princípio de prazer. Esse princípio domina o funcionamento do aparelho psíquico desde o inicio<em>” </em><em>(FREUD, 1969, p.94)</em><em> </em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><em>       </em>        As forças que circulam no aparelho neuronial Freud denominou de pulsão. A pulsão refere-se a um estado de tensão que busca, através de um objeto, a supressão deste estado.  A matéria prima dos processos mentais, a pulsão, é o conceito limite entre o psíquico e o somático, é um representante psíquico das excitações do corpo e que se elevaram até a mente.  A sexualidade, a fome e a agressividade são pulsões. Esse processo que desencadeia a satisfação do organismo é um processo somático localizado num órgão ou numa parte de corpo e cuja excitação é representada na vida psíquica pela pulsão. Por exemplo, a excitação sexual, que é uma tensão física, tem um representante psíquico, a excitação psíquica representada pela pulsão sexual. A excitação é o grau de pressão ou de trabalho imposto à mente em conseqüência da sua ligação com o corporal. Todas as tensões do aparelho neuronial, causadas pelos estímulos internos ou externos, devem ser descarregados pela força motora. Fazer sexo, comer, agredir, dançar, beber, fumar são formas de aliviar as tensões do aparelho neuronial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Essa forma de  funcionamento do aparelho mental tem  um enorme papel na fundação do Eu,  como a instância que surge para   discernir o mundo interior (subjetivo) do mundo exterior (objetivo).  Contudo, para Freud o Eu não é apenas essa consciência segura, firme que nos permite discernir nossa interioridade, nossos sentimentos e pensamentos  da realidade que nos cerca, o mundo exterior.  Há  algo de profundo, subterrâneo e irracional na noção de Eu.  É o que veremos a seguir.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Freud sempre foi contra a idéia de um eu lógico, fixo e estável. O Eu não é algo unitário, firme, seguro e autônomo, diferente de tudo mais. O que chamamos de nossa consciência é continuado para dentro, sem qualquer delimitação nítida, por uma entidade mental inconsciente denominado “<strong>Id</strong>”, região dos impulsos, afetos e desejos. Essa nova instância descoberta pela psicanálise tornou questionável a própria noção do que entendemos por Eu. Para Freud, é como se o indivíduo existisse em duas dimensões: um lado consciente e outro inconsciente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         “A psicanálise não vê na consciência a essência do psíquico, mas somente   uma qualidade do psíquico, que pode somar-se a outras ou faltar em absoluto (…). Ser consciente é, em primeiro lugar, um termo puramente descritivo que se baseia na percepção mais imediata e segura. A experiência nos mostra logo que um elemento psíquico (por exemplo, uma percepção não é, em geral, duradouramente consciente. Pelo contrário, a consciência é um estado eminentemente transitório”. (FREUD, 1948, p. 1191)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Toda psicanálise se esforça como a tentativa de compreender o desenvolvimento do Eu em sua luta pela existência.  O recém nascido é incapaz de distinguir o seu Eu do mundo externo, não há o sentimento da realidade como a fonte das sensações. O primeiro momento em que o Eu percebe o mundo externo é através do desprazer, quando uma fonte de prazer lhe é subtraída. No recém-nascido é retirado o seio da mãe. Assim, a criança chora até que o tenha novamente. O seio é o primeiro objeto que separa o Eu do mundo externo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            “A criança de peito começaria por tentar encontrar, numa modalidade  alucinatória, uma possibilidade de descarregar de forma imediata à tensão pulsional… ‘só a carência persistente da satisfação esperada, a decepção, acarretou o abandono desta tentativa de satisfação. No seu lugar, o aparelho psíquico teve de decidir–se a representar as condições reais do mundo exterior e a procurar nelas uma modificação real. Assim foi introduzido um novo princípio de atividade psíquica: já não representava o que era agradável, mas o que era real, mesmo que devesse ser desagradável’. O princípio de realidade, princípio regulador do funcionamento mental, aparece secundariamente como uma modificação do princípio de prazer, que começa por ser o único soberano; a sua instauração corresponde a toda uma série de adaptações que o aparelho psíquico tem de sofrer: desenvolvimento das funções conscientes, atenção, juízo, memória…”. (LAPLANCHE, 1983, p.471)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">               O outro fator importante que força o Eu a se separar dos estímulos da realidade é a luta constante do Eu com o desprazer. O Eu se atomiza, tem a tendência de isolar de si tudo o que pode tornar-se fonte de desprazer. Dessa forma, surge um puro Eu que busca o prazer e evita a dor, mas  que sofre com o conflito com o mundo ameaçador.     Foi através do conflito do homem com a realidade que o Eu foi se diferenciando do mundo exterior. O indivíduo internalizou o princípio de realidade que irá estruturar todas as suas faculdades superiores. É através deste princípio que surgem os processos conscientes, como juízo, atenção e a memória.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Através da exposição acima chegamos aos dois princípios que regem o funcionamento mental: o princípio de prazer responsável pelos processos inconcientes e o principio de realidade responsável pelos processos conscientes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Os processos mentais descritos por Freud  são regulados, num primeiro momento, pelo princípio de prazer. A busca do prazer é uma luta pelo escoamento livre das quantidades de excitação, causado pelo impacto da realidade externa sob o organismo. O alívio de estímulos seria a completa gratificação da excitação. Contudo, através do conflito do homem com o mundo externo, surge um outro princípio que deve reger o funcionamento mental: o princípio de realidade. Esse princípio aparece secundariamente como uma modificação do princípio de prazer, tornando-se a pedra angular dos processos mentais, em particular, dos processos conscientes.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Foi através do princípio de realidade, no seu confronto com o princípio de prazer, que o organismo teve que construir defesas que o protegessem dos desprazeres causado pelo mundo externo. O indivíduo teve de se proteger das sensações que os objetos causam no seu interior. Com isso, o embate do Eu com o mundo externo gerou o princípio de realidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           “Grande parte daquilo que não se quer abandonar por seu caráter prazeroso não pertence ao Eu, mas sim aos objetos; reciprocamente, muitos sofrimentos que o Eu pretende desembaraçar-se resultam ser inseparáveis do Eu, de procedência interna. Contudo, o homem aprende a dominar um procedimento que, mediante a orientação intencionada dos sentidos e da atividade muscular adequada, lhe permite discernir o interior (pertencendo ao Eu) do exterior (originado pelo mundo), dando assim o primeiro passo na entronização do princípio de realidade”. (FREUD, 1974a, 3019)  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            A substituição do princípio de prazer pelo princípio de realidade tem seu acontecimento nas principais estruturas do aparelho neuronial. Na concepção de Freud, a estrutura da mente é tripartida: é designada como <em><strong>id</strong></em>(<em><strong>Isso</strong></em>), <em><strong>ego </strong></em>(<em><strong>Eu</strong></em>) <em><strong>e super-ego </strong></em>(<em><strong>Sobre eu</strong></em>). A primeira camada a se desenvolver foi o id: domínio do inconsciente e das pulsões primárias. O id é o domínio privilegiado do princípio de prazer. Ele é independente das formas e determinações que constituem o indivíduo. Ele ignora o certo e o errado, o bem e o mal, esforça-se unicamente pela satisfação da pulsão. Na medida em que busca a satisfação a qualquer custo, o id não visa a auto-preservação. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           No decorrer da evolução da espécie humana, uma parte do id, responsável pela recepção e proteção contra os estímulos, desenvolve-se até formar o ego. O ego desenvolve se sob a influência do mundo externo, é o domínio do princípio de realidade. Ele é o mediador entre o id e o mundo externo. O id luta cegamente pela satisfação das pulsões, desprezando a realidade. Com isso, o ego coordena, altera, organiza e controla os desejos do id, reconciliando-o com a realidade.  O objetivo do ego é o de preservar a existência, observando e testando a realidade, criando para si mesmo uma imagem verdadeira da realidade. O ego representa o mundo externo para o id, protegendo-o das forças hostis.  O ego é responsável, portanto, pela substituição do princípio de prazer pelo princípio de realidade.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             “O ego se esforça por transmitir a influência do mundo exterior ao id e aspira a substituir o princípio de prazer, que reina sem restrições, pelo principio de realidade. A percepção é para o ego o que para o id é a pulsão. O ego representa o que nós podemos chamar de  razão ou  reflexão, opostamente ao id, que contem as paixões.” (FREUD, 1948, p. 1196)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           A finalidade do ego é o de proteger o id contra as forças do mundo externo. Para assumir essa função de proteção no desenvolvimento do ego, uma outra camada se desenvolve, o super-ego. Ele tem origem na infância com as primeiras restrições que o pai impõe ao filho e que são responsáveis pelos valores éticos e estéticos do indivíduo, por aquilo que ele entende como o bom, o mal, o belo, o feio, o útil e o prejudicial. O super-ego surge através da influência parental, mas somente se solidifica através das influências sociais e culturais, tornando-se o responsável pela extrema moralidade da sociedade civilizada.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Essa diferenciação entre o sentimento do Ego e o mundo externo serve à finalidade prática de nos capacitar para a defesa contra sensações de desprazer que sentimos ou que nos ameaçam. O princípio de realidade surgiu como um mecanismo de defesa e de proteção contra os estímulos do mundo externo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O Ego, através da introdução do princípio de realidade, ganhou consciência dos perigos, do certo e do errado, do bem e do mal, aprendeu a viver conforme a realidade que é hostil e carente de recursos. O que constituía um único universo para o Ego, passa a se tornar um mundo próprio. Ele separa de si mesmo um universo só seu, onde possa se proteger. Com isso, o Ego surgi limitado em suas dimensões.   O Ego foi entendido por Freud como um sentimento muito mais amplo que podemos ter de nós mesmos e da nossa relação com o mundo exterior. O nosso sentimento do Ego não passa, portanto, “de apenas um mirrado resíduo de um sentimento muito mais incluso, na verdade totalmente mais abrangente -, que corresponde a um vínculo mais íntimo entre o Ego e o mundo que os cerca… O conteúdo ideal a ele apropriado seria exatamente o de ilimitabilidade e de um vínculo com o universo”. (FREUD, 1969, p.85-6) </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">FREUD, S<strong><em><span style="text-decoration:underline;">. </span></em><span style="text-decoration:underline;">El yo y el ello</span></strong>.<em> </em><em>Madri,  Biblioteca Nueva, 1948.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> FREUD, S<span style="text-decoration:underline;">. <strong>O mal estar na civilização</strong></span>. Rio de Janeiro, Imago,</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Edições Standard, Tomo  XXI ,1969.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> FREUD, S. “<strong><span style="text-decoration:underline;">El Malestar en la cultura</span></strong>. Madri, Ed. Standard, Obras completas, Tomo VIII, Madri,  1974.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> HEIMANN, P. Certas funções de introjeção  e da projeção no inicio da infância. In. <strong><span style="text-decoration:underline;">Os progressos da psicanálise</span><em>.</em></strong> Org. Joan  Riviere, Zahar: 1969</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">LAPLANCHE, J. e PONTALIS, J.   <strong><span style="text-decoration:underline;">Vocabulário da psicanálise</span></strong>.     São Paulo, Martins Fontes, 1983<strong><span style="text-decoration:underline;">.</span></strong></span></p>
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		<title>As marcas na construção dos valores e do estilo de vida</title>
		<link>http://filosofonet.wordpress.com/2010/06/24/as-marcas-na-construcao-dos-valores-e-do-estilo-de-vida/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 04:45:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza Em nossa atualidade as marcas tornaram-se hegemônicas. Em todas as esferas da vida social e em todos os lugares somos bombardeados por slogans e simbolos das grandes marcas mundiais. São raros os locais onde não há simbolos ou slogans de uma grande empresa. Marca é todo sinal distintivo, visualmente perceptível, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=892&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Findiemuse.com%2Fwp-content%2Fuploads%2F2009%2F02%2F18%20Summer%2078%20%28Instrumental%29.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/06/nike.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1069" title="nike" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/06/nike.jpg?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">Em nossa atualidade as marcas tornaram-se hegemônicas. Em todas as esferas da vida social e em todos os lugares somos bombardeados por slogans e simbolos das grandes marcas mundiais. São raros os locais onde não há simbolos ou slogans de uma grande empresa. Marca é todo sinal distintivo, visualmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços. A marca é comumente associado ao nome de um produto ou empresa, como Coca-Cola, McDonald&#8217;s, Nike.  Contudo, ela inclui ainda imagens, ideias,  símbolos e logotipos. É muito comum a confusão entre esses termos. Vamos definir o que cada elemento representa para melhor expor nossas idéias. O logotipo é a representação tipográfica da marca. O  mais conhecido é o da Coca-Cola em letras vermelhas. A palavra PHILIPS em letras garrafais é também bastante conhecido. Já o slogam  é uma frase concisa, marcante e criativa que acompanha o logotipo ou simbolo da marca. Por exemplo, o slogam “Just do it” da Nike ou o slogam  “The power of dreams” da Honda. Outro elemento  é o  simbolo, ele  é a representação gráfica da marca. Um dos simbolos mais conhecidos é o simbolo da Nike, o chamado Swoosh,  é um desenho gráfico criado por Carolyn Davidson em 1971 e representa a asa da deusa grega. Outro simbolo conhecido é a letra  “M”  maiúscula do McDonalts e o  jacaré da Lacoste. Esse conjunto de imagens, idéias, simbolos, logo, slogam que representam uma pessoa, entidade, empresa ou serviço é chamado de “Brand” (Marca). Os teóricos da  publicidade entendem que  “Branding” é a imagem e a percepção que temos como consumidores de um determinado produto, serviço ou empresa, ou seja<strong>,</strong>  é um sistema de comunicação que demonstra por que a marca é  importante.  A marca é tão importante que seu nome em valores monetários é muito superior as sua fábricas e bens materiais.  A marca Coca-Cola, por exemplo,  foi estimada pelo mercado financeiro em setenta bilhões de dólares.  <strong>         </strong></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>                 </strong>O objetivo da<strong> </strong> marca não é vender um produto, mas vender uma idéia, uma história, um discurso que apela ao coração.  Ela é algo mais do que o produto, uma vez que   é  uma promessa de felicidade. É por causa dos signos e simbolos que a marca comunica  que o produto torna-se vendável.  A marca tenta nos convencer que ao consumir seus produtos podemos ter uma gratificação imediata. Ela apela ao coração e a mente como símbolos de felicidade e alegria. Se estivermos tristes, em depressão ou tediados basta ir ao shopping e comprar as marcas e os produtos que desejamos  para recuperarmos  o equilibrio emocional.  Não há nada mais prazeroso do que fazer compras e não há nada mais feliz do que adquirirmos as marcas que almejamos ter. Consumir uma marca significa sentir-se bem, alegre e feliz. Este argumento não é apenas filosófico, mas científico. Estudos da neurociências mostraram que o consumo de uma  marca  estimula o núcleo accumbens, que pertence ao sistema límbico e funciona como o centro do prazer. Suas células nervosas são ativadas por um neurotransmissor, a dopamina, levando à liberação dos chamados opiáceos endógenos  produzidos pelo próprio organismo. Estas substâncias estão associadas à sensação de prazer e bem-estar. Dessa forma, o consumo de uma marca além de suprir um desejo e uma necessidade causa prazer e torna o indivíduo alegre e feliz.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">                  As marcas humanizam os produtos, tornando-os conhecidos, confiáveis  e amigaveis até que se tornem  parte de nosso eu. Elas atendem  nossas necessidades e desejos como se fossem amigos de infância. Algumas pessoas consomem uma marca por toda a vida, seja uma roupa, um carro, uma bebida ou um alimento. Ela torna-se parte do estilo de vida da pessoa.  É a partir da marca que o indivíduo procura adquirir certo status social. Nosso status social está inscrito nas marcas e produtos que consumimos.  Por estas razões,  a marca é antes de tudo um signo que deve ser interpretado. Ela emite uma mensagem para ser decifrada. As marcas  são referências, são simbolos e signos que mandamos aos outros. Elas criam significados e procuram representar quem nós somos. Queremos mostrar o que somos e por que somos. A marca se associa a valores que almejamos ter. Se usamos Nike é porque queremos parecer jovens, fortes, enérgicos e vencedores. Se fumamos Free é porque queremos ser livres e independentes. Se usamos Chanel é porque queremos nos sentir femininas sem deixar de ser fortes e poderosas.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Mais importante que os produtos são os valores que as marcas veiculam. A marca carrega os valores e a personalidade da empresa. São estes valores e personalidade que o consumidor almeja ter. O slogan da Nike, “Just do it” (Apenas faça-o), presente em todas as propagandas, comerciais e produtos desta empresa é uma idéia que carrega  valores, modos de ser, pensar e agir. O slogam diz “Apenas faça-o”. Mas faça o quê?  O verbo fazer indica ação, movimento. Para fazer algo é necessário esforço, empenho. Quando algo é grande temos que insistir, temos que  perseverar. Perseverar significa que não podemos desistir, que temos que alcançar a vitória em nossa causa. Temos que vencer a qualquer custo. Através do nossa ação, esforço,  insistência e perseverança podemos vencer, somente assim chegamos a vitória.   Este é o significado da palavra Nike, nome grego da Deusa da Vitória. O slogan “Just do it” relaciona-se a ideia de vitória.  Quando nos deparamos com o símbolo da Nike juntamente com o  slogan “Just do it” o que nos vem a mente são imagens de atletas determinados que correm a uma grande velocidade em busca da vitória antes considerado impossível. Quando a Nike financia um atleta como o jogador de basketball Michael Jordan ela  associa a marca a força, a energia e as vitórias do jogador.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Outra marca bastante influente é o McDonald’s. Os slogans do McDonald’s  remetem a um mundo de fantasia, prazer e alegria:  “Amo muito tudo isso”, “Estou adorando”, “Fazemos tudo para você”, “McDonald’s é o seu lugar”. O objetivo da marca McDonald’s não é só vender BigMac, mas vender cultura. Seu objetivo é preparar  as crianças para a cultura do fast food.  Dessa forma, os slogans, simbolos e as propagandas procuram atingir as crianças. Estas são levadas ao reino da fantasia  com a ajuda do mágico e malabarista Ronald McDonald<strong>,</strong> o personagem símbolo da marca,   um velho conhecido das crianças de todos os países onde a marca está presente.  Ao criar um mundo onirico Ronald McDonald’s procura conquistar as crianças  para seus produtos. O lúdico e a fantasia  são recursos usados para criar uma realidade de alegria e sonho. Por isso, o McDonald’s  é uma das primeiras marcas que assimilamos em nossa infância. Ela cria um mundo de sonho cheio de cores em suas propagandas, um mundo onde toda criança gostaria de estar.           </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      O slogam da Honda  “The power of Dreams” (O poder dos sonhos) se refere a vida de seu criador Soichiro Honda. Este homem passou por muitas adversidades em vida,  mas acreditou no poder de seus sonhos.  Desde sua infância obsevou motores e sempre se encantou com seus mecanismos. Mas a vida foi bastante dura com ele.  Aos 16 anos saiu de sua cidade e trabalhou numa oficina mecânica. Algum tempo depois montou sua própria oficina. Desenvolveu um projeto, o  “anel de piston”, que tentou vender para a Toyota, mas  foi recusado,  pois não atendia os padrões exigidos.  Trabalhou por dois anos, dia e noite, até que conseguiu atender os padrões da empresa e ai vendeu à Toyota. Com o dinheiro recebido montou sua fábrica de motores, mas esta foi destruida duas vezes durante a guerra. Depois de reconstruir sua fábrica, ela foi destruida novamente por um terremoto. Com a escassez de gasolina por causa da guerra o Sr Soichiro construiu um pequeno motor para sua bicicleta. Foi com este pequeno motor que ele encantou o mundo. Contudo, não tinha dinheiro para construir a fábrica, então pediu ajuda quinze mil lojas em seu pais, dessas lojas,  cinco mil deram o capital necessário para ele recomeçar. Hoje a Honda Motor Company é uma das maiores empresas automobilística do mundo. O slogam da Honda se refere a esta história e procura mostrar que os sonhos tem grande poder de realização se formos perseverantes. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Não podiamos esquecer da Coca-Cola sendo ela a maior empresa que gasta com publicidade no mundo. Ela é uma das marcas mais antigas, mas que apesar disso continua “saudável e refrescante” como a cem anos atrás.    Os slogans da Coca-Cola sempre valorizam  a fruição e receptividade do prazer. Dessa forma, quando a coca-cola cria slogans como “Sempre Coca-Cola”, “Viva o lado Coca-Cola da vida”, “Sua felicidade transforma”,  “Gostoso é viver”,  ela associa a Coca-Cola ao lado prazeroso da vida cooptando os desejos  dos indivíduo para beber seu refrigerante.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Os valores de uma marca se personificam em seus slogans e tornam-se  cooptadores da consciência. Eles funcionam como  chamariz cooptando os interesses, necessidades e desejos dos indivíduos.    Na cabeça do consumidor a marca representa a qualidade de um produto, mas na verdade o que se almeja incoscientemente ou mesmo concientemente é se associar a um grupo ou a uma certa classe social. O consumidor busca comunicar um modo de ser, uma personalidade diferente. Ele quer afirmar seu  individualismo. Ele busca se diferenciar dos demais pela marca que consome.  A marca é uma maneira simples e simbólica de se conseguir isso. Contudo, o que o consumidor ignora é  que seu individualismo é industrialmente produzido e ao querer se diferenciar dos demais ele torna-se  igual entre iguais, uma vez que se torna  um mero consumidor.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         As marcas dominam nossos pensamentos. Em consequência disso, vivemos num mundo onde não há mais lugar para o pensamento. As marcas  substituiram as idéias e os livros, uma vez que oferecem máximas de comportamento, desenvolvem valores, normas e crenças que servem de referencial para todos. Elas  dominaram a vida urbana e rural, nos bombardeam por todos os ângulos e em todos os lugares, calando a boca dos filósofos e pensadores. O pensamento perdeu sua universalidade e tornou-se mercadoria barata.      </span></p>
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		<title>Existe uma prova racional para a existência de Deus?</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Mar 2010 06:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza                                                                                                                                                        Se o mundo foi criado por um ser superior, ele seguiu um plano racional, criando regras e determinando uma ordem. Esta ordem e  plano divino podem ser contemplados por qualquer mortal. Foi isso que Einstein tentou fazer durante toda sua vida. Ele tentou compreender como o mundo foi ordenado, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=796&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp" style="text-align:justify;">
<p><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FWalter%2520Franco%2520-%2520Respire%2520Fundo.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>                                             <a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/03/kandinsky_comp-8.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1231" title="kandinsky " src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2010/03/kandinsky_comp-8.jpg?w=600" alt=""   /></a>                                                                                                         </p>
<p><span style="color:#ffffff;">Se o mundo foi criado por um ser superior, ele seguiu um plano racional, criando regras e determinando uma ordem. Esta ordem e  plano divino podem ser contemplados por qualquer mortal. Foi isso que Einstein tentou fazer durante toda sua vida. Ele tentou compreender como o mundo foi ordenado, como foi estruturado. Chegou a conclusão  de que o  mundo tem uma ordem apriori. Famosa é sua frase “Deus não joga dados”. Ele quis dizer com isso, que Deus não fez o mundo por acaso, de qualquer jeito, como se jogasse com a sorte. Deus seguiu um plano, criou um esquema, desenvolveu uma estrutura para que as coisas existissem. Por estas razões, não podemos pensar um quadrado que seja redondo; não podemos usar a luva da mão direita na mão esquerda; não podemos pensar um objeto sem espaço, forma ou extensão. Aliás, espaço, forma,  extensão, tempo, relação, unidade, pluralidade, totalidade, realidade são as condições de possibilidade de existência do mundo. Sem essas condições não existiria mundo.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">         O que queremos dizer é que o mundo para existir obedece certas regras universais e necessárias. Sem essas regras o mundo não seria possível. Vamos dar alguns exemplos: um objeto quadrado só pode ser quadrado se, e somente se, possuir quatro lados idênticos. Essa é uma regra universal  para qualquer objeto que seja quadrado. Por isso, não pdemos pensar um quadrado que seja redondo.  Na proposição “a linha reta é a distância mais curta entre dois ponto” nada se afirma de determinada linha reta, mas de qualquer linha reta (universalidade), por sua vez, não se declara que a linha reta é a mais curta em certas condições, mas em quaisquer condições (necessidade). Da mesma forma, não podemos imaginar um objeto sem espaço, pois o espaço é a condição de existência de qualquer objeto. Também não podemos pensar a transformação, o movimento e a simultaneidade sem a noção de tempo, pois o tempo é a condição de existência de qualquer sucessão. Quando dizemos que todas as paralelas são equidistantes, não queremos dizer que a equidistância é uma coisa. A equidistância só existe enquanto abstração, idéia, não existe em si mesma. É universal. O universal é aquilo que se encontra em todas as coisas de uma mesma espécie ou gênero. A equidistância existe em quaisquer paralelas, não em uma única paralela. Essas regras universais e necessárias que governam as coisas demonstram que por trás do universo há uma estrutura, há uma racionalidade.   O mundo é regido por idéias que não existem em si mesmas, mas que são a condição de existência das coisas.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">      Os Gregos foram os primeiros a compreender que o mundo tem uma ordem racional apriori. Eles entendiam que além de uma razão subjetiva, que pensa, analisa e demonstra; existiria uma razão objetiva presente na estrutura da matéria, na natureza, no cosmo e nas relações entre as coisas. Para os gregos o mundo teria uma estrutura lógica.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">        O primeiro a compreender que o mundo tem uma ordem racional  foi Pitágoras. Ele acreditava que tudo que existe no universo é mesurável e poderiar ser compreendido através de uma lei universal da matemática. Os números seriam a essência de todas as coisas.  Ele acreditava na divindade dos números.  Os números eram substânciais primordiais, entendidas como pontos, isto é, como massa, sendo, portanto, concebidos como sólidos. O número um formaria o ponto, o dois determinaria a linha, o três geraria a superfície, o quatro constituiria o volume. O número também era entendido como ordem e sendo tudo determinado pelo número, então tudo é ordem.  Em grego, ordem significa “Kosmos”. Os gregos chamavam o universo de cosmo,ou seja,ordem.  </span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">           Platão também acreditava numa estrutura inteligível, numa ordem racional  para o universo. Ele mostrou-nos que todos nós estamos sempre em contato com duas realidades: uma inteligível e outra sensível. A primeira é permanente, universal, nunca se modifica, é o mundo das idéias. A segunda é o mundo que percebemos por nossos sentidos, mutável e contingente, o mundo sensível. Para Platão Deus seria um demiurgo, um ser que copiaria o mundo perfeito das idéias na matéria imperfeita. Antes que houvesse o mundo, existiriam as idéias eternas e perfeitas, que seriam copiadas na matéria informe, imperfeita. “Através dos diálogos, Platão vai caracterizando essas causas inteligíveis dos objetos físicos que ele chama de idéias ou formas. Elas seriam incorpóreas e invisíveis – o que significa dizer justamente que não está na matéria a razão de sua inteligibilidade. Seriam reais, eternas e sempre idênticas a si mesmo, escapando a corrosão do tempo, que torna perecíveis os objetos físicos. Merecem por isso mesmo, o qualificativo de ‘divinas’ (…). Perfeitas e imutáveis, as idéias constituiriam os modelos ou paradigmas dos quais as coisas materiais seriam apenas cópias imperfeitas e transitórias. Seriam, pois, tipos ideais, a transcender o plano mutável dos objetos físicos.” (Pessanha, 1987, XVI-II).</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">             Tal como platão, Aristóteles também percebeu uma estrutura racional presente nas coisas. Ele percebeu esta estrutura quando distinguiu matéria e forma. Para ele, matéria é aquilo de que é feito algo, é a substância de algo. Já forma ele buscou na geometria. Ele entendeu forma como limites de contorno de  um corpo, como figura de contorno. Mas também entendeu num segundo sentido como “aquilo que faz que a coisa seja o que é”, ou seja, como conjunto de caracteres essenciais que fazem com que as coisas sejam aquilo que são. Segundo o filósofo manuel Morente, para Aristóteles as formas das coisas não são casuais, não surgiram por acaso, não são causas puramente físicas. Ao contrário, cada coisa necessariamente tem a forma que deve ter. É a forma que define a coisa, dá sentido a ela. Esse sentido é sua finalidade, seu telos, palavra grega que significa fim. Quando definimos o que é uma coisa, dizemos qual é sua finalidade. Para Aristóteles a definição de algo contém a forma ou conjunto das notas essenciais que imprimem nessa coisa um sentido que é aquilo para que serve.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">         Uma vez que entendemos o que é matéria e forma, fica fácil entender como se dá a origem e produção das coisas no universo segundo Aristóteles. O advento das coisas consiste em que à matéria  informe, sem forma, se acrescenta, se agrega, a forma. A forma é o conjunto de características essenciais que fazem da coisa aquilo que é e lhe dão sentido. Isso significa que a forma é o correspondente do mundo das idéias de Platão. É a idéia divina que desce dos céus e imprime sentido a matéria informe. Em outras palavras, tudo aquilo que é, somente é, porque foi feito inteligentemente. Nas palavras de Morente, “se a forma da coisa é aquilo que confere à coisa sua inteligibilidade, seu sentido, seu Telos, seu fim, não há mais remédio que admitir que cada coisa foi feita do mesmo modo como o escultor faz a estátua, como o marceneiro faz a mesa, como o ferreiro faz a ferradura. Tiveram que ser feita todas as coisas do universo, todas as realidades existenciais por uma causa inteligente, que pensou o telos, a forma, e que imprimiu a forma,o fim, a essência definitória na matéria” (Morente, 1978,p. 98)</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">       Aristóteles também apresenta o argumento do motor primeiro.  Para ele tudo o que existe tem uma causa. Tudo o que é causado pode causar outras coisas. Dessa forma deve existir uma causa primeira que causou as coisas, mas que nunca foi causada por nada. Esta causa primeira é Deus.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">         A filosofia chinesa também percebeu uma estrutura objetiva no mundo.  Lao-Tsé que viveu no século IV a.C, o grande criador do taoismo chinês também acreditava numa ordem racional. A palavra Taoismo tem origem na palavra chinesa Tao, que significa “caminho”. Em sua filosofia Lao-tsé ensinava o caminho da natureza, que em sua opinião era uma potência ordenadora  que controlaria todo o universo. Para Lao-Tsé tudo na vida segue o processo natural, o caminho do Tao, que devemos entender como a ordem das coisas de acordo com a lei natural. O taoismo não distingue a vida da morte, a realidade da irrealidade, o ser do não-ser. Tudo que existe segue uma ordem natural.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">        Na Idade Média dois filósofos, um platônico e outro aristotélico, tentaram unir razão e fé, demonstrando que o mundo tem uma ordem racional apriori.  Santo Agostinho (354-430) fundamenta sua filosofia a partir das idéias de Platão. Ele reinterpreta a teoria das idéias  reconciliando-a com o cristianismo. Para ele Deus teria criado o mundo a partir de idéias imutáveis. Essas idéias não residiriam num mundo à parte como pensava Platão, mas na mente de Deus, conforme mostra a bíblia. Por sua vez,  São Tomás de Aquino (1225-1274) afirmava que o mundo tem uma ordem e, por esta razão, deve haver uma inteligência ordenadora de todas as coisas. Como bom aristotélico, ele entendia que Deus era o motor primeiro de todas as coisas. Se Deus é a causa primeira do universo, então “todas as criaturas estão ordenadas e são conduzidos a seus respectivos fins pela ação da causa primeira manifestada pela providência divina” (Costa, 1993, p.67).</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">      Hegel (1770-1831), filósofo alemão do século XVIII foi mais longe, dizia que o mundo é a manifestação da Razão. Ele tentou explicar o universo a partir das idéias. Para ele as idéias são anteriores as coisas, precedem logicamente o mundo, são fonte de todos os seres. São as condições do existir. Tudo o que existe procede apenas das idéias universais.   A racionalidade não é apenas uma característica do pensamento, mas do próprio tecido do real. Sua filosofia procurou mostrar que o mundo evoluiria dialeticamente a partir de contradições internas. Na origem do universo estaria as idéias universais (Tese). Em seu desenvolvimento as idéias puras criaram a natureza (Antítese). Mas a natureza ficou desprovida de consciência. Do conflito entre idéias e natureza surgiu o espírito (sintese). Para Hegel, o espírito é ao mesmo tempo matéria e pensamento. Foi a partir daí que a natureza ganhou consciência de si mesma. Dessa forma, o real tornou-se racional e o racional tornou-se real.      </span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">      Um dos maiores filósofos contemporâneos, pai da lógica simbólica, o Austríaco Wittgentein,  sempre acreditou na existência de uma ordem a priori no mundo. Segundo ele, só podemos pensar e falar sobre o mundo, porque há algo em comum entre linguagem e mundo.   Ambas possuem uma estrutura lógica. A lógica possibilita a linguagem representar o mundo. O mundo é lógico.  Ele expressa essa idéia de forma poética em seu livro “Investigações Filosóficas”. “Há uma aureola à volta do pensamento. – A sua essência, a lógica,   representa uma ordem, de fato a ordem a priori do mundo, isto é, a ordem das possibilidades que têm que ser comuns ao mundo e ao pensamento. Mas parece que esta ordem tem que ser supremamente simples. É a ordem que precede toda experiência, que corre ao longo de toda experiência, à qual não se deve pegar nada do que é turvo e incerto na experiência. – Tem que ser do mais puro cristal. Mas este cristal não parece  ser uma abstração, mas algo de concreto, como a coisa mais dura que há” (Investigações, 97)</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">           O que procuramos mostrar aqui é a idéía de que o mundo tem uma estrutura racional apriori, sendo esta a maior prova racional de que o mundo não é apenas governado pelo acaso e  contingência. Esta ordem que existe no universo não está na matéria, não é imanente a toda substância, uma vez que tudo na matéria é contingência. Esta ordem também não transcende a matéria, não está fora do mundo, uma vez que sem ela não existiria mundo. Esta ordem é a condição de existência do mundo. Ela precede logicamente o mundo.  O mundo só pode existir porque tem ordem, sem o qual não existiria.  </span></p>
<p><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo, Nova Cultural, 1996.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">COSTA, José S. Tomás de Aquino: a razão a serviço da fé. São Paulo:</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Moderna, 1993</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">NÓBREGA, F.P. Compreender Hegel. Petrópolis: Vozes, 2005</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">MERTON, Thomas. A Via de Chuang Tzu. Petrópolis: Editora Vozes, 1974.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">MORENTE, Manuel Garcia. A matéria e a forma. In: <em>Fundamentos de filosofia:</em> lições preliminares. São Paulo: Mestre Jou, 1978. p. 97-8.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">PESSANHA, J.A.M. Platão.  In: Os Pensadores. 4 Edição. São Paulo: Nova Cultural, 198</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;"><span style="font-family:Times New Roman;">WITTGENTEIN, L. Tratado lógico-Filosófico. Lisboa: Fundação Calouste Gulberkian, 1995.</span><span style="font-family:Times New Roman;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman;color:#ffffff;">WITTGENSTEIN, L. Investigações Filosóficas. Lisboa: Fundação Calouste Gulberkian, 1995. </span></p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/796/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/796/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=796&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A reprodução da desigualdade racial através  da reprodução da violência simbólica</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 16:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FBichodesete.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/11/martin_luther_king_animado.gif"><img class="alignleft size-full wp-image-1294" title="martin_luther_king_animado" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/11/martin_luther_king_animado.gif?w=600" alt=""   /></a><span style="color:#ffffff;">O nosso objetivo  é desvelar os mecanismos da reprodução da desigualdade racial. Por que esta desigualdade se reproduz? Quais são seus mecanismos? Como o preconceito e a discriminação se perpetua? O que procuramos demonstrar é que o racismo não se consolida mais como um conjunto de teorias ou idéias que justificam uma hierarquia entre raças ou etnias, mas que ela se perpetua ao nível do simbólico e da representação, muitas vezes de modo inconsciente e mecânico. Em conseqüência disso, é por meio  da violência simbólica, entendida como um conjunto de símbolos e representações agressivas e discriminatórias, que o preconceito e a discriminação se manifesta e reproduz.       </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        O maior símbolo do preconceito e da discriminação é representado pelos baixos índices socioeconômicos da população negra e pelo acesso desta às posições na pirâmide social.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A educação que é vista como o meio para se ascender na pirâmide social, apresenta ainda muitas disparidades. Enquanto os brancos estudam 8,8 anos, os negros passam apenas 6,8 na escola.  Dos que chegam à faculdade apenas 2,2 conseguem concluí-la. Se considerarmos os pardos como negros esta taxa aumentaria para 19,1 contra 77,8 dos brancos.*</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> <img class="alignleft size-full wp-image-754" title="gráfico" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/11/grafico.jpg?w=600" alt="gráfico"   />              Fonte: IBGE,1999/Inep, 2001</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Na saúde a disparidade continua. Enquanto 54% dos atendimentos e 59% de internações nos SUS são de brancos, esses índices sobem para 76% e 81% respectivamente na população negra. Também é uma porcentagem pequena dos negros que possuem planos de saúde chegando a 14,7% em relação aos 32% de brancos que o possuem.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">     Em relação ao desemprego as mulheres são mais injustiçadas, primeiro por serem mulheres e segundo por serem negras. A taxa de desemprego das mulheres negras é de 12,4%, enquanto a das mulheres brancas é de 9,4%. Entre os homens negros a taxa de desemprego é de 6,7%, enquanto a taxa de desemprego dos homens brancos é de 5,5%.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">     A precariedade aumenta em relação ao recebimento do  bolsa família. Do total de famílias que recebem a bolsa família 69% são chefiadas por negros, mostrando que eles representam a população mais pobre do Brasil. Esta idéia também pode ser corroborada pelos dados de moradias nas favelas. São dois milhões de domicílios que ficam na favela, formando um contingente de oito milhões de pessoas. Desse montante de residências 66,1% são chefiados por negros enquanto 33% são chefiados por brancos.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Está  claro que os baixos índices socioeconômicos da população negra e a desigualdade de oportunidades demonstram que no Brasil há preconceito e discriminação racial.   Mas como o preconceito é aprendido? Como ele é assimilado e internalizado no imaginário popular?   Ele é aprendido  do convívio social desde a primeira infância em seu convívio com os pais e, mais tarde, através das práticas sociais, na escola, nas ruas, nas empresas, nas instituições e na mídia. O preconceito se acumulou desde a escravidão criando representações sociais e experiências  de subjugação e subalternidade que foram internalizadas tanto no negro como no branco. “A complexidade das relações raciais na sociedade brasileira foi construída com base no processo de escravização de africanos. Isto foi o que criou, ao longo de séculos de história, tanto no escravizado quanto no escravocrata, representações sociais e experiências de subalternidade que são, do ponto de vista individual, de uma fundura simbólica imensa, e que produzem, do ponto de vista social, um engessamento de lugares e de hegemonia”. (Lopes, 2007, 17)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O racismo tornou-se natural em nossa atualidade, se naturalizou a tal ponto que se transformou num mecanismo inconsciente e automático. O preconceito se manifesta a níveis de representações e expressões que se solidificaram como fósseis correspondentes a estados de primitivismo na mente dos indivíduos. “As expressões que denotam o preconceito racial estão de tal forma impregnados na nossa sociabilidade que já ficaram naturalizados no nosso cotidiano, como padrão predominante de comportamento (&#8230;) (Lopes, 2006, p.22)   </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         É no imaginário social que o preconceito insiste em se perpetuar. Brincadeiras, piadas, representações, classificação, conceitos, opiniões, certezas, categorias, achismos são os produtos e ingredientes simbólicos do preconceito e da discriminação racial.  As categorias criadas no dia- a -dia não podem ser ignoradas, nelas encontram-se o lugar da desigualdade. Bombom, moreninho, neguinho, mulatinho, entre outros são categorias afetivas que insistem em agrupar os negros em sua dessemelhança em relação aos brancos.  Você é um negro e não um branco.   “Essa origem da classificação por cor é carregada de um conteúdo marcadamente discriminatório, e com ele vêm junto conceitos, opiniões e certezas que informam, ao longo da nossa história, o lugar de cada um – brancos e negros – no imaginário social” (Lopes, 2007, p.17)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      Há também uma série de termos simbólicos que insistem em apagar, encobrir, disfarçar a origem étnico-racial. Os eufemismos como moreninho, moreno, moreno claro, escurinho fazem parte da etiqueta social procurando suavizar a cor negra, como se ela fosse algo ruim ou como se fosse má educação se referir a alguém como negro.    </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        Há também muitas frases faladas no cotidiano que soam de forma natural e que reforçam o sentimento de desprezo ou de inferioridade.  Geralmente são frases com premissas ocultas.  “Nossa como ele é bonito para um negro”; “Ele que é o dono de tudo isso?”; “Eu quero uma meia-calça cor de pele”, “Adoro negras, são ótimas empregadas”, “Por que você não alisa o cabelo, vai ficar bonita”. “Maria faz parte da família, é uma negra feliz”.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Também não podemos nos esquecer das piadas racistas que sempre são faladas em tom de brincadeiras e acompanhadas de risos, reforçando o preconceito racial: “é preto, mas é inteligente”; “é preto, mas é bonito”; “ninguém mandou ter cabelo ruim”; “quando não caga na entrada, caga na saída”. Apesar dessas brincadeiras serem feitas entre amigos ou parentes, não podemos negar que elas são de extremo preconceito e discriminação reforçando e perpetuando no imaginário popular a desigualdade racial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Em conflitos o preconceito se manifesta abertamente. Numa  desavença é comum o preconceito ser manifestado por meio  de xingamento racista como “macaco”; “urubu”;  “negro”, “nego fedorento”; “negão”. É mais comum esse tipo de agressividade entre alunos nas escolas. Geralmente o professor é complacente ou somente  chama a atenção do aluno, mas não faz um trabalho de conscientização permitindo assim que o racismo se manifeste e se perpetue no ambiente escolar.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        O corpo e as expressões corporais  são uma linguagem e como tal manifestam também o preconceito.  Muitas vezes o preconceito é manifesto em gestos e expressões faciais: um sorriso de escárnio, um olhar dissimulado, a indiferença, a arrogância.         </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       O preconceito se manifesta não somente pelo que é dito, mas também pelo não dito, não falado, não mostrado. A escola é o lugar privilegiado da socialização onde os jovens devem aprender valores e regras do convívio social. É também o lugar da transmissão, estudo e reflexão de nossa identidade, cultura e formação. Contudo, na escola a história, a cultura, a música, os feitos dos heróis negros são esquecidas. Segundo Ana Lucia Lopes, coordenadora do Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, “o currículo não é um elemento neutro e desinteressado na transmissão de conteúdos do conhecimento social. Ele esteve sempre imbricado em relações políticas de poder e de controle social sobre a produção desse conhecimento. Por isso, ao transmitir visões de mundo particulares, reproduz valores que irão participar da formação de identidades individuais e sociais e, portanto, de sujeitos sociais.” (Lopes, 2007, p.16). A escolha dos conteúdos nas escolas ao privilegiar o ponto de vista da história do branco e de sua cultura reproduz o preconceito e a discriminação. Essa omissão prejudica a formação e construção da identidade da criança negra, prejudicando sua auto-imagem e auto-estima. Além disso, prejudica o prestígio social e histórico da população negra e mestiça, perpetuando a desigualdade racial.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        O grande problema do preconceito no Brasil é que ele é velado, foi assimilado culturalmente, tornando-se muitas vezes inconsciente. “A conseqüência disso, sabemos bem, é a dificuldade de combater o nosso preconceito, que em certo sentido tem, pelo fato de ser variável, enorme e vantajosa invisibilidade.” (Matta, 1984, p.43)  O caminho para acabar com o preconceito esta na educação. É necessário educar as novas gerações dando visibilidade à cultura, à história, à música, aos valores e à religião dos afro-descendentes.  “É preciso olhar mais de perto as experiências escolares que essas crianças e jovens vivenciam. A escola precisa aprender, para assim propor situações de aprendizagem que considerem a presença fundamental dos negros e mestiços em nossa sociedade e, com isso, proporcionar, no currículo cotidiano, outros encontros  identitários, mas, dessa vez, de inclusão, de sucesso e, portanto, de aprendizagem positivas.” (Lopes, 2007, p.16-7)     </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">* Os dados estatísticos presentes neste texto  fazem  parte do documento “Retrato da desigualdade de gênero e raça”, publicado em 2008 pelo “Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas” (Ipea), em parceria com o “Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher”  (Unifem) e a “Secretaria Especial de Políticas para mulheres e Homens Negros”  (SPM)</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">LOPES, A.L. Currículo, escola e relações étnico-raciais. In: Educação, Africanidades, Brasil. Brasilia: Editora UNB, 2007</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">LOURENÇO, C. Racismo, a verdade dói. Encare. São Paulo: Editora Terceiro Nome, 2006</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">DAMATTA, R. O que faz o brasil Brasil? Rio de janeiro: Rocco, 1984</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/752/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/752/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=752&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Banalização do Mal.</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Aug 2009 05:32:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza Eu estou depressivo(…) sem telefone(…) dinheiro para o aluguel(…) dinheiro para o sustento de criança(…) dinheiro para dívidas(…) dinheiro!(…) Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor(…) pela criança faminta ou ferida(…) pelos homens loucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policial, assassinos(…)                                 Trecho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=724&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#ffffff;"><em>Por Michel Aires de Souza</em></span></p>
<p><em><strong><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fwww.mumfordland.org%2Fmusic%2Fwp-content%2Fuploads%2F2007%2F05%2F01-title-music-from-a-clockwork-orange.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></strong></em></p>
<p><em><strong><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/08/imagem.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-725" title="imagem" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/08/imagem.jpg?w=600" alt=""   /></a></strong></em><em>Eu estou depressivo(…) sem telefone(…) dinheiro para o aluguel(…) dinheiro para o sustento de criança(…) dinheiro para dívidas(…) dinheiro!(…) Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor(…) pela criança faminta ou ferida(…) pelos homens loucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policial, assassinos(…)                                </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Trecho da carta de suicídio de Kevin Carter</em></p>
<p style="text-align:justify;">                 <span style="color:#ffffff;">Este  trecho é de uma carta de suicídio do fotógrafo  sul-africano <strong>Kevin Carter</strong>(1960-1994) ganhador do premio Pulitzer em 1994. Ele fotografou uma criança faminta, sem forças, rastejando para um campo de alimentação,  há um quilômetro dali.  Ao lado um urubu   observa e espera  a morte da criança  para poder devorá-la,  como  se  já soubesse apriori   e esperasse  a morte chegar. Carter observou durante vinte minutos, achando que o urubu fosse embora, como não foi, espantou-o e saiu rapidamente dali. Nesta atitude está todo o peso de seu sofrimento e suicídio. Ele se culpou por não tê-la salvo e refletiu sobre si mesmo naquela cena: “um homem ajustando suas lentes para tirar o melhor enquadramento de sofrimento dela, talvez também seja um predador, outro urubu na cena”.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           Por que Carter não a salvou? O que ele pensava?  Qual era sua preocupação?  Com um pouco de reflexão podemos entender por que razão ele não a salvou.     Todos nós, filhos da modernidade, somos espectadores de uma experiência empobrecedora que melhor se conceitua como guerra, fome, miséria, repressão e barbárie.  No mundo moderno o mal se tornou comum, é parte da cena cotidiana.  O mal se banalizou. Tornamo-nos insensíveis a desgraça alheia.  Carter, como fotógrafo, acostumou-se a captar o cinéreo, o claustro e o frívolo em suas fotografias.   Acostumou-se a experimentar o mal. Mas pagou um preço alto pela banalização do mal. Quando refletiu sobre a cena,  sentiu náusea,  culpa,  remorso. Suicidou-se.  Foi o preço que ele pagou por sua falta de piedade. Digo piedade, pois é por meio desse conceito que podemos entender Carter. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Segundo Rousseau o que diferencia o homem do animal é o fato de ele ser um “agente livre”.  Do ponto de vista moral, ao contrário dos  animais, que seguem as regras da natureza, o homem é dotado de vontade  e tem consciência de sua liberdade. Ele pode fazer escolhas, não se limitando as regras prescritas pela natureza.  O homem é um ser moral, dotado de vontade e de livre arbítrio.  Carter teve que fazer uma escolha moral, salvar ou não salvar aquela criança?  Ele não a salvou, deixou-a aos urubus.  Mas por quê?  O que ele temia? Não sabia que ela ia morrer?  Será que faltou piedade a Carter? </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">             Outra característica  que   diferencia o homem do animal, segundo Rousseau,  e que foi responsável  por  torná-lo  bom e sociável,  é a piedade, entendida como uma “repugnância inata de ver sofrer seu semelhante”.    Parece-me que Carter não experimentou esse sentimento.    Sua piedade falhou?  Mas por que ela falhou? Por que ele não sentiu piedade naquele momento?</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        A falta de piedade no momento da cena tem uma explicação filosófica. Segundo Theodor Adorno, um dos maiores filósofos do século XX, a principal característica da sociedade de massas não é somente a perda da individualidade, mas a perda da sensibilidade, ou seja, a insensibilidade do homem moderno. Somos herdeiros da apatia burguesa. O homem moderno vai ficando apático aos acontecimentos até se tornar completamente insensível. Ele é convidado a nada mais que compartilhar da experiência brutal e uniforme da modernidade. O progresso técnico e científico em vez de criar um mundo de receptividade e fruição do prazer só gerou a opressão, a miséria e o sofrimento. Nos acostumamos a esse estado de coisas. É a completa reificação do homem.  Todos os dias nos deparamos com mendigos, violência nas ruas, favelas, injustiças, pobreza, fome até nos tornarmos insensíveis ao sofrimento alheio. Essa é uma característica de nossa sociedade de massas.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          Outro fator que asseveramos é o amor próprio.  Para Rousseau é por causa de seu amor-próprio, gerado pela reflexão, que o homem é capaz de pensar primeiro em si e, vendo sofrer seu semelhante, dizer “Morre, se queres; estou em segurança”.  Em seu amor próprio o homem contemporâneo perdeu este sentimento natural de piedade na medida em que o mal tornou-se uma característica da experiência moderna. Dessa forma Carter, como um típico homem moderno, perdeu esse sentimento se acostumando a barbárie de nossa época.          </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Para Rousseau o homem só se tornou homem, ou seja, tornou-se humano pela piedade.  A piedade é um sentimento natural presente em todos os homens. Dessa virtude natural é que resultam as virtudes sociais como  a generosidade, a clemência, a bondade, a benquerença.  É a piedade que nos leva “sem reflexão em socorro daqueles que vemos sofrer; é ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ninguém é tentado a desobedecer a sua doce voz; é ela que impede todo selvagem robusto de arrebatar a uma criança fraca ou  a um velho enfermo sua subsistência adquirida com sacrifício, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; é ela que,  em vez desta máxima sublime de justiça raciocinada, ‘faça a outrem o que queres que te façam, inspira a todos os homens esta outra máxima de bondade natural, bem menos perfeita, porém mais útil, talvez, do que a precedente: faze o teu bem com o menor mal possível a outrem” ¹</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">                                        Michel Aires de Souza                                                                        </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> 1 Rousseau, J Discurso sobre a origem  da desigualdade entre os homens.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/724/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=724&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Afinal, qual é o problema da educação?</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 14:56:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Michel Aires de Souza O governo culpa os professores pela má qualidade do ensino, mas não enxerga o verdadeiro problema e tenta resolvê-lo com receitas prontas e acabadas. Em São Paulo o governo criou  a progressão continuada, os ciclos, a avaliação contínua, a recuperação paralela, deu um novo sentido ao conceito de escola (a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=715&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Por Michel Aires de Souza</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><span style="color:#000000;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FRacionais.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/07/charge.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2026" title="charge" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/07/charge.jpg?w=600" alt=""   /></a>O governo culpa os professores pela má qualidade do ensino, mas não enxerga o verdadeiro problema e tenta resolvê-lo com receitas prontas e acabadas. Em São Paulo o governo criou  a progressão continuada, os ciclos, a avaliação contínua, a recuperação paralela, deu um novo sentido ao conceito de escola (a escola aprendente), deu também um novo sentido ao papel do coordenador. Contudo, nenhuma dessas ações surtiu efeito. As avaliações externas como Saresp, Saeb, Prova Brasil demonstram resultados pífios. O governo se exime da culpa e diz que o problema está na formação dos professores.  Desde então tem feito esforços para dar uma melhor formação aos professores através de cursos e de uma prática reflexiva nas HTPCs. Para o governo, os problemas educacionais são constantemente reduzidos a questões que podem ser resolvidas no âmbito do indivíduo, do esforço pessoal do professor. O professor é visto como o Messias da educação; é um ser dotado de inesgotável força de vontade que deve estar permanente disposto a se superar no cumprimento de sua missão. O importante é que cada um faça sua parte para que a educação melhore. O que o governo ainda não enxergou, por miopia, é que os problemas da educação são problemas políticos, sociais e culturais. São vários os fatores que levam o aluno a um déficit de aprendizagem. Citaremos apenas alguns deles:</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Primeiro, é um problema de política pedagógica, pois institui a progressão continuada, que em termos práticos torna-se progressão automática. O aluno perde a motivação para aprender, pois sabe que não precisará fazer esforços para passar de ano. O professor torna-se impotente diante dessa situação e perde sua autoridade, pois a nota que ele aufere do aluno não tem valor Em conseqüência disso, a indisciplina se institucionaliza. A escola torna-se o local do encontro, da amizade, do namoro, da sociabilidade, mas quase nunca do ensino. Outro problema ligado à progressão continuada é fato de as crianças chegarem ao final do primeiro ciclo sem saber ler e escrever ou chegar ao ensino médio analfabetos funcionais, sendo incapazes de interpretar um texto.  Isso ocorre porque o aluno não consegue  aprender novas competências por causa de déficits de aprendizagem em séries anteriores. O aluno sente dificuldade de desenvolver novos esquemas mentais e conhecimentos  necessários exigidos. Dessa forma, ele não consegue assimilar os conteúdos e habilidades necessários para seguir em frente.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Segundo, o problema da educação é também um problema estrutural. A escola pública no Brasil tem um modelo arquitetônico prisional. Michel Foucault, filósofo Francês, já havia estudados os males que este tipo de arquitetura causa ao indivíduo. Para ele, este tipo de arquitetura é uma arquitetura de esquadrinhamento, da observação, da disciplina, do controle, cujo único objetivo e controlar os indivíduos criando seres dóceis e serviçais ao mercado de trabalho. O aluno  da escola pública vive numa prisão. A falta de comprometimento  nos estudos,  a desmotivação, a falta de interesse do aluno é em boa parte criada por esta estrutura prisional, onde as aulas tornam-se monótonas e chatas. Falta  a escola pública  uma estrutura material para que o aluno goste de estudar, como áreas verdes, quadras, equipamentos, salas de estudo, salas de teatro, salas de vídeo, salas de ginástica, biblioteca, materiais para uso em sala de aula, etc.  Um ambiente agradável com uma estrutura impecável é imprescindível para que o aluno aprenda.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Terceiro, o problema da educação é também social. Os problemas educacionais refletem as contradições da própria sociedade. Na base da educação há uma família geralmente carente material e intelectualmente. Pobreza, fome,  falta de trabalho e falta de perspectiva são fatores que minam a educação. O Brasil é um das dez maiores economias do mundo, mas em indicadores sociais ela está ao lado de Botsuana e Moçambique: 30 milhões vivem em estado de miséria; 80 milhões não conseguem consumir as 2240 calorias mínimas exigidas para uma vida normal; 60% dos trabalhadores no Brasil ganham até um salário mínimo. 50% da riqueza concentram-se nas mãos de 10% da população que ganham mais de dez salários. São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, não foge a estes dados. O subemprego é uma realidade da grande maioria das famílias paulistas: faxineiras, camelos, lavadores de carro, pedreiros, pintores, eletricistas ocasionais são comuns. Tais pessoas apresentam baixo nível de consumo e renda e baixo nível educacional sendo incapazes de acompanhar seus filhos e dar uma boa assistência a eles.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Quarto, é um problema de política salarial e de valorização do professor. Os baixos salários, o descaso, o desrespeito, a imposição de políticas pedagógicas; tudo isso somado têm reflexos na educação. Os bons salários de alguns grupos de funcionários públicos, como os de juízes, promotores e políticos é provocado pelo subdesenvolvimento de outros grupos, como o de professores. Para que alguns grupos possam receber melhores salários e acumular patrimônios outros grupos necessitam ser explorados e sacrificados. O acesso aos benefícios está desigualmente repartido. Em conseqüência dos baixos salários e dos descasos com a classe, o professor perde a motivação, não tem prazer em dar aulas, resigna-se, não fazendo um bom trabalho.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Quinto, é um problema cultural, pois a sociedade não faz cobranças à escola. Nas escolas públicas não há colegiados, não há conselhos, não há grêmios escolares. As desvalorizações por parte da sociedade brasileira em relação ao saber e ao conhecimento têm reflexos em toda estrutura educacional. Uma sociedade que não valoriza o conhecimento é uma sociedade sem história, sem memória. A participação da sociedade como um todo nas questões educacionais deve ser o cimento que constrói a nossa cultura, que defende as sociedades locais, que preserve nossa memória e consciência contra as ameaças de grupos , de ideologias e de interesses políticos. A participação da comunidade na escola é imprescindível para melhorar a qualidade do ensino e para gerar a consciência política e reflexiva sobre os fatos.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">Como vimos, O problema da  educação não pode se resolvido no âmbito do microcosmo da escola e do esforço individual de cada um. O governo reduz o problema da educação em termos operacionais, ao voluntarismo. “Escola da família”, “amigo da escola”, “escola para todos” são termos que nos mostram que cabe a comunidade e as professores resolver os problemas da educação. As idéias vinculadas à TV de um professor esforçado, voluntarioso, feliz, decidido a resolver os problemas da educação não condiz com a realidade. Educação não é auto-ajuda Os problemas educacionais não podem ser resolvidos apenas no âmbito do individuo, da comunidade e do esforço pessoal do professor. O problema da educação é antes de tudo um problema político e social.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">Michel Aires de Souza</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/filosofonet.wordpress.com/715/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/filosofonet.wordpress.com/715/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=715&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O que é a racionalidade Instrumental?</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 21:39:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Professor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[       A faculdade subjetiva do pensar é a razão, ou seja, é a faculdade que julga, discerne, compara, relaciona, calcula, ordena e coordena os meios com os fins. Essa faculdade tornou-se em sua  evolução um instrumento formal.  A razão não é apenas a faculdade interior do homem, mas ela se personificou nos próprios objetos deste [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=filosofonet.wordpress.com&amp;blog=1786530&amp;post=627&amp;subd=filosofonet&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%;text-indent:14.15pt;margin:0;padding:0;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style="line-height:150%;font-size:14pt;"><span style="line-height:150%;font-size:14pt;"><span style="font-family:Times New Roman;"><span style='text-align:left;display:block;'><p><object type='application/x-shockwave-flash' data='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' width='290' height='24' id='audioplayer1'><param name='movie' value='http://s0.wp.com/wp-content/plugins/audio-player/player.swf' /><param name='FlashVars' value='&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0x9FFFB8&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fdl.dropbox.com%2Fu%2F19350165%2FEngenheiros_do_Hawai_-_Infinit.mp3' /><param name='quality' value='high' /><param name='menu' value='false' /><param name='bgcolor' value='#FFFFFF' /><param name='wmode' value='opaque' /></object></p></span>       </span></span></span></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:14pt;line-height:150%;font-family:&amp;"><a href="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/04/arteincomum-photoshpo-e-cl-ssicos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1227" title="arteincomum- photoshpo e cl ssicos" src="http://filosofonet.files.wordpress.com/2009/04/arteincomum-photoshpo-e-cl-ssicos.jpg?w=600" alt=""   /></a></span><span style="color:#ffffff;">A faculdade subjetiva do pensar é a razão, ou seja, é a faculdade que julga, discerne, compara, relaciona, calcula, ordena e coordena os meios com os fins. Essa faculdade tornou-se em sua  evolução um instrumento formal.  A razão não é apenas a faculdade interior do homem, mas ela se personificou nos próprios objetos deste mundo. A razão tornou-se racionalidade. Ela está presente no aparelho produtivo, no aparelho tecnológico e cientifico, nas instituições políticas, no hospital, na escola, no trânsito e na mídia.  Em todos os empreendimentos humanos há a relação calculada entre meios e fins. A operação, a coordenação, a ordem, o sistema, o cálculo, a busca da unidade define a racionalidadade em sua eficácia.    </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">          O primeiro pensador que desvelou o fenômeno da racionalidade no mundo ocidental foi Max Weber. Weber em seu livro “A<strong> ética protestante e o espírito do capitalismo</strong>”, publicado em 1905, diagnosticou que a característica fundamental específica da sociedade ocidental é a racionalização. Ele entende a racionalização como uma “regularização da ação humana” na busca de certos fins específico. Em seus estudos ele percebeu que no ocidente ocorreram fenômenos culturais dotados de “desenvolvimento universal” em seu valor e significado. Por exemplo, a idéia de um estado racionalmente organizado como uma entidade política, com uma constituição racionalmente redigida, um direito racionalmente ordenado, uma administração orientada por regras racionais e com funcionários especializados somente existiu no ocidente.  Da mesma forma, a apropriação capitalista racionalmente efetuada e calculada em termos de capital. Tudo sendo feito em termos de balanço, onde a ação individual das partes, baseada no cálculo, só existiu no ocidente.       O que weber faz “é postular como racional toda a ação que se baseia no cálculo, na adequação de meios e fins, procurando obter com um mínimo de dispêndios um máximo de efeitos desejados, evitando-se ou minimizando-se todos os efeitos colaterais indesejados”. (FREITAG, 1994, p.90). </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">       Para Weber o conceito de “racionalização” se desenvolveu principalmente pelas ciências ocidentais em suas possibilidades técnicas. “Essa racionalização intelectualista (…) devemos à ciência e à técnica-científica” (Weber, 1993, p.30).  O desenvolvimento de uma ciência racional fundamentada em princípios racionais e no método científico é um produto do ocidente. A astronomia fundamentada matematicamente; a geometria demonstrada através da  prova racional; as ciências naturais  fundamentada na observação e no método experimental; a medicina desenvolvida empiricamente com fundamentos biológicos e  bioquímicos é uma descoberta da cultura ocidental.   Esse processo de racionalização das ciências atingiu todas as esferas da vida social e tornou o “<strong>mundo desencantado</strong>”.  Tudo o que existe poderia ser explicado pelo conhecimento racional. O mundo deixou de ser misterioso. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">         Apesar de a racionalização ter começado com as ciências, foi somente com os protestantes que ela adquiriu valor e significado. Foi graças à ética protestante que a racionalidade tornou-se universal, impulsionando o capitalismo.  Com os protestantes o capitalismo ganhou consistência, assumiu formas e direções. Foi com o protestantismo que surgiu a organização capitalista assentada no trabalho livre. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">            Os membros da escola de Frankfurt também fizeram uso, em larga medida, do conceito de racionalidade na teoria crítica da civilização. Pode-se dizer que o objetivo primordial da Escola de Frankfurt é fazer uma crítica radical à racionalidade técnica do  ocidente, que tem  desencantado o mundo.  </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">        No seu livro “<strong>Eclipse da Razão</strong>” publicado em 1955, Horkheimer  define mais amplamente o conceito  racionalidade instrumental. Ele distingue duas formas de razão: a razão subjetiva (interior) e razão objetiva (exterior).      </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           A razão subjetiva (instrumental) é a faculdade que torna possível as nossas ações. É a faculdade de classificação, inferência e dedução, ou seja, é a faculdade que possibilita o “funcionamento abstrato do mecanismo de pensamento”.  (Horkheimer, 1974, p. 11). Essa razão se relaciona com os meios e fins. Ele é neutra, formal, abstrata, e lógico-matemática.    “A razão subjetiva se revela como a capacidade de calcular probabilidades e desse modo coordenar os meios corretos com um fim determinado” (Horkheimer,1974, p. 13).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">      Por sua vez, a razão objetiva  (Logos), conhecida desde a época clássica da história da Grécia, era considerada o principal conceito da filosofia.  A razão não é somente uma faculdade mental, mas é também do mundo objetivo. Existe uma ordem, uma harmonia por trás do mundo, uma racionalidade objetiva.  A razão se manifesta nas relações entre os seres humanos, na organização da sociedade, em suas instituições, na natureza e no cosmo. As teorias de Platão, Aristóteles, o escolaticismo e o idealismo alemão se fundamentam sobre uma teoria objetiva da razão. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">     Durante a evolução do conhecimento a faculdade subjetiva do pensar foi tomando o lugar da razão objetiva.  A faculdade subjetiva de pensar foi o instrumento crítico que dissolveu os conceitos da mitologia e da filosofia (razão objetiva) como mera superstição.  A luta da razão subjetiva contra a mitologia e a filosofia, ao denunciá-las como falsa objetividade, teve que usar conceitos que reconheceu como válidos, como a lógica formal e a matemática.   O resultado disso foi que nenhuma realidade particular pode ser vista como racional. A razão na busca de uma objetividade cada vez maior se formalizou.     Em sua formalização a razão foi transformando o pensamento em um simples instrumento.            </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           O livro “<strong>Dialética do Esclarecimento”,</strong> publicado em 1947, escrita a quatro mãos por Adorno e Horkheimer, também mostra-nos como a razão emancipatória objetiva se converteu em razão instrumental subjetiva. O objetivo deste livro foi o de investigar a autodestruição da razão. Por que a humanidade através do progresso técnico e científico não alcançou sua maioridade e sim sucumbiu a um estado de barbárie?  Sua tese principal nos revela o lado oculto do esclarecimento, sua história subterrânea. Para adorno e Horkheimer a razão não atingiu seu fim, pois a razão é em sua própria essência um mito: “O mito é esclarecimento, e o esclarecimento acaba por converter-se em mito”.  Esses pensadores analisaram o conceito de razão em seu desdobramento dialético, que em sua evolução buscava se emancipar da mitologia e da metafísica conduzindo a sua autonomia e a sua autodeterminação. Contudo, essa razão onipotente, dominadora da natureza, emancipatória,  que buscava submeter à natureza e a sociedade à objetividade da razão não atingiu seu fim. A razão se transformou em mera abstração, mero instrumento formal.  “Razão significa triunfo da máquina, do trabalho, da natureza útil e grátis, razão mistificada que se realiza  como razão instrumental,  pela qual a natureza, o útil-grátis, é espoliado pela máquina e pelo trabalho. Mistificada porque é o lado abstrato da regularidade, da disciplina  do trabalho legitimador dessa prática de pilhagem – prática do trabalho para o capital, da exploração dos homens para o capital”. (Matos, 1989, 130).</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">           A grande conseqüência da racionalidade instrumental foi à perda da autonomia do indivíduo. A racionalidade técnica  eliminou qualquer tentativa de ruptura. O aparato produtivo e as mercadorias se impõem ao sistema social como um todo.  Os consumidores dos produtos e das formas de bem estar social tornaram-se prisioneiros do capital. Adorno e Horkheimer detectaram uma civilização que  chegou a uma dialética sem síntese. Nós vivemos na eterna contradição entre produtividade e destruição, dominação e progresso, prazer e infelicidade. Não houve a síntese libertadora de uma sociedade livre e feliz. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> <strong>Bibliografía</strong> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. <strong><span style="text-decoration:underline;">Dialética         do Esclarecimento</span></strong>. Rio de janeiro: Jorge Zarhar, 1986. </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">FREITAG, Bárbara<strong><span style="text-decoration:underline;">. A teoria crítica: ontem e hoje</span></strong>, São Paulo: Brasiliense, 1994</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">HORKHEIMER, Max. <strong><span style="text-decoration:underline;">Eclipse da Razão</span></strong>. Rio de janeiro: Labor do Brasil, 1976.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">JAY, M. <strong><span style="text-decoration:underline;">L’imagination Dialetique</span>,</strong> Paris, Payot, 1977</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;">MATOS, Olgária C.F<span style="text-decoration:underline;">. <strong>Os arcanos do inteiramente outro: A escola de Frankfurt, a melancolia e a revolução</strong></span>.  São Paulo: Brasiliense, 1989</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#ffffff;"> WEBER, Max. <strong><span style="text-decoration:underline;">A Ética Protestante e o Espírito do</span></strong><span style="text-decoration:underline;"> <strong>capitalismo</strong></span>. São Paulo: Pioneira, 1967     </span></p>
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